quinta-feira, 1 de junho de 2017

190 - Jazz e cinema português para encerrar a temporada

Os verdes anos é um filme de Paulo Rocha (1963) que inaugura, junto com mais dois ou três outros, o cinema novo português. Tive a oportunidade de ver esse filme na Cinemateca Portuguesa nesta minha última semana em Lisboa. Belo filme que, entre outras coisas, nos brinda com uma Lisboa dos anos 1960 (muito giro foi ver a universidade, esse lugar onde estou e por onde ando todo dia, ainda no meio do mato, antes de ser incorporada propriamente à cidade) com uma música maravilhosa de Carlos Paredes. Vejam só os primeiros minutos do filme nos quais, além de viajarmos no tempo, ouvimos essa bela canção:


Nas cenas na universidade, os protagonistas deslizam pela reitoria e pelos dois prédios que existiam na época (os das faculdades de direito e de letras), onde justamente se encontram os desenhos do Almada Negreiros. Por isso esse filme entrou no ciclo sobre o Almada da cinemateca (acompanhando a exposição sobre a qual já falei aqui). Quando o filme estreou em Portugal, ele disse, entre outras coisas, o seguinte:
Aceito sempre convites que, como este, não se dirigem a competência minha. É pois sem competência que digo que a realização do Paulo Rocha "Verdes anos" me surpreende e que a aguardava.
Ainda nesse ciclo, vi também uma sessão com três curtas/médias: o documentário Almada Negreiros, vivo hoje, de António de Macedo (1969); Entrevista ao Zip Zip, de 1969; e SWK4, de Edgar Pêra (1993). Gostei mais dos dois primeiros, pois pude ver o próprio Almada falando, o que foi um presente. Figura bem-humorada, lúcida e que, apesar da perturbação natural do artista subversivo, irradia uma tranquilidade e uma sabedoria que aquecem o coração. O primeiro está inteiro lá no youtube:


Despedi-me do Hot Clube na jam session desta terça-feira, que foi muito gira. Mais um pouquinho do jazz que rola por lá para vocês:






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