domingo, 9 de outubro de 2011

105 - Sevilha num dia

Definitivamente não recomendo tão pouco tempo numa cidade tão grande e cheia de graça. Só deu mesmo para ficar no seu coração, que é o entorno da Praça do Triunfo (melhor nem pensar que triunfo é este), ou seja, os Reales Alcázares e a Catedral. Tive que escolher um dos dois para entrar, então, por motivos óbvios, escolhi os Reales Alcázares. Cheguei na Estação Santa Justa e fui andando até o centro histórico. A primeira coisa interessante que encontrei foi este resíduo de um aqueduto romano:


Depois me meti num labirinto de ruelas como as de Granada que, em algumas partes, eram igual a Évora, com casinhas brancas e amarelas:


Fui parar num parque que depois descobri serem os Jardins de Murilo e de Catalina de Ribeira, onde se encontra um monumento a Colón - o nosso Cristóvão Colombo (a parada no meio é uma caravela com o nome da rainha Isabel; o nome de Cólon está logo abaixo do leão):


Logo depois achei a antiga Fábrica Real de Tabaco - imortalizada na ópera Carmen -, o segundo maior edifício da Espanha (só fica atrás do El Escorial). Hoje é parte da Universidade de Sevilha e, na sua fachada, novamente encontrei Colombo e sua caravela:



Entrei para conferir e fiquei encantada. Andei pelos corredores, li os murais e senti um pouco do ambiente também, olhem só:


Segui meu caminho e tive a primeira visão de La Giralda, o símbolo de Sevilha, construído no século XII. Tem esse nome por causa do cata-vento no topo. Era o minarete da mesquita, agora é a torre do sino da maior igreja cristã do mundo: a Catedral de Sevilha.


Agora a catedral em toda a sua grandiosidade (e a malta estava toda lá):


Dei uma volta em torno dela e peguei outros ângulos:






Fui andar nos arredores, antes de explorar os Reales Alcázeres, e uma das coisas que me chamou a atenção foi o metrô de superfície que passa em algumas ruas de pedestres do centro histórico. Acho que o projeto para a Avenida Rio Branco (não sei a quantas anda isso) se baseou nessa simpática solução de transporte, olhem que maravilha:


E o moço das castanhas estava lá, como em Lisboa (pena que não dá para sentir o cheiro):


Mais uma rua de pedestres com o chafariz da Porta de Jerez ao fundo:


Agora o Guadalquivir, ou "grande rio" em árabe, com a Torre de Oro à direita, que hoje é um museu marítimo, mas na época (século XIII) servia para proteger a cidade. Reparem na sua forma mourisca com doze lados. Dizem que há outra com oito lados, a Torre de Prata, mas esta eu não vi.



Agora os Reales Alcázeres, que são um complexo construído a partir do século X pelo emir Abd el-Rahman, mas com aportes de vários outros califas que se seguiram, e também dos reis cristãos (que tomaram Sevilha no século XIII). Desde a entrada, temos o seguinte:


Aqui é a Puerta del León:



Desse pátio acima, por onde se entram nos vários espaços palacianos, além dessa belíssima fachada temos a seguinte vista ao virar de costas:


Perambulando no interior do complexo palaciano e nos seus jardins, vi o seguinte:








Olha eu aí no Patio de las Doncellas:



Mais algumas:




 Que porta!!!

Este palácio gótico-renascentista foi construído no século XIII pelo D. Afonso X, o Sábio, tão mencionado na minha tese:


Mais alguns pormenores:







Isso é um pouco do que eu vi em Sevilha. Fui embora cansada, sabendo que precisava de muito mais tempo para realmente conhecer a cidade, mas satisfeita por ter tido essa oportunidade. Olha a cara de alegria da criança no trem de volta para Granada:







