Hoje fez um dia lindo, bom para passear. Fui almoçar na Lídia (rolou um bacalhau, com direito a trazer farnel portuga para a janta: burrego, ou seja, "quase um cabrito" com batatas) e depois fomos passear, acompanhadas de duas amigas dela, Rosa e Maria. Decidimos ir ao Cristo Rei, para desfrutar da beleza do dia. Chegamos lá, tomamos um café e subimos para ver a vista. Muito gira!
A viajante navega na Caravela Cruzeiro do Sul rumo a mares nunca dantes navegados, ou até já navegados, mas sempre inusitados. Aqui se encontra o seu diário de bordo.
domingo, 26 de outubro de 2008
45 - Sol, calor e céu azul em Lisboa
Hoje fez um dia lindo, bom para passear. Fui almoçar na Lídia (rolou um bacalhau, com direito a trazer farnel portuga para a janta: burrego, ou seja, "quase um cabrito" com batatas) e depois fomos passear, acompanhadas de duas amigas dela, Rosa e Maria. Decidimos ir ao Cristo Rei, para desfrutar da beleza do dia. Chegamos lá, tomamos um café e subimos para ver a vista. Muito gira!
sábado, 25 de outubro de 2008
44 - Trabalho, Academia de Estudos Astrológicos e mais Hot Clube
quarta-feira, 22 de outubro de 2008
43 - Belém sem pastel e Madri no roteiro
Hoje resolvi ficar na residência estudando. O vento não está nada convidativo. Saí de manhã para caminhar e desisti. Apesar do sol, o vento estava insuportável, e olha que eu estava dentro do meu moleton. Realmente não gosto de vento, sou do tipo brisa... Acabei de comer um bacalhau ao forno (que descongelei no microondas) com salada verde e uma taça de vinho portuga. Perfeito!
Ontem foi o dia de ir atrás do rastro da tradução espanhola do Tetrabiblos, feita no século XV. Achei nos catálogos de manuscritos da Biblioteca Nacional de España, ou seja, vou ter que ir a Madri. Que chato! :-) Como no dia 2 aporto em Salamanca de mala e cuia para desfrutar da minha bolsa do Cervantes, está tudo se encaixando. A única nota dissonante é que não terei internet na casa onde vou ficar, e um mês sem internet em casa é dose. Mas tudo bem, já digeri isso, pelo menos as dependências da universidade e a biblioteca contam com uma rede wifi. A minha idéia é ir nos fins de semana para Madri, acho que dá para chegar na sexta à tarde (as aulas que freqüentarei em Salamanca são de manhã), aproveitar a biblioteca até fechar, lá pelas 9 da noite, e também no sábado de manhã. Depois dá para passear o resto do sábado e também no domingo. Maravilha! Já entrei em contato com a biblioteca e vi o que preciso para ter acesso aos livros antigos. Claro que num dos fins de semana vou querer ir a Toledo também, acho que dá para encaixar numa boa.
Pois bem, voltando a Lisboa, na segunda fiz uma coisa que costumo fazer muito no Rio, peguei um cineminha à tarde. Fui até a cinemateca, onde vi Made in USA, do Godard. A cópia não estava lá essas coisas, mas deu para ter uma idéia das cores fortes do filme, que é de 1966, sendo em parte político, em parte policial, mas também um pouco ficção. Gostei. Antes do cinema, fui desbravar mais um vegetariano, o Terra, que fica na Rua da Palmeira, no Príncipe Real. O lugar é ecologicamente correto, tem um bufê muito bom e um jardim maravilhoso, onde se come ao ar livre.
No domingo fiz um programa de índio, fui cedo para Belém. O dia estava lindo, então a turistada fez a festa. Pois bem, fui à Torre de Belém, entrei, olhei tudo, tirei fotos, curti a vista. Realmente é um belo sítio, como se diz por aqui. Belíssimo estilo (chama-se manuelino, que é tipicamente português, da época de D. Manuel, com tonalidades mouriscas). Por dentro me lembrou os fortes que já visitei no Brasil, com seus canhões, portais de pedra abobadados, calabouços etc. Andei até o Padrão dos Descobrimentos, uma construção enorme (tem um elevador por dentro que leva até lá em cima, de onde se deve ter uma vista fantástica de Belém e dos bairros fronteiriços, mas também do Tejo e do mapa enorme que está ao seu pé, onde estão apontados os anos de chegada dos portugueses nas várias partes do mundo) que representa uma nau e algumas pessoas de relevo da expansão marítima. Não entrei porque estava cheio, sem falar que a subida é paga, e eu tirei o domingo para programas gratuitos. Dirigi-me então para o CCB (Centro Cultural Belém), local modernoso de exposições, espetáculos e eventos, tipo o nosso CCBB, só que tem a forma de um castelo enorme, com torres e pátios. Almocei no self-service do centro cultural, que é bastante honesto e tem uma vista deslumbrante, e parti para as suas quatro exposições (o espaço se chama Museu Colecção Berardo). Adorei as exposições de arte contemporânea, com suas instalações sensíveis, vídeos etc. Havia também uma exposição temporária, "Desenhos de escritores", com desenhos e quadros de vários escritores, como Proust, Breton, Victor Hugo, Artaud, Baudelaire, Kerouac e Ginsberg, entre muitos outros. Vale dizer que alguns eram pouco mais que rabiscos, mas ainda assim interessantes, enquanto outros eram verdadeiras obras. Depois de 3 horas de museu, só um café com pastel de Belém, né? Pois é, foi o que pensei. Mas não foi possível ficar na tradicional pastelaria, estava todo o mundo lá... Desisti, peguei o primeiro busum que passou, acabei indo parar num bairro que não conhecia, pequei um trem e saltei no Rossio, na bela estação (ex-central). Ali mesmo, só de raiva, comi um pastel de nata e tomei uma bica (como eles chamam o café por aqui) na primeira pastelaria que passei.
Dá para perceber a grandiosidade da construção? Como está sempre ventando por aquelas bandas, dá até tonteira olhar para cima. Imagina lá em cima? Deuses! Será que tenho coragem? Qualquer dia eu tento.
sábado, 18 de outubro de 2008
42 - Paisagens, azulejos e pães quentinhos
Faltou dizer que fui de trem para Évora e que a paisagem do Alentejo é bem diferente da que vi quando fui para o norte do país. Para começar, finalmente vi o Aqueduto (tipo os nossos Arcos da Lapa, só que mais monumental; acho inclusive que foram construídos na mesma época, no século XVIII), o trem passa sob um dos arcos. Logo em seguida, ele passa na Ponte 25 de Abril, bem devagar, o que me permitiu vislumbrar a cidade se afastando aos poucos. Como estava numa janela do lado direito, vi a foz do Tejo, lá onde ele se encontra com o Atlântico. Lá onde está Belém e sua Torre, o Padrão dos Descobrimentos e toda aquela área grandiosa, que me emocionou muito quando vi pela primeira vez, logo nos primeiros dias por aqui (amanhã, se não chover, pretendo voltar lá e ver a Torre de perto). Depois de parar duas ou três vezes, finalmente o trem pega o embalo e aí fomos mais para o interior, onde, na paisagem rural, destacam-se os pastos, coisa que ainda não tinha visto. Grandes áreas de pastagem, com vacas, ovelhas, carneiros e assemelhados. Claro que vi também algumas zonas vinheteiras, afinal, o Alentejo produz vinho (e devo dizer que tem sido o meu preferido por aqui, especialmente o tal do Reguengos), mas o que me chamou a atenção foram os bichos no pasto, porque não tinha visto no caminho para o norte. Ah! Antes de voltar para Lisboa, fui a outro vegetariano em Évora, o Salsa Verde, que é na área do hotel. Muito boa comida, self-service a peso e ambiente moderninho, tipo o MegaVega. À noite, já em Lisboa, na residência, quando desci para comer, encontrei a Teresa, que tinha ido de férias no início do mês para a sua casa, em Braga, e só voltou por esses dias. Botamos o papo em dia, falei para ela do curso de história da ciência em Évora e, quando eu disse que fui ao Hot Clube, ela disse que queria ir também, pois adora jazz. Combinamos de ir na semana que vem. Muito giro! Hoje de manhã fui dar a minha caminhada no Parque e fazer meus exercícios. Voltei, organizei as minhas coisas, comi e, quando estava com o pé na porta para ir ao Museu do Azulejo, começou a chover. Voltei, deitei um pouco para fazer uma horinha e acabei cochilando. Acordei logo depois com uma porta batendo aqui no corredor (aliás, por que será que chineses e russos batem tanto as portas? pelo menos esses daqui fazem sinfonia). Foi até bom porque a chuva já tinha parado e eu aproveitei o ensejo para sair. Como estou ficando esperta, hoje me lembrei de apresentar a carteirinha de estudante. Qual não foi a minha surpresa quando descobri que, mais do que desconto, eu teria a entrada livre. Maravilha! Nada como ser uma quarentona estudante. hehe :-) O museu é muito simpático, apesar de ficar num antigo convento. Ele tem uma pequena área muito interessante que mostra as técnicas e a azulejaria arcaicas, seguindo depois, cronologicamente, com os vários estilos dessa herança muçulmana que se tornou uma das marcas de Portugal (aliás, em Évora, há peças incríveis, especialmente na universidade). A parte chata é a arte sacra (talvez seja pura ignorância minha, mas é muito chato ficar vendo aqueles desfiles de santos e imagens sagradas, o pobre coitado do moço sofrendo na cruz ou fora dela de todos os jeitos e em todas as formas de arte), que realmente ocupa um espaço considerável do museu, mas, para mim, os destaques são, além dos azulejos mouros com seus padrões geométricos, as mais profanas azulejarias moderna e contemporânea e o panorama de Lisboa no início do século XVIII, ou seja, antes do terremoto de 1755. Ao sair, ainda tomei um café com pastel de nata no café-restaurante do museu, que vale a pena conhecer, pois lá também há azulejos temáticos, com desenhos de bichos, vegetais, alimentos e paisagens campesinas, sem falar o belo jardim de inverno (pena que estava molhado da chuva). Na porta do museu, peguei o primeiro busum que passou, que desceu a Rua da Madre de Deus, passou na Estação Santa Apolônia e, quando eu vi, estava saltando no Paço, bem no arco da Augusta. Desci a Rua Augusta vendo as gentes e as modas até o Rossio, onde entrei no meu 36 que me conduziu sã e salva de volta à Residência. Ainda passei na padaria/pastelaria aqui da rua, cujo dono é brasileiro, e comprei um pão quentinho. O curioso é que, no Rio, as padarias que freqüento são de portugueses, e aqui, quando quero um pão quentinho, vou numa padaria de brasileiro...
