domingo, 26 de outubro de 2008

45 - Sol, calor e céu azul em Lisboa

Lisboa, 26 de outubro de 2008.

Hoje fez um dia lindo, bom para passear. Fui almoçar na Lídia (rolou um bacalhau, com direito a trazer farnel portuga para a janta: burrego, ou seja, "quase um cabrito" com batatas) e depois fomos passear, acompanhadas de duas amigas dela, Rosa e Maria. Decidimos ir ao Cristo Rei, para desfrutar da beleza do dia. Chegamos lá, tomamos um café e subimos para ver a vista. Muito gira!


Lídia, eu e a vista de Almada no fundo.

Esta é a vista do Tejo com o centro de Lisboa ao fundo.

Ponte 25 de Abril vista do Cristo Rei.

Esta é a vista do Tejo com Belém ao fundo (com esforço, dá para ver a Torre, o Padrão e o Mosteiro dos Jerónimos, por onde perambulei na semana passada).

Dá uma sacada na trupe! Da esquerda para a direita: Rosa, Lídia e Maria.

Olha eu aí no Cristo Rei, com a Ponte 25 de Abril, o Tejo e Belém ao fundo.

Poderia ser o Cristo Redentor...

Olha eu aí com o Tejo e o centro de Lisboa ao fundo.

Passamos embaixo do aqueduto. É realmente muito alto!

Este é o engarrafamento de retorno a Lisboa. O Cristo Rei fica em Almada, do outro lado do Tejo, onde é o acesso para as praias. Qualquer semelhança é mera coincidência...

Esta ficou gira!


sábado, 25 de outubro de 2008

44 - Trabalho, Academia de Estudos Astrológicos e mais Hot Clube

Lisboa, 25 de outubro de 2008.
Hoje é dia de atrasar os relógios por aqui: acaba o horário de verão. Com isso, a diferença para o Rio passa a ser de apenas duas horas. Pois bem. Esta semana trabalhei bastante. Entre outras coisas, acabei botando a mão (na verdade só os olhos, porque foi em microfilme) numa das três únicas impressões antigas do Tetrabiblos em grego, a que saiu no Speculum Astrologiae, do Francisco Junctinus, de 1581, que é um enorme tratado de astrologia com mais de duas mil páginas. Muito giro! Tenho que me organizar esta semana, para deixar meus estudos bem documentados, pois no sábado vou para Salamanca e só retomo os trabalhos por aqui em dezembro. Não quero perder o fio da meada... Lá vou tentar pelo menos fazer o levantamento das obras astrológicas antigas, só vai depender de como será o esquema de trabalho, pois vou ter aula de espanhol todos os dias, além das outras que também me inscrevi. Em Madri, a função é bem definida: botar a mão na tradução espanhola do Tetrabiblos e, se possível, copiá-la. O que vier além disso é lucro. Além de trabalhar, esta semana também me diverti, conheci gente nova e fiz um contato astrológico muito importante, com a Academia de Estudos Astrológicos. A Academia é uma escola de astrologia tradicional com ênfase em pesquisa, ou seja, totalmente alienígena ao quadro geral da astrologia praticada hoje na maior parte do mundo. Como também faço parte do grupo de alienígenas da astrologia, foi extremamente revigorante o encontro com esse pequeno oásis astrológico: Helena Avelar e Luís Ribeiro. Na quarta à noite jantei com o pai do Antonio Augusto, que se chama Antonio Luciano, e sua mulher, Maria Adelaide. Ele mora aqui há mais de 20 anos, onde se aposentou pela Universidade de Évora, lecionando história da ciência (filho de peixe, peixinho é). Mas a sua formação é em física, tendo participado de passagens importantes da história da física no Brasil. Maria Adelaide, que é portuguesa, também é professora, só que de matemática, e leciona na Faculdade de Ciências da Universidade Lisboa. Ambos são muito gracinhas, ótimo papo, vieram me apanhar na residência e me levaram para jantar num restaurante aqui perto, no Lumiar, onde eles costumam ir. Fomos de comida típica: salames de entrada, sopa alentejana, dois pratos de peixe (que não me lembro mais o nome, acho que um é jaquinzinho, e o outro não me lembro mesmo, só sei que o peixe veio ao prato mordendo o próprio rabo, para horror dos leitores vegetarianos) acompanhados de arroz de grelos (!), tudo isso regado a um divino vinho verde. De sobremesa, um tal de leite creme, que é exatamente o delicioso créme brulé que provei em Paris. Ficamos de nos falar de novo e marcar uma ida a Sintra, onde eles têm casa. Muito giro! Ontem à noite fui novamente ao Hot Clube, mas, dessa vez, com a minha nova amiga, a Teresa. Ela combinou de ir jantar fora com um amigo, o José, e me chamou para acompanhá-los. Fomos numa casa de massas, o Casanova, lá em Santa Apolónia, tomamos um espumante delicioso (na verdade, dois) e eu comi pizza de berinjela (massa fininha, lenha, bom recheio). Rolou também uma massa e um carpacio, mas me detive mais na minha pizza (o engraçado é que eles acham divertido eu botar azeite na pizza). Batemos um papo bem legal. O interessante é que, apesar do Atlântico entre nós, as experiências de vida dos três quarentões foi bem parecida. Falamos de música, política, astrologia, comida, diferenças de costumes e falares etc. Depois fomos só nós duas ao Hot Clube, porque o José não arrumou vaga (ter carro em Lisboa, como no Rio, é programa de índio). Chegamos lá por volta da meia-noite e pegamos o fim do primeiro concerto. Esperamos o segundo concerto bebericando um vinho branco no bar e conversando. Lá estava o Joaquim, que apresentei para a Teresa. Não é que ela ficou surpresa de ver que a brasileira aqui num único dia sozinha no Hot Clube já tinha feito até amizade? Coisas da terrinha... Pois bem, mais um concerto de jazz indescritível, Laurent Filipe "The Song Band", este num clima mais Chet Baker, porque o cara do trompete, o tal do Laurent Filipe, também cantava. Saímos, pegamos um taxi e adentramos à residência lá pelas duas da manhã. Ótimo programa! Hoje passei o dia escrevendo.

