segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

129 - San Telmo com a tripulação completa

No sábado juntaram-se a nós os membros da tripulação que estavam faltando: Pedro e Julia. Depois da sua devida instalação, fomos explorar uma parrillada que fica aqui em frente ao apart (Marcelo T. de Alvear entre Paraná e Montevideo), Parrilla Di Carlo. Cara de boteco, atendimento de boteco, mas é normalmente nesses lugares só frequentados pelos locais que podemos obter as melhores experiências de uma viagem. E foi esse o caso, apesar de carne não ser exatamente o meu forte. Saímos de lá com cheiro de churrasco, mas alguns de nós tomaram a cerveja mais barata que vimos por enquanto (porque os preços aqui estão bem salgados) e fizemos uma boa refeição, a melhor carne provada até agora, segundo alguns membro da trupe. Julia e eu tomamos um bom malbec nacional a preço honestíssimo. Depois fomos dar uma volta na vizinhança, e voltamos à livraria El Ateneo e ao café Havanna. À noite comemos empanadas com cerveja num lugar dedicado a um bandoneonista de que nunca tinha ouvido falar, mas que nos foi apresentado pelo som ambiente: Anibal Troilo. As empanadas estavam deliciosas, a cerveja, cara, o atendimento, sofrível (outro fenômeno generalizado por aqui), mas o lugar é giro e a música também: La esquina de Anibal Troilo, no encontro entre as calles Paraguay e Paraná, também aqui do lado do apart. Pedro e eu ainda tentamos uma noitada de jazz. Fomos ver onde era o Jazz e Pop, recomendado pelo Edil (parece que é um clube de jazz mesmo, numa cave na Paraná quase logo depois da Corrientes), mas não entramos. Nosso destino era o Notorious (na Callao quase na esquina da Marcelo T. de Alvear), onde já tinha ido com a mamãe no primeiro dia por aqui e que no sábado oferece entrada grátis na jam session depois da meia-noite. Ficamos para a primeira música (um quarteto cujo trompetista-cantor fazia cover do Louis Armstrong) e fomos embora, porque já estávamos cansados. Foi legal porque caminhamos um pouco pela Corrientes - a rua que nunca dorme - onde há enormes teatros, milhares de livrarias (todas abertas àquela hora da noite) e muuuitos cafés, restaurantes, sorveterias. Finalmente vi o simpático café El gato negro, recomendadíssimo pela Fernanda. Acho que a mamãe ia gostar, vamos ver se consigo ir lá com ela.

Ontem fomos todos a San Telmo, debaixo de um sol de lascar. Apesar do programa de índio (a turistada estava toda lá), foi giro. Vejam só:

Esta é a entrada do Mercado de San Telmo pela calle Defensa. Esse mercado coberto existe desde o fim do século XIX. Aliás, San Telmo é o bairro mais antigo da cidade, com seus casarios seculares, ruas estreitas e clima de Santa Teresa, Lapa, Bairro Alto e afins. Há lá um mercado normal de frutas, legumes, verduras, queijos, carnes etc., cercado de lojas de antiguidades, roupas, livros, discos, lembrancinhas e todas as coisas que se pode imaginar por todos os lados. A calle Defensa, toda de paralelepípedo, fica fechada para pedestres aos domingos, então a malta vai toda lá. Paramos para comer no Mi Tío, na esquina com Carlos Calvo, porque o recomendado El desnível estava muito quente, o garçom não foi lá muito amigável e uns brasileiros que estavam lá nos disseram que a cerveja também estava quente. Mas eu ainda quero voltar lá para comer o tal do choripán (pão com chorizo, a nossa linguiça) que o Edil falou que é uma delícia.



Andamos mais um pouco até a feira de San Telmo propriamente dita, que fica na praça Dorrego, onde se encontram antiguidades, artesanatos e curiosidades de todos os tipos, mas o que nos fez parar foi o tangueiro com cara e chapéu de Deleuze que foi dançar com uma senhora ao som de dois músicos que já lá estavam tocando um belo som.



Isso foi na própria praça Dorrego, na esquina com Humberto Primo. Olhem que curioso o papagaio de pirata que saiu rindo no fundo!



Acima, os tangueiros de lata que se encontram na Pasaje de La Defensa, uma ex-mansão e ex-cortiço que virou um espaço alternativo de artistas, artesãos etc. Abaixo, mamãe e tia Leyla na entrada do local.


Sentamos numa sombrinha para descansar ao lado desta senhorinha que tocava suas latinhas discretamente, quando de repente ela nos surpreendeu soltando uma voz jazzeira maravilhosa. Ela tinha uma plaquinha interessante: show me the money.


Para finalizar, mais tango-jazz de esquina, com este pequeno grupo que tocou até Piazzola:


Repararam no cartaz ao fundo? Pois... Fomos lá conferir e olha eu aí de ET:


Já havíamos colocado as moças num taxi e andamos até a estação San Juan do subte. Observem a azulejaria moura acima de nós. Na ida, observamos algumas paisagens espanholas em outras estações também:



Um comentário:

Unknown disse...

Que delícia! Vivi novamente essas experiências.