sexta-feira, 7 de outubro de 2011

104 - Da Catedral às tapas

Hoje fui conhecer a Catedral de Granada e a Capela Real por dentro. Como não se pode fotografar, vocês vão ter que acreditar em mim (também comprei alguns postais, caso queiram conferir). Devo dizer, como já me sugeriu minha amiga Juliana quando resolvi entrar na Catedral de Salamanca há três anos, que deu vontade de cuspir na porta. Aos mais sensíveis, lamento profundamente a imagem, mas é verdade. Além de grandiosa e sinistra como a catedral salmantina (apesar de ser muito mais clara e cheia de ouro numa mistura de gótico, barroco e renascimento), tem um tal de El Matamoros logo na entrada, que é uma estátua equestre. Para piorar, na lojinha da saída vendem-se até pequenos bonecos de inquisidores. Fala sério! A Capela Real, onde estão os túmulos dos Reis Católicos e de seus filhos, que também é uma coisa sinistra e mórbida, só pode inspirar a sensação de que "graças aos deuses eles já passaram desta para melhor". Tudo bem que tem um museu com peças consideráveis, mas sinceramente fico cansada de ver tanta imagem cristã, aquele moço na cruz e tudo o mais. Saí dali com a sensação de que precisava de umas cañas, mas ainda tinha uma aula de cultura, justamente sobre a noite granadina. Acabou sendo ótimo porque a Aída, que é uma das minhas professoras de língua (mais uma espanhola louca que é muito gente boa), nos convidou para umas tapas e cañas num bar super simpático com imagens de séries dos anos 70 e 80, El Rincón de Michael Landon. Nesta foto, além da própria Aída, está o menino Hugo, um suíço que trabalha na construção civil com um monte de portugueses. Aliás, a Aída viveu um ano em Lisboa dando aulas de espanhol, mas se formou em português e espanhol na Universidade de Granada. É muito engraçado quando ela fala português com sotaque lisboeta.


Antes de enveredar pelo mundo crisão, voltei ao Albaicin, especificamente nas ruas tipicamente marroquinas, com suas lojas, casas de chá, cores, aromas e falares típicos:

 

Acabei achando também uns novos ângulos da Alhambra e mais algumas preciosidades mouras, olhem só:
















Para finalizar, algumas curiosidades:








É isso aí, amanhã vou para Sevilha.


quinta-feira, 6 de outubro de 2011

103 - Alcaiceria, madraza e piononos

Hoje foi um dia light, só fui à aula de manhã (aliás, o curso está sendo bem legal, a turma é pequena, as professoras são uns doces e o pessoal é giro), à tarde fiz a siesta e lá pelas cinco e meia saí para andar por aí. Fui também à estação marcar o meu assento no trem para Sevilha, vou no sábado de manhã. Aproveitei para registrar algumas coisas que tenho encontrado pelo caminho e que me encantam, como esta loja maravilhosa de especiarias, chás, cremes, sabonetes etc. Reparem na armadura na entrada:





Agora a madraza, a universidade islâmica fundada pelo nazari Yusuf I em 1349, que ainda mantém o mihrab (oratório). Esse edifício também foi a primeira sede da cidade no século XVI, da qual também conserva alguns elementos, mas no século XVIII foi refeito e ganhou sua aparência barroca:




 


O contraste: acima o mihrab da madraza do século XIII e abaixo a porta da antiga sede da cidade do século XVII, com a representação de São Cecílio e São Gregório, seus patronos.

Agora a Alcaiceria, um amontoado de antigas ruas comerciais coloridíssimas. Sua entrada principal fica exatamente em frente ao Corral de Carbón já mostrado aqui. Nos tempos dos mouros, a Alcaiceria era o mercado da seda, agora é uma grande feira de artesanato, tudo recentemente renovado, como se pode ver:




E para finalizar o tour de hoje, a Catedral de Granada, um dos grandes símbolos do triunfo dos Reis Católicos e o templo de maior destaque do Renascimento espanhol. Dizem que esta fachada com três arcos era a preferida dos imperadores romanos. Dizem também que seu interior é um dos feitos mais espetaculares da época  (ainda a conferir).


Aqui embaixo também se vê, à esquerda, a torre solitária da Catedral. Normalmente são duas, mas aqui só há uma, sendo várias as versões para isso. Uma delas é que foi para evitar uma desgraça em caso de terremotos, outra é que foi porque, com a saída de judeus e muçulmanos da cidade, acabou o dinheiro.


A torre solitária de uma praça vizinha:


E para finalizar mesmo, os piononos de hoje: