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quinta-feira, 22 de setembro de 2022

Aula de história da tradução científica

Ontem dei uma aula remota na disciplina de História da Tradução que a minha ex-orientadora, a gloriosa professora Marcia Martins, ministra no curso de mestrado e doutorado em Estudos da Tradução da PUC-Rio. Foi giro retornar ao material da minha tese estando aqui em Lisboa. Veja a capa dos slides e, se quiser ver o resto, clique aqui ou na imagem:



sábado, 17 de setembro de 2022

Baldaya, o astrólogo do Pessoa

 

As astrólogas na porta da casa onde nasceu o astrólogo do Pessoa

Ainda vou terminar o tour completo das casas do Pessoa em Lisboa, mas, por ora, fica aqui o registro da casa na Rua Dona Estefânia 127, rés-do-chão, onde Fernando Pessoa, em dezembro de 1914, deu à luz um heterônimo, Raphael Baldaya, que, segundo o seu mais recente biógrafo, é "astrólogo e estudioso do ocultismo" (Zenith, 2022, p. 1061).



Na biografia, a gente fica sabendo também que o Baldaya tinha uma barba comprida e era fluente em inglês e português. "Pessoa concebeu depois a ideia (nunca realizada) de vender horóscopos de Baldaya pelo correio." (p. 17). Além disso, foi a esse heterônimo que o Pessoa atribuiu a sua pesquisa sobre o profeta Bandarra (versão portuguesa de Nostradamus), que, lá pelas tantas, prenunciou o regresso místico de D. Sebastião: "somos levados a concluir que o rei D. Sebastião já tinha regressado na figura de Fernando Pessoa" (p. 735). Deuses!

E, na esquina, bem no Largo de Dona Estefânia, olha quem estava lá em todo o seu esplendor aquático:

Belíssima escultura de Netuno em mármore carrara feita por Machado de Castro (século XVIII)

Tintim com este maravilhoso exemplar de moscatel galego branco que ganhei da Angélica:




terça-feira, 13 de setembro de 2022

Aniversário com Pessoa(s)

 

Mais uma para o meu acervo!

Hoje, como dizem os espanhóis, cumpri 55 anos! Não tinha planejado nada, mas acabei comemorando num restaurante indiano - Ghandi Palace - na Baixa de Lisboa com Luís e Angélica. Foi giro o nosso encontro astrológico! Temos nos falado frequentemente, o Luís participou das nossas atividades remotas da Academia Celeste nos dois últimos anos, e nós também temos conseguido acompanhar boa parte da atividade dele por aqui, inclusive a sua defesa de doutorado no ano passado. Alguma coisa boa a pandemia trouxe!

Comemos e bebemos muito bem e batemos um papo maravilhoso regado a vinho verde. 

Depois saímos andando por aquelas ruas desde a Baixa até a Sé, a Casa dos Bicos, o Paço, novamente Baixa, Chiado, Rossio, Figueira e Martim Moniz, sempre falando de Lisboa, histórias, astrologia, arte, livros, parando para ver um pormenor aqui e outro ali, entrando em igrejas, pastelarias e livrarias...

Livraria Sá da Costa, já muito frequentada em outros carnavais


Fachada manuelina do que sobrou da Igreja de Nossa Senhora da Misericórdia (Rua da Alfândega), destruída no terremoto. Ela foi construída sobre uma antiga sinagoga.

Trecho da muralha no Martim Moniz


Onde o trecho se encontrava na muralha


Muito giros esses painéis que espalharam pela cidade dando as informações históricas. Aqui se encontra o esquema da muralha e os dados sobre esse trecho, que foi apelidado de "torre do jogo da pela"


O Luís é muito querido, generoso e divertido. Desde quando nos conhecemos em 2008, o que foi devidamente registrado aqui no blog (bem como todos os encontros seguintes com ele e com a Helena), sabemos que temos muita coisa em comum no nosso olhar para a astrologia, a história da astrologia, da ciência e da cultura em geral, e também para as questões em relação à comunidade astrológica. Não falamos da Helena, mas ela estava presente o tempo todo...  


segunda-feira, 12 de setembro de 2022

Academia Celeste e as águas de Lisboa


Angélica vai passar uma temporada em Lisboa fazendo seu estágio doutoral sobre astrologia e medicina em Portugal nos séculos XVI-XVII e deu tempo de a gente se ver, oba! Ontem, a representação feminina da Academia Celeste almoçou no Hong Kong, restaurante chinês que mencionei aqui na semana retrasada, e hoje rolou um café com pastel de nata na Padaria Portuguesa. Maravilha a gente se ver depois de tanto tempo pandêmico-pandemônico, botar o papo em dia e conviver nessa terrinha de sonhos que inspirou tanto a minha tese, e agora inspira a dela.

Depois de meses sem chuva por essas terras, hoje finalmente as águas deram o ar de sua graça, aliviando os ares quentes e secos que estavam rolando por aqui. Bom para lavar a alma, bom para comemorar o meu aniversário amanhã... Águas que me têm acompanhado nas revoluções solares dos últimos anos e me dado uma lição sobre o inconsciente... Águas que me trouxeram de volta uma reflexão sobre Netuno, tão abandonado junto com Urano e Plutão, por conta da minha leitura ptolomaica da astrologia... Mas, como diz Paulinho da Viola: "Não sou eu quem me navega, quem me navega é o mar", ou seja, de Netuno não se foge... Águas que me têm inspirado para além das palavras, trazendo outras expressões em cores e na forma de mandalas:

 
Esta é a interpretação estilizada da minha revolução solar de 2022, que é um retrato do céu quando, em breve, às 3:42 (horário de Lisboa), o Sol estiver a 20 graus de Virgem, que era onde ele estava quando eu nasci há 55 anos em São Paulo. Em vez daquela predominância de água, que tanto me ensinou nos últimos anos, prevalece agora um tom mais familiar de fogo (Ascendente Leão e Lua em Áries), ainda que Netuno siga piscianamente se opondo ao meu Sol... "Não sou eu quem me navega, quem me navega é o mar"... 



Depois disso só um alentejano: tintim!



domingo, 28 de maio de 2017

189 - Tradução dos três primeiros capítulos do Tetrabiblos


Clique aqui para ver a tradução dos três primeiros capítulos do Tetrabiblos (tem uma versão comentada e uma sem comentários). Essa publicação tão esperada é fruto de um trabalho de 10 anos que fiz com o Marcus e do qual nos orgulhamos deveras. Parabéns para a gente!!! Em breve esse material sairá em livro, junto com os estudos que fizemos sobre a obra de Ptolomeu e as cosmologias antigas. Vale lembrar que, por incrível que pareça, este é o primeiro texto de Ptolomeu traduzido direto do grego para o português.

terça-feira, 16 de maio de 2017

179 - Machado na casa do Pessoa

Depois de uma maratona de cinema independente do IndieLisboa, que terminou no domingo (vi o francês Femmes, Femmes, do homenageado Paul Vecchiali - que estava presente! -; o português Amor, Amor, de Jorge Cramez; e o belíssimo documentário norueguês/dinamarquês Venus, de Lea Glob e Mette Albrechtesen, que fala abertamente sobre a sexualidade feminina por meio dos depoimentos de várias mulheres), trabalhei um bocado na segunda e acabei dando aula com o Ricardo na turma dele de mestrado em história da ciência. Foi giro! Darwin está rendendo deveras por aqui.

A cereja do bolo, no entanto, foi a jornada Machado de Assis e a ideia de ficção, que ocorreu na Casa Fernando Pessoa, da qual acabei de chegar. Já estive lá em 2009, mas o espaço estava fechado, como se pode ver aqui. Também já tinha ido a um evento sobre Machado na Calouste Gulbenkian em 2008, devidamente registrado aqui. Veja a foto que a Dani tirou de mim hoje no hall de entrada, ao pé do mapa astrológico do moço:


Legal o mapa estampado logo na entrada da casa, né? Vejam abaixo com mais detalhes:


O evento foi durante a tarde toda, mas só vi a primeira mesa, que foi bem gira. Falaram a Estela Vieira, o Amândio Reis e a Clara Rowland, respectivamente sobre "Leitoras e interlocutoras de Machado de Assis", "Tomar à letra em dois contos de Machado de Assis" e "Autor perdulário, ideia parricida: reconhecimento e autoria em Machado de Assis". Claro que é sempre bom ouvir sobre livros, contos e personagens criados pelo bruxo do Cosme Velho, mas gostei sobretudo da última comunicação, que, além de ter sido assaz criativa (aproximou o conto "Anel de Polícrates" do filme Design for living do Lubitsch), tratou de questões que andei estudando recentemente para escrever o meu artigo sobre autoria científica.