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

43 - Belém sem pastel e Madri no roteiro

Lisboa, 22 de outubro de 2008.

Hoje resolvi ficar na residência estudando. O vento não está nada convidativo. Saí de manhã para caminhar e desisti. Apesar do sol, o vento estava insuportável, e olha que eu estava dentro do meu moleton. Realmente não gosto de vento, sou do tipo brisa... Acabei de comer um bacalhau ao forno (que descongelei no microondas) com salada verde e uma taça de vinho portuga. Perfeito!

Ontem foi o dia de ir atrás do rastro da tradução espanhola do Tetrabiblos, feita no século XV. Achei nos catálogos de manuscritos da Biblioteca Nacional de España, ou seja, vou ter que ir a Madri. Que chato! :-) Como no dia 2 aporto em Salamanca de mala e cuia para desfrutar da minha bolsa do Cervantes, está tudo se encaixando. A única nota dissonante é que não terei internet na casa onde vou ficar, e um mês sem internet em casa é dose. Mas tudo bem, já digeri isso, pelo menos as dependências da universidade e a biblioteca contam com uma rede wifi. A minha idéia é ir nos fins de semana para Madri, acho que dá para chegar na sexta à tarde (as aulas que freqüentarei em Salamanca são de manhã), aproveitar a biblioteca até fechar, lá pelas 9 da noite, e também no sábado de manhã. Depois dá para passear o resto do sábado e também no domingo. Maravilha! Já entrei em contato com a biblioteca e vi o que preciso para ter acesso aos livros antigos. Claro que num dos fins de semana vou querer ir a Toledo também, acho que dá para encaixar numa boa.

Pois bem, voltando a Lisboa, na segunda fiz uma coisa que costumo fazer muito no Rio, peguei um cineminha à tarde. Fui até a cinemateca, onde vi Made in USA, do Godard. A cópia não estava lá essas coisas, mas deu para ter uma idéia das cores fortes do filme, que é de 1966, sendo em parte político, em parte policial, mas também um pouco ficção. Gostei. Antes do cinema, fui desbravar mais um vegetariano, o Terra, que fica na Rua da Palmeira, no Príncipe Real. O lugar é ecologicamente correto, tem um bufê muito bom e um jardim maravilhoso, onde se come ao ar livre.

