Lisboa, 25 de agosto de 2008.
Hoje finalmente consegui conhecer um dos vegetarianos mais famosos de Lisboa: Os Tibetanos, que fica na Rua do Salitre, 117, uma transversal da Avenida da Liberdade. Como o nome sugere, há tankas e imagens do Tibete espalhados pelas paredes, além de livros budistas, incensos e imagens do Dalai Lama à venda. As cores são fortes, como num templo tibetano, os guardanapos, por exemplo, são vermelhos. Apesar do cardápio variado, o prato do dia é no estilo do Jan, inclusive no capricho do tempero e da apresentação, ou seja, é melhor que o Oriente e o Tao, que estavam ganhando até agora. No entanto, o preço fica entre um e outro, mais caro que o Tao, mais barato que o Oriente, paguei 8,50 no prato do dia + água com gás. Comi estrogonofe de seitan com cogumelos (temperado deliciosamente com coentro fresco e curry), arroz integral e abobrinha (estava assim no cardápio, mas era a nossa velha e conhecida abóbora, feita de um jeito muito original, em rodelas firmes e deliciosamente temperadas sabe-se-lá-com-quê). Uma delícia! O zunzunzun silencioso das mesas (típico dos restaurantes vegetarianos) fazia bom par com o sorriso budista das donas e atendentes (uma delas nórdica, lembrou-me a Virpi, uma colega da PUC, que é dinamarquesa). Aliás, o lugar é freqüentado pela burguesia natureba de Lisboa e internacional. Há lá também uma varanda (aqui eles chamam de esplanada), onde é permitido fumar. Tudo isso ao som de Bach e Villa-Lobos.
Saí flutuando do restaurante e dei uma caminhada na região, achei a Universidade Aberta, onde trabalha o professor Castilho, uma das pessoas que trabalha com história da tradução em Portugal, e com quem eu devo fazer contato em breve. Seguindo por ali, eu iria parar no Bairro Alto, ao qual ainda não me dediquei, apesar de todas as recomendações dos amigos. Fiquei tentada, pois já estava no caminho, mas resolvi ir à Biblioteca Nacional e deixar esse passeio para outro dia. Peguei o metro, saltei na estação Entre Campos e pronto, lá estava eu na BN de Lisboa, ao vivo e a cores. Quase não acreditei. Fui chegando aos pouquinhos, me informando daqui, dali, sentei para uma primeira primeira pesquisa bibliográfica... Conclusão: já estou aqui com meu cartão do leitor, posso freqüentar a sala de leituras (o acervo só pode ser lido internamente), já sei os procedimentos para me aproximar dos livros reservados, fazer cópias, etc., ou seja, tá tudo dominado, é só arregaçar as mangas.
Lembrei da Marga hoje, pois está rolando uma pequena mostra sobre a Simone lá na Biblioteca, ela ia adorar. Aliás, sabe como eles traduzem o Sursis, do Sartre? Suspensão de pena (ou algo do gênero). Ai, ai, ai... Comecei a ver também a exposição Tesouros Brasileiros, mas esta é grande e merece mais atenção. Ao longo da semana vou vendo com calma, afinal, agora a BN vai ser meu local de trabalho.