Para fechar, trechos de dois filmes que vi no IndieLisboa, Femmes, Femmes (Vecchiali, 1974) e Venus (Glob e Albrechtesen, 2016):





quinta-feira, 13 de abril de 2017

164 - Biblioteca da Ajuda



Quarta-feira foi dia de conhecer a região da Ajuda, especialmente o Palácio Nacional (ao fundo, bem acima da minha cabeça) e a sua deslumbrante biblioteca, e também o Jardim Botânico (de onde tirei essa foto). Agora sem mim:

Que céu!!!

Esse bairro fica numa colina lisboeta que se encontra acima de Belém, lugar já velho conhecido de outros carnavais (quem quiser se lembrar, clique aqui, aqui e aqui), onde, além da famosa Pastelaria de Belém, encontram-se o Padrão dos Descobrimentos, o Mosteiro dos Jerônimos, a Torre de Belém e o Centro Cultural Belém. Vejam o Palácio, agora mais de perto:


E agora euzinha na entrada:


Ou na versão "onde está wally?", mas com um visual maior da fachada do palácio:


E agora os seus fundos, curiosamente inacabados:


Os fundos inacabados do palácio vistos de fora:

Com direito a ver o bonde (aqui se diz elétrico)! 
Quem quiser conhecer a interessante história desse palácio, clique aqui.

O giro foi que contei com um guia ilustre, Luís Ribeiro, que, como disse outro dia no post sobre o reencontro astrológico, faz parte da representação acadêmica celeste deste lado do Atlântico (Helena já voltou para Londres). Além de ciceronear esta turista pesquisadora que aqui vos fala, ele foi lá fotografar uns manuscritos astrológicos que está estudando para o seu doutorado. Olhem a gente na entrada da biblioteca:


Agora vejam um pouco do que eu consegui registrar lá dentro (quem quiser saber mais sobre a Biblioteca da Ajuda, clique aqui):

 



Incrível, não?

Reparem a cara de felicidade da criança. Parece comigo há oito anos e tal quando botei a mão no manuscrito do Tetrabiblos na Biblioteca Nacional de España. Quem quiser relembrar o que escrevi sobre esse momento em 2008 no meio das minhas impressões sobre Madri, clique aqui.


Este manuscrito da Ajuda, que se chama Physionomia, de Rolando de Lisboa, já está digitalizado (clique aqui para baixá-lo) e trata de fisionomia e astrologia, como Helena e Luís já descreveram num artigo ainda inédito. Vejam só que linda capa:

Depois disso, falar o quê?

Só nos resta contemplar a vista do Tejo (180 graus em 3 fotos):

Aqui, com boa vontade, vê-se a foz desse rio que parece um mar...


Com esforço, dá para ver parte da ponte 25 de abril e o cristo-rei lá do outro lado...


sábado, 18 de março de 2017

144 - Reencontro astrológico em Lisboa e cinemateca

Ontem foi dia de rever os amigos celestes, Helena e Luís, que já foram devidamente apresentados neste blog aqui e aqui.


Almoçamos muito bem num simpático restaurante indiano que eles costumam frequentar no Saldanha - Passage to India:


Botamos o papo em dia: Helena está fazendo o seu terceiro ano de doutorado no Instituto Warburg em Londres, orientada por Charles Burnett, uma referência obrigatória nos estudos de Ptolomeu; e Luís acabou de começar seu doutorado em História da Ciência aqui na FCUL com orientação do Henrique Leitão, sobre quem já falei aqui e aqui. Atualizei-lhes sobre as minhas atividades, sobre os planos celestes para este ano e sobre o nosso livro (com o Marcus) no prelo com a tradução dos três primeiros capítulos do Tetrabiblos.


