quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

70 - Natal básico

Lisboa, 24 de dezembro de 2008.

Experiência interessante esta: passar o natal sem a família, do outro lado do Atlântico, numa cidade que não é a minha (mas poderia ser), comendo pizza na residência com o camarada indiano, o único membro da tripulação que deu as caras hoje por aqui (porque os chineses e o russo se entocaram, e a Dona Rosa, depois de dois dias preparando um banquete, foi para a casa do seu filho, onde vai rolar a festa de natal hoje e o enterro dos ossos amanhã, que eles chamam aqui de "roupa velha"). Mais curioso ainda foi que, quando eu estava lavando a louça, a única coisa que me passou pela cabeça foi que eu fui concebida justamente numa noite de natal, há 42 anos, e que o meu pai tinha exatamente a minha idade. Claro que a lembrança do Seu Machado não ficou só por aí, eu tive que reler aquelas belas páginas que ele escreveu no diário da Beth (as quais evidentemente digitalizei e estão aqui guardadas no meu computador), há mais de 25 anos, e que só muito recentemente, num dia de grandes emoções, fiquei sabendo da existência. Isso também me fez lembrar que um dos meus planos aqui em Portugal era tentar achar o fio da meada da família dele, pelo menos da parte dos Souza, que eu tenho bem documentada (hoje descobri que a Dona Rosa é Souza também, só esta que faltava!), mas não consegui fazer isso, e acho difícil que ainda consiga. Interessante também é que às vezes me deparo por aqui com expressões que ele usava, o que aumenta ainda mais a minha sensação de familiaridade por essas bandas. Enfim, lembranças de um pai que já se foi há tanto tempo, mas que, de alguma maneira, segue presente nas nossas vidas... Hoje estou muito feliz: falei com todo mundo em casa: Pedro, mamãe, Beth, Rodrigo e Iuri. Feliz Natal para todos (seja lá o que isso signifique)! Falei também com o pessoal do Pedro por aqui e lá no norte, e amanhã vou enterrar os ossos lá na casa da Lídia (ela insistiu para eu ir hoje, dormir lá etc., mas eu achei melhor deixar para ir só amanhã, porque senão rola uma overdose de família). Acabei de falar com a Elena, ela deve voltar por essas bandas em janeiro, que bom! Assim a nau hispano-brasileira poderá navegar de novo pelas águas de Lisboa.
Este é o mapa do Parque em que costumo caminhar. Hoje fui lá pela manhã.
Este é o Carlos, bibliotecário do Instituto Cervantes no Rio, que encontrei casualmente no dia em que estava com a nau espanhola no Parque das Nações. Fala sério, se tivéssemos combinado não teríamos nos encontrado. Antes de vir para Lisboa, trocávamos altas figurinhas lá no Cervantes, porque ele estava pensando em tentar o doutorado lá na PUC (o mestrado na USP foi sobre tradução). Além disso, ele me deu altas dicas sobre malas, meias para encarar o frio e contatos, pois, além de ter família aqui em Lisboa e ter uma relação forte com a Espanha por causa do Cervantes (aliás, reparem no cachecol vermelho e amarelo dele, mais espanhol impossível), ele morou um tempo na Alemanha, quando estava fazendo o mestrado.
Mais algumas fotos do Parque.








Não é maravilhoso? Acho que vou sentir falta desse verde (que no verão é deslumbrante e no outono é mais discreto, mas não menos bonito, apesar do frio), do clima e da paz das minhas caminhadas e exercícios matinais por aqui.

Um comentário:

Anônimo disse...

Seus comentários sobre o "Seu Machado" me emocionaram.
mami