No domingo fiz um programa de índio, fui cedo para Belém. O dia estava lindo, então a turistada fez a festa. Pois bem, fui à Torre de Belém, entrei, olhei tudo, tirei fotos, curti a vista. Realmente é um belo sítio, como se diz por aqui. Belíssimo estilo (chama-se manuelino, que é tipicamente português, da época de D. Manuel, com tonalidades mouriscas). Por dentro me lembrou os fortes que já visitei no Brasil, com seus canhões, portais de pedra abobadados, calabouços etc. Andei até o Padrão dos Descobrimentos, uma construção enorme (tem um elevador por dentro que leva até lá em cima, de onde se deve ter uma vista fantástica de Belém e dos bairros fronteiriços, mas também do Tejo e do mapa enorme que está ao seu pé, onde estão apontados os anos de chegada dos portugueses nas várias partes do mundo) que representa uma nau e algumas pessoas de relevo da expansão marítima. Não entrei porque estava cheio, sem falar que a subida é paga, e eu tirei o domingo para programas gratuitos. Dirigi-me então para o CCB (Centro Cultural Belém), local modernoso de exposições, espetáculos e eventos, tipo o nosso CCBB, só que tem a forma de um castelo enorme, com torres e pátios. Almocei no self-service do centro cultural, que é bastante honesto e tem uma vista deslumbrante, e parti para as suas quatro exposições (o espaço se chama Museu Colecção Berardo). Adorei as exposições de arte contemporânea, com suas instalações sensíveis, vídeos etc. Havia também uma exposição temporária, "Desenhos de escritores", com desenhos e quadros de vários escritores, como Proust, Breton, Victor Hugo, Artaud, Baudelaire, Kerouac e Ginsberg, entre muitos outros. Vale dizer que alguns eram pouco mais que rabiscos, mas ainda assim interessantes, enquanto outros eram verdadeiras obras. Depois de 3 horas de museu, só um café com pastel de Belém, né? Pois é, foi o que pensei. Mas não foi possível ficar na tradicional pastelaria, estava todo o mundo lá... Desisti, peguei o primeiro busum que passou, acabei indo parar num bairro que não conhecia, pequei um trem e saltei no Rossio, na bela estação (ex-central). Ali mesmo, só de raiva, comi um pastel de nata e tomei uma bica (como eles chamam o café por aqui) na primeira pastelaria que passei.
Miniatura da Torre

Esta é para dar uma idéia das cercanias. A área em torno da Torre é tipo um parque.

Vista de dentro da torre, de uma das "janelas".


Olha só a regata, lá onde o Rio encontra o mar...
Entre a Torre e o Padrão, há este ancoradouro. No fundo, um casario azul bonito
Este farol me chamou a atenção. No fundo, o Padrão, e mais no fundo ainda, a Ponte 25 de abril, por onde passei para ir a Évora.



Esta é uma parte do enorme mapa que há no chão em frente ao Padrão. Foi difícil conseguir tirar essa foto, pois havia lá um monte de brasileiros querendo tirar fotos sentados no Brasil...
Olha só a situação na porta da pastelaria.

Mas entrei para conferir (lembro que, quando vim em agosto, estava cheio, mas não tanto)...


Não parece um forte como outro qualquer?

Olha eu aí na Torre de Belém!



Este é o Centro Cultural Belém (CCB) visto do Padrão.

Esta é dentro do CCB

Museu dos Jerónimos, que ficou para uma outra expedição, visto do CCB.
Dá para perceber a grandiosidade da construção? Como está sempre ventando por aquelas bandas, dá até tonteira olhar para cima. Imagina lá em cima? Deuses! Será que tenho coragem? Qualquer dia eu tento.

sábado, 18 de outubro de 2008

42 - Paisagens, azulejos e pães quentinhos

Lisboa, 18 de outubro de 2008.

Faltou dizer que fui de trem para Évora e que a paisagem do Alentejo é bem diferente da que vi quando fui para o norte do país. Para começar, finalmente vi o Aqueduto (tipo os nossos Arcos da Lapa, só que mais monumental; acho inclusive que foram construídos na mesma época, no século XVIII), o trem passa sob um dos arcos. Logo em seguida, ele passa na Ponte 25 de Abril, bem devagar, o que me permitiu vislumbrar a cidade se afastando aos poucos. Como estava numa janela do lado direito, vi a foz do Tejo, lá onde ele se encontra com o Atlântico. Lá onde está Belém e sua Torre, o Padrão dos Descobrimentos e toda aquela área grandiosa, que me emocionou muito quando vi pela primeira vez, logo nos primeiros dias por aqui (amanhã, se não chover, pretendo voltar lá e ver a Torre de perto). Depois de parar duas ou três vezes, finalmente o trem pega o embalo e aí fomos mais para o interior, onde, na paisagem rural, destacam-se os pastos, coisa que ainda não tinha visto. Grandes áreas de pastagem, com vacas, ovelhas, carneiros e assemelhados. Claro que vi também algumas zonas vinheteiras, afinal, o Alentejo produz vinho (e devo dizer que tem sido o meu preferido por aqui, especialmente o tal do Reguengos), mas o que me chamou a atenção foram os bichos no pasto, porque não tinha visto no caminho para o norte. Ah! Antes de voltar para Lisboa, fui a outro vegetariano em Évora, o Salsa Verde, que é na área do hotel. Muito boa comida, self-service a peso e ambiente moderninho, tipo o MegaVega. À noite, já em Lisboa, na residência, quando desci para comer, encontrei a Teresa, que tinha ido de férias no início do mês para a sua casa, em Braga, e só voltou por esses dias. Botamos o papo em dia, falei para ela do curso de história da ciência em Évora e, quando eu disse que fui ao Hot Clube, ela disse que queria ir também, pois adora jazz. Combinamos de ir na semana que vem. Muito giro! Hoje de manhã fui dar a minha caminhada no Parque e fazer meus exercícios. Voltei, organizei as minhas coisas, comi e, quando estava com o pé na porta para ir ao Museu do Azulejo, começou a chover. Voltei, deitei um pouco para fazer uma horinha e acabei cochilando. Acordei logo depois com uma porta batendo aqui no corredor (aliás, por que será que chineses e russos batem tanto as portas? pelo menos esses daqui fazem sinfonia). Foi até bom porque a chuva já tinha parado e eu aproveitei o ensejo para sair. Como estou ficando esperta, hoje me lembrei de apresentar a carteirinha de estudante. Qual não foi a minha surpresa quando descobri que, mais do que desconto, eu teria a entrada livre. Maravilha! Nada como ser uma quarentona estudante. hehe :-) O museu é muito simpático, apesar de ficar num antigo convento. Ele tem uma pequena área muito interessante que mostra as técnicas e a azulejaria arcaicas, seguindo depois, cronologicamente, com os vários estilos dessa herança muçulmana que se tornou uma das marcas de Portugal (aliás, em Évora, há peças incríveis, especialmente na universidade). A parte chata é a arte sacra (talvez seja pura ignorância minha, mas é muito chato ficar vendo aqueles desfiles de santos e imagens sagradas, o pobre coitado do moço sofrendo na cruz ou fora dela de todos os jeitos e em todas as formas de arte), que realmente ocupa um espaço considerável do museu, mas, para mim, os destaques são, além dos azulejos mouros com seus padrões geométricos, as mais profanas azulejarias moderna e contemporânea e o panorama de Lisboa no início do século XVIII, ou seja, antes do terremoto de 1755. Ao sair, ainda tomei um café com pastel de nata no café-restaurante do museu, que vale a pena conhecer, pois lá também há azulejos temáticos, com desenhos de bichos, vegetais, alimentos e paisagens campesinas, sem falar o belo jardim de inverno (pena que estava molhado da chuva). Na porta do museu, peguei o primeiro busum que passou, que desceu a Rua da Madre de Deus, passou na Estação Santa Apolônia e, quando eu vi, estava saltando no Paço, bem no arco da Augusta. Desci a Rua Augusta vendo as gentes e as modas até o Rossio, onde entrei no meu 36 que me conduziu sã e salva de volta à Residência. Ainda passei na padaria/pastelaria aqui da rua, cujo dono é brasileiro, e comprei um pão quentinho. O curioso é que, no Rio, as padarias que freqüento são de portugueses, e aqui, quando quero um pão quentinho, vou numa padaria de brasileiro...
Olha eu aí com o panorama de Lisboa atrás (isso é só para dar uma idéia do tamanho do painel, que não coube todo na foto, 23m de comprimento).

Esta é uma réplica do painel de Paolo Ferreira, feito para a Exposição Internacional de Paris de 1937: Lisbonne aux mille couleurs. Lindo, lindo, lindo!

Três placas didáticas da segunda metade do século XVIII.


Mais um pouco da azulejaria contemporânea (que mistura um tanto de velho e de novo).


Fachada lateral do museu e suas torres

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

41 - Mais fotos de Évora

Esta é a Praça do Giraldo, o ponto central da cidade histórica.


Mercado Municipal


Mercado Municipal por dentro: todo moderninho e arrumadinho.


Esta é uma exposição de Física que vi no Palácio Dom Manuel...

Ela se baseou nesta obra do Rómulo de Carvalho, que é um dos grandes nomes da história da ciência em Portugal. Nesse livro, ele apresenta de maneira simples 70 e tantas experiências, que foram devidamente preparadas para o público nessa exposição. Muito giro, pois dava para mexer em tudo e fazer as próprias experiências descritas no livro.

Olha de novo o trote (dá para ver os coitados dos calouros de joelhos), só que agora no Templo...

Esta é a Igreja de São Francisco (que abriga a tal Capela dos Ossos) da varanda do Palácio Dom Manuel. Nesse mesmo largo fica o Mercado Municipal.

Só para ver como é tudo branco e amarelo por aqui, até o Ibis (onde fiquei), que é um hotel funcional super padronizado em qualquer canto que se vá, aqui tem essa forma de castelo e é branco e amarelo.


Só agora reparei nas torres da Sé. Essa da esquerda, além do formato meio mourisco, é de um azul incrível, que me chamou a atenção.

Essa é a Praça de Touros, em frente ao Hotel, que eu pensei que fosse alguma coisa medieval...

Mais uma da Praça do Giraldo, com destaque para os arcos, que também se encontram em outras partes da cidade.

Esta é a Porta Nova. Imagina a velha...

Este é o cardápio (por aqui eles dizem ementa) do restaurante típico que eu acabei não indo, preferi ir neste aí embaixo...

Jardim do Chá, restaurante vegetariano atrás da Sé.

Esta é a frase na entrada da Capela dos Ossos: "Nós ossos que aqui estamos pelos vossos esperamos"... Sinistro!

Olha a viajante aí rendendo suas homenagens à deusa...






quinta-feira, 16 de outubro de 2008

40 - Entre Fitas e ossos...

Évora, 16 de outubro de 2008.
Acordei cedo e saí por um lado diferente do que andei ontem. Passei em frente à Praça de Touros e tomei café no Parque Municipal, ambos bem pertinho daqui. Passei no campus da UE onde se encontra o Fitas, um professor de história da ciência que também conheci no Rio, junto com o Ricardo e o Carolino. Infelizmente ele não estava, mas deixei um bilhete com o número do meu telemóvel (não sei se falei, mas tenho um telemóvel por aqui, pois acabou sendo imprescindível). Saí de lá e entrei no Mercado Municipal, que é super gracinha, todo organizadinho e limpo, num casario antigo, mas todo modernizado. Aliás, a Praça de Touros também. Pensei que era alguma coisa rústica, medieval, mas parece mesmo uma dessas arenas modernosas, onde rolam eventos de todos os tipos. Como estava no Largo de São Francisco, aproveitei para conhecer a famosa Capela de Ossos (feita de ossos mesmo), cuja divisa é: "Nós ossos que aqui estamos pelos vossos esperamos". Sinistro! Parece que foi construída para servir como local de meditação sobre a impermanência... Fala sério! Há formas menos soturnas de se fazer isso. Bem, saí pelas ruas de Évora, passei na Porta Nova, na taberna Quarta-feira (que me foi recomendada, mas preferi meu vegetariano) e fui para a biblioteca da UE. O trabalho lá foi decepcionante. Depois de uma pesquisa bibliográfica detalhada, descobri que a biblioteca da universidade não tem nada que me interesse. Saí dali e fui almoçar no mesmo restaurante de ontem, que é realmente muito agradável. Resolvi não inventar moda. Quando estava almoçando, o Fitas ligou e combinamos às 14 horas. Beleza! Depois do almoço, ainda perambulei um pouco, passei novamente na Porta da Moura, no Templo de Diana (onde os calouros estavam sofrendo na mão dos veteranos; parece que o trote não acaba nunca, será que essa gente não tem o que fazer?), na Sé e na Praça do Giraldo. Cheguei ao departamento de física, onde fica o gabinete do Fitas, e agora o encontrei. A conversa com ele foi ótima, o coroa é muito gente boa, um ótimo contador de histórias, ele sabe muito de história da ciência, já foi diretor da biblioteca da universidade, então me contou todas as peripécias das bibliotecas portuguesas. Agora entendi por que não encontrei nada na universidade. Todo o acervo da antiga universidade foi transferido para Coimbra no século XVIII, quando a universidade fechou as portas e só reabriu recentemente, na década de 70. Ou seja, em Évora, o grande acervo de livros antigos está mesmo na Biblioteca Pública, onde eu estive ontem... Bem, fora isso, fiquei sabendo de um curso livre de história da ciência que começaria hoje, sendo a aula de abertura, sobre a história da ciência em Portugal, ministrada por ele. Ou seja, um luxo só! Acabei de voltar da palestra, que foi muito boa, ele se ateve bastante ao período que estou estudando, então até acabei fazendo duas perguntas no final (bizarro! no meio da portuguesada toda, só quem levantou para perguntar foi a brasileira aqui...) e ganhei a promessa dele de me manter informada caso se lembre de ou descubra mais alguma coisa sobre a tradução científica em Portugal. Fico devendo mais fotos, fica para amanhã.