Três placas didáticas da segunda metade do século XVIII.
Mais um pouco da azulejaria contemporânea (que mistura um tanto de velho e de novo).
sexta-feira, 17 de outubro de 2008
41 - Mais fotos de Évora
Esta é uma exposição de Física que vi no Palácio Dom Manuel...
Esta é a Igreja de São Francisco (que abriga a tal Capela dos Ossos) da varanda do Palácio Dom Manuel. Nesse mesmo largo fica o Mercado Municipal.
Só para ver como é tudo branco e amarelo por aqui, até o Ibis (onde fiquei), que é um hotel funcional super padronizado em qualquer canto que se vá, aqui tem essa forma de castelo e é branco e amarelo.
Só agora reparei nas torres da Sé. Essa da esquerda, além do formato meio mourisco, é de um azul incrível, que me chamou a atenção.
Esta é a Porta Nova. Imagina a velha...
Este é o cardápio (por aqui eles dizem ementa) do restaurante típico que eu acabei não indo, preferi ir neste aí embaixo...
Jardim do Chá, restaurante vegetariano atrás da Sé.
Esta é a frase na entrada da Capela dos Ossos: "Nós ossos que aqui estamos pelos vossos esperamos"... Sinistro!
Olha a viajante aí rendendo suas homenagens à deusa...
quinta-feira, 16 de outubro de 2008
40 - Entre Fitas e ossos...
quarta-feira, 15 de outubro de 2008
39 - Ebora Liberalitas Iulia
Ontem cheguei nesta bela cidade do Alentejo, patrimônio cultural da humanidade, onde se encontra uma das mais antigas universidades do país, com sua rica biblioteca quinhentista. Além da Biblioteca da Universidade de Évora, há aqui também uma Biblioteca Pública recheada, onde me enfurnei hoje em busca dos textos antigos de astrologia. Achei muita coisa interessante, menos o meu querido Ptolomeu. Revirei os catálogos, examinei vários textos e acabei pedindo a cópia de alguns, que volto na sexta para pegar. Aqui também não pude fotografar, o que facilitaria deveras, sem falar que sairia mais barato... Mas nem tudo é perfeito. Perfeito mesmo foi ter encontrado um restaurante vegetariano praticamente ao lado da biblioteca. E esse restaurante é muito parecido com a Chácara, do Jan, com seu atendimento zen e mesinhas num quintal arborizado. Comi embaixo de um limoeiro (arroz integral, lentilhas, legumes no alho-poró e salada, de entrada uma sopa e, para arrematar, uma sobremesa de laranja, tudo muito bom, simples e honesto), mas lá havia também outras árvores frutíferas. A Biblioteca Pública fica no Largo Conde Vila Flor, onde também se encontram as ruínas do templo de Diana, do século I. Isto mesmo! Évora foi fundada pelos romanos, chamava-se Ebora Liberalitas Iulia. Parece que há também outros sinais deles por aqui, mas eu ainda não os vi, como as Termas Romanas, que foram descobertas em 1987, no meio de uma obra na Câmara Municipal... Fora isso, Évora é uma cidade medieval, pelo menos a sua parte histórica, que se encontra toda no interior da muralha, com suas vielas labirínticas e calçamento de pedra. Lembrou-me muito Coimbra, principalmente por ser também uma cidade universitária, ou seja, todos os caminhos levam à universidade, e também, evidentemente, à Catedral. Só que menos íngreme. Sobe-se também, mas não tanto quanto em Coimbra. Outra coisa que chama a atenção é que praticamente toda a cidade é branca e amarela.