Helena vai no fim do mês para Londres, mas combinamos de nos rever em breve!



Depois do almoço fui à cinemateca, um dos meus programas favoritos em Lisboa. Está rolando uma mostra sobre um diretor que eu não conhecia: Ernst Lubitsch. Um dos filmes de sua fase americana é o Ninotchka, de 1939, uma comédia deliciosa com Greta Garbo fazendo o papel de uma russa em Paris num período pós-pacto de não agressão entre URSS e Alemanha. Parece que foi uma época de sátiras frequentes aos dois países, e as tiradas capitalistas e anticapitalistas são igualmente cômicas. Sem falar que é a primeira comédia de Garbo, que, até então, só havia feito papéis trágicos. 


Veja o trailer do filme:





domingo, 6 de janeiro de 2013

134 - Gente de astrología, cinema e literatura

A temporada portenha se encerrou com um contato astrológico. Não pude ir, mas o Edil foi lá nos representar junto à nossa colega argentina, a Silvia Ceres. Ela agradeceu deveras pelo exemplar do meu livro que lhe mandei e também nos passou um exemplar do seu, sobre Fernando Pessoa. Diante da felicidade de ambos os lados por renovar os laços e reencontrar nossos pares no tão conturbado meio astrológico, ficou a promessa de tentar um trabalho comum em breve. Todas essas emoções e informações eu acompanhei por telefone enquanto acompanhava a família nas últimas comprinhas e no almoço, que rolou no simpático Los inmortales da Paraná (há mais três ou quatro filiais):


Este é mais um motivo para voltar a essa cidade tão gira. Confiram o site editado pela Silvia: Gente de Astrología. Ela organiza todos os anos um congresso em BA, mas eu ainda não consegui ir. Quem sabe agora, né?

Outra coisa que não consegui fazer foi ver o novo filme do Darín in loco, mas fica registrada aí a intenção:


Também faltou adquirir um livro do Cortázar in loco, até porque não consegui fazer as devidas garimpagens nas livrarias e nos sebos da cidade (mais um motivo para voltar!), mas fui na divina livraria Guadalquivir (nome do rio que passa por Sevilha e Córdoba devidamente retratado e mencionado em posts anteriores deste blog), que é especializada em humanidades, e adquiri o meu primeiro Ernesto Sábato: El tunel. Já comecei a ler e estou adorando.

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

122 - Apresentação de trabalho em Coimbra

Apesar de algumas chatices inerentes a qualquer congresso, ao fim e ao cabo correu tudo bem. Além da emoção e do sentido de responsabilidade de estar na Universidade de Coimbra, que bem ou mal povoa o nosso imaginário tupiniquim, eu tive a felicidade de ser encaixada numa sessão sobre matemática e astronomia. Graças a isso, compartilhei esse momento com algumas figuras ilustres da minha vida, como o Luís Miguel Carolino, que apresentou seu trabalho na mesma sessão, e o Henrique Leitão, que foi o mediador da sessão (ou chair, como eles chamam em Portugal), ambos já devidamente mencionados aqui. Na plateia, meu prezado amigo e ex-orientador Antonio Augusto, que havia acabado de fazer uma belíssima palestra (ele foi orador convidado do congresso, bem como o Henrique, que finalmente foram apresentados um para o outro por essa que vos fala; afinal, era um absurdo eles não se conhecerem pessoalmente, tendo em vista seus interesses em comum), sua senhora Gabriela, que, coitada!, foi submetida a agruras terríveis já que história da ciência não é a sua área, e também a minha querida amiga Teresa. Evidentemente, além dos amigos, havia também as outras pessoas que apresentaram trabalhos na mesma sessão e mais meia dúzia de gatos pingados, como é peculiar. Mais detalhes sobre esses três dias, para além da apresentação, tentarei relatar no próximo post. Por ora, seguem os slides da minha primeira comunicação num congresso internacional, o Congresso Luso-Brasileiro de História das Ciências, realizado esta semana em Coimbra: