Antero de Quental (1842-1891) retratado por Almada Negreiros (1943)
- Tendências gerais da filosofia na segunda metade do século XIX (1890): uma história crítica da filosofia e da ciência, na qual Antero apelida o panorama cultural português de "caverna do esquecimento";
- Causas da decadência dos povos peninsulares (1871): discurso proferido nas conferências democráticas que identifica três grandes causas da decadência no âmbito do pensamento, da política e do trabalho, respectivamente, o catolicismo trentino, o absolutismo e as conquistas longínquas;
- O que é a Internacional (1871): texto didático-panfletário que contém as seguintes seções: "O socialismo contemporâneo", "O programa da Internacional" e "Organização da Internacional";
- Bom senso e bom gosto (1865): controvérsia com várias pessoas em textos diversos sobre a escola literária de Coimbra, que se desdobra numa reflexão mais ampla sobre a questão literária;
- A indiferença em política (1862): texto sobre a liberdade e contra a reação e os reacionários;
- Sobre traduções (1860): belo texto que fala da impossibilidade da tradução, dando exemplos e refletindo sobre o problema.
Uma das várias gratas surpresas que tive em Lisboa com a minha pesquisa foi descobrir que o Antero de Quental - autor do qual, confesso, nunca havia lido nada - se inscreve na história da recepção de Darwin em Portugal. Isso me foi revelado logo nas primeiras leituras que fiz na BNP, já mencionadas aqui. Boa desculpa para explorar a obra desse moço que, além de poesia, produziu muita prosa. E mais, seu esforço foi sempre no sentido de conciliar metafísica e ciência. Segundo Ana Leonor Pereira (2001, p. 17): "Se o poeta filósofo não é toda a filosofia portuguesa, entre 1865 e 1914, a verdade é que ele foi o único que lutou pela salvação filosófica da ciência, em particular, da teoria científica da evolução."
Então mãos à obra. Quando terminei tudo o que tinha planejado fazer, resolvi conhecer um pouco mais sobre esse poeta, tradutor, filósofo e revolucionário, que flertava com o liberalismo e o positivismo, era evolucionista, e viveu uma vida intensa, produtiva e atormentada até se matar aos 49 anos de idade. Acho que isso ainda dá muito pano para manga, mas vejam só alguns títulos (com ortografia atualizada) que me chamaram a atenção e sobre os quais me debrucei:
- A filosofia da natureza dos naturalistas (1894): neste texto fica claro que, para Antero, evolução é sinônimo de progresso e implica uma finalidade, mas me parece estar longe de ser uma simplificação à la Spencer, merece um aprofundamento maior; clique aqui para ver o PDF na BNP;
- Tendências gerais da filosofia na segunda metade do século XIX (1890): uma história crítica da filosofia e da ciência, na qual Antero apelida o panorama cultural português de "caverna do esquecimento";
- Causas da decadência dos povos peninsulares (1871): discurso proferido nas conferências democráticas que identifica três grandes causas da decadência no âmbito do pensamento, da política e do trabalho, respectivamente, o catolicismo trentino, o absolutismo e as conquistas longínquas;
- O que é a Internacional (1871): texto didático-panfletário que contém as seguintes seções: "O socialismo contemporâneo", "O programa da Internacional" e "Organização da Internacional";
- Bom senso e bom gosto (1865): controvérsia com várias pessoas em textos diversos sobre a escola literária de Coimbra, que se desdobra numa reflexão mais ampla sobre a questão literária;
- A indiferença em política (1862): texto sobre a liberdade e contra a reação e os reacionários;
- Sobre traduções (1860): belo texto que fala da impossibilidade da tradução, dando exemplos e refletindo sobre o problema.
Antero de Quental pintado por Columbano Bordalo Pinheiro em 1889
Há uma coletânea da obra filosófica de Antero de Quental, organizada por Joel Serrão e publicada em 1989. São 10 textos escritos de 1860 a 1890, alguns já citados acima:
1. Na sentida morte do meu condiscípulo e amigo Martinho José Raposo;
2. A bíblia da humanidade de Michelet;
3. O sentimento da imortalidade;
4. Arte e verdade - I. Caráter positivo da arte;
5. Espontaneidade;
6. O futuro da música;
7. Programa para os trabalhos da geração nova (1871-1875);
8. Ensaio sobre as bases filosóficas da moral ou da filosofia da liberdade;
9. A filosofia da natureza dos naturalistas;
10. Tendências gerais da filosofia na segunda metade do século XIX.
Alguns comentadores que li ou dei uma passada d´olhos:
CATROGA, Fernando. A ideia de evolução em Antero de Quental. Separata de Biblos, 56, Coimbra, p. 357-388; homenagem a Joaquim de Carvalho, 1981.
COIMBRA, Leonardo. O pensamento filosófico de Antero de Quental. Lisboa: Guimarães Editores, 1991 [1921].
FERNANDES, José Manuel Guerreiro. A ideia de natureza em Antero de Quental. Dissertação de Mestrado em Filosofia da Natureza e do Ambiente. Faculdade de Letras, Universidade de Lisboa, 2004.
COIMBRA, Leonardo. O pensamento filosófico de Antero de Quental. Lisboa: Guimarães Editores, 1991 [1921].
FERNANDES, José Manuel Guerreiro. A ideia de natureza em Antero de Quental. Dissertação de Mestrado em Filosofia da Natureza e do Ambiente. Faculdade de Letras, Universidade de Lisboa, 2004.
TAVARES, Manuel; FERRO, Mário. O pensamento de Antero de Quental. Lisboa: Editorial Presença, 1995.


























