Ontem dei uma aula remota na disciplina de História da Tradução que a minha ex-orientadora, a gloriosa professora Marcia Martins, ministra no curso de mestrado e doutorado em Estudos da Tradução da PUC-Rio. Foi giro retornar ao material da minha tese estando aqui em Lisboa. Veja a capa dos slides e, se quiser ver o resto, clique aqui ou na imagem:
A viajante navega na Caravela Cruzeiro do Sul rumo a mares nunca dantes navegados, ou até já navegados, mas sempre inusitados. Aqui se encontra o seu diário de bordo.
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quinta-feira, 22 de setembro de 2022
domingo, 28 de maio de 2017
189 - Tradução dos três primeiros capítulos do Tetrabiblos
Clique aqui para ver a tradução dos três primeiros capítulos do Tetrabiblos (tem uma versão comentada e uma sem comentários). Essa publicação tão esperada é fruto de um trabalho de 10 anos que fiz com o Marcus e do qual nos orgulhamos deveras. Parabéns para a gente!!! Em breve esse material sairá em livro, junto com os estudos que fizemos sobre a obra de Ptolomeu e as cosmologias antigas. Vale lembrar que, por incrível que pareça, este é o primeiro texto de Ptolomeu traduzido direto do grego para o português.
sexta-feira, 28 de outubro de 2011
122 - Apresentação de trabalho em Coimbra
Apesar de algumas chatices inerentes a qualquer congresso, ao fim e ao cabo correu tudo bem. Além da emoção e do sentido de responsabilidade de estar na Universidade de Coimbra, que bem ou mal povoa o nosso imaginário tupiniquim, eu tive a felicidade de ser encaixada numa sessão sobre matemática e astronomia. Graças a isso, compartilhei esse momento com algumas figuras ilustres da minha vida, como o Luís Miguel Carolino, que apresentou seu trabalho na mesma sessão, e o Henrique Leitão, que foi o mediador da sessão (ou chair, como eles chamam em Portugal), ambos já devidamente mencionados aqui. Na plateia, meu prezado amigo e ex-orientador Antonio Augusto, que havia acabado de fazer uma belíssima palestra (ele foi orador convidado do congresso, bem como o Henrique, que finalmente foram apresentados um para o outro por essa que vos fala; afinal, era um absurdo eles não se conhecerem pessoalmente, tendo em vista seus interesses em comum), sua senhora Gabriela, que, coitada!, foi submetida a agruras terríveis já que história da ciência não é a sua área, e também a minha querida amiga Teresa. Evidentemente, além dos amigos, havia também as outras pessoas que apresentaram trabalhos na mesma sessão e mais meia dúzia de gatos pingados, como é peculiar. Mais detalhes sobre esses três dias, para além da apresentação, tentarei relatar no próximo post. Por ora, seguem os slides da minha primeira comunicação num congresso internacional, o Congresso Luso-Brasileiro de História das Ciências, realizado esta semana em Coimbra:
sexta-feira, 21 de outubro de 2011
119 - Voltando à Biblioteca Nacional de Portugal
Hoje voltei à BNP depois de quase três anos. Durante o meu estágio doutoral em 2008, a maior parte do meu trabalho foi feita nessa biblioteca. Tive apenas que renovar o cartão de leitora e rapidamente lá estava eu novamente sentada naquela ampla e confortável sala de leitura com cinco livros à minha volta. Mais uma viagem no tempo. Só não foi repeteco total porque hoje não estava à cata de nenhuma tradução do Tetrabiblos nem de nenhum outro texto astrológico antigo. Fui procurar o Livro da Montaria, de D. João I, rei de Portugal entre 1385 e 1433. Nesse livro é mencionado um personagem importante sobre o qual vou falar na próxima quarta-feira no congresso em Coimbra: o astrólogo João Gil, que suponho ter traduzido a versão castelhana do Tetrabiblos que encontrei na Biblioteca Nacional de España (BNE) há três anos. Falei desse texto do D. João na minha tese, mas não cheguei a ver o livro. Hoje fui completar esse trabalho, vasculhando cada página da obra para ver todas as referências que me interessavam. Encontrei um bom material em que o rei dá uma aula de astrologia, aparentemente com base no Tetrabiblos. Amanhã volto lá para copiar isso e analisar melhor o conteúdo. Depois coloco aqui a versão final da apresentação, caso alguém queira ver.
No fim do dia, saí da biblioteca e fui à cinemateca, coisa que também costumava fazer muito há três anos. Assisti a um filme do Werner Herzog que conta a história de um lendário bandido brasileiro do século XIX metido com tráfico de escravos que vai parar na África: Cobra Verde, de 1987. Parece título de ficção científica, mas não é, trata-se simplesmente do último filme da parceria Herzog-Kinski, penúltimo do Klaus Kinski, que morreu alguns anos depois. Até o José Lewgoy participa da película no papel canalha de um senhor de escravos. O filme é forte (pois mostra atrocidades escravocratas), tem suas bizarrices (como a dublagem e o fato de todo o mundo falar inglês), mostra um homem que vive no limite entre a pura potência e a autodestruição, mas tem também belas cenas (como a das mulheres africanas cantando no final) e boas tiradas históricas (como a hipocrisia das relações entre países que já haviam abolido a escravidão e os que ainda eram escravocratas) e existenciais (como a consciência que o Cobra Verde tinha de que o que fazia não era certo ou errado, mas sim um crime). Tem uma hora, quando o seu destino já está mais ou menos traçado, que ele fala algo como: "finalmente alguma coisa diferente vai acontecer". Até então, ele tinha se imposto sem dificuldade, transformando-se no mal encarnado; agora, o "diferente" é que aqueles que foram explorados e estavam sob seu mando, serão os responsáveis pelo seu fim, assim como ele havia feito no início da construção da sua lenda.
No fim do dia, saí da biblioteca e fui à cinemateca, coisa que também costumava fazer muito há três anos. Assisti a um filme do Werner Herzog que conta a história de um lendário bandido brasileiro do século XIX metido com tráfico de escravos que vai parar na África: Cobra Verde, de 1987. Parece título de ficção científica, mas não é, trata-se simplesmente do último filme da parceria Herzog-Kinski, penúltimo do Klaus Kinski, que morreu alguns anos depois. Até o José Lewgoy participa da película no papel canalha de um senhor de escravos. O filme é forte (pois mostra atrocidades escravocratas), tem suas bizarrices (como a dublagem e o fato de todo o mundo falar inglês), mostra um homem que vive no limite entre a pura potência e a autodestruição, mas tem também belas cenas (como a das mulheres africanas cantando no final) e boas tiradas históricas (como a hipocrisia das relações entre países que já haviam abolido a escravidão e os que ainda eram escravocratas) e existenciais (como a consciência que o Cobra Verde tinha de que o que fazia não era certo ou errado, mas sim um crime). Tem uma hora, quando o seu destino já está mais ou menos traçado, que ele fala algo como: "finalmente alguma coisa diferente vai acontecer". Até então, ele tinha se imposto sem dificuldade, transformando-se no mal encarnado; agora, o "diferente" é que aqueles que foram explorados e estavam sob seu mando, serão os responsáveis pelo seu fim, assim como ele havia feito no início da construção da sua lenda.
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