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

39 - Ebora Liberalitas Iulia

Évora, 15 de outubro de 2008.

Ontem cheguei nesta bela cidade do Alentejo, patrimônio cultural da humanidade, onde se encontra uma das mais antigas universidades do país, com sua rica biblioteca quinhentista. Além da Biblioteca da Universidade de Évora, há aqui também uma Biblioteca Pública recheada, onde me enfurnei hoje em busca dos textos antigos de astrologia. Achei muita coisa interessante, menos o meu querido Ptolomeu. Revirei os catálogos, examinei vários textos e acabei pedindo a cópia de alguns, que volto na sexta para pegar. Aqui também não pude fotografar, o que facilitaria deveras, sem falar que sairia mais barato... Mas nem tudo é perfeito. Perfeito mesmo foi ter encontrado um restaurante vegetariano praticamente ao lado da biblioteca. E esse restaurante é muito parecido com a Chácara, do Jan, com seu atendimento zen e mesinhas num quintal arborizado. Comi embaixo de um limoeiro (arroz integral, lentilhas, legumes no alho-poró e salada, de entrada uma sopa e, para arrematar, uma sobremesa de laranja, tudo muito bom, simples e honesto), mas lá havia também outras árvores frutíferas. A Biblioteca Pública fica no Largo Conde Vila Flor, onde também se encontram as ruínas do templo de Diana, do século I. Isto mesmo! Évora foi fundada pelos romanos, chamava-se Ebora Liberalitas Iulia. Parece que há também outros sinais deles por aqui, mas eu ainda não os vi, como as Termas Romanas, que foram descobertas em 1987, no meio de uma obra na Câmara Municipal... Fora isso, Évora é uma cidade medieval, pelo menos a sua parte histórica, que se encontra toda no interior da muralha, com suas vielas labirínticas e calçamento de pedra. Lembrou-me muito Coimbra, principalmente por ser também uma cidade universitária, ou seja, todos os caminhos levam à universidade, e também, evidentemente, à Catedral. Só que menos íngreme. Sobe-se também, mas não tanto quanto em Coimbra. Outra coisa que chama a atenção é que praticamente toda a cidade é branca e amarela.
Templo de Diana

Este é um cartaz do partido comunista, que já vi também em Lisboa. Parece que o bicho aqui tá pegando, todo mundo fala em crise, problemas econômicos etc. Muita gente ainda faz as contas em escudos (há 7 anos que o euro é a moeda oficial)...

Os trotes por aqui seguem o mesmo estilo dos de Lisboa. Lá vão os veteranos com suas capas, fazendo os calouros de gato e sapato... No fundo, a Sé (eles estão num lugar chamado Largo da Porta de Moura).

Pátio da Universidade de Évora


Casario branco e amarelo

Ontem foi dia de lua cheia...


Muralha coberta, dando um clima outonal
Mais um trecho da Muralha


Trecho da Muralha em frente ao hotel