quinta-feira, 16 de março de 2017

142 - Fama d´Alfama


Ontem foi dia de jantar com os amigos - Teresa e Carolino - ambos historiadores da ciência que conheci separadamente, e que me são muito caros. O Carolino fez uma tese de doutorado sobre a astrologia em Portugal, e eu tive a oportunidade de conhecê-lo junto com o Ricardo e o Fitas num evento de história da ciência no Rio em 2003. E a Teresa eu conheci na Residência Paz em 2008, quando vim a Portugal pela primeira vez. Coincidentemente, eles acabaram trabalhando juntos no Museu de Ciência e ficaram amigos. Hoje ela segue no pós-doc vinculada ao CIUHCT, e ele é professor no ISCTE-IUL. Os dois já bateram ponto aqui no blog, como se pode ver aqui, aqui, aqui e aqui.

Agora as fotos de ontem:


Cheguei na casa da Teresa

Depois chegou o Carolino

Muito papo para botar em dia, agora já na Charcutaria Fama d´Alfama, que recomendo deveras. Deliciosos petiscos (bacalhau salteado com pimentos, salada de polvo,  migas de couve e farinheira, legumes salteados) regados a um tinto da casa num ambiente acolhedor e companhia nota 10.

A charcutaria fica na Rua das Escolas Gerais 52, mas, antes de irmos para o restaurante, andamos pelas redondezas, por aquelas vielas de altos e baixos tipicamente lisboetas. Aí eu tive a oportunidade de desfrutar de uma paisagem que ainda não conhecia: o Castelo de São Jorge iluminadíssimo à noite e visto do Miradouro da Graça, área que foi recentemente reformada e devolvida à cidade, que agradece sorridente. De quebra, éramos observados pela constelação de Órion (onde se encontram as famosas Três Marias), e sua resplandecente vermelha Betelgeuse. Não pude me furtar de lembrar de uma leitura recente: O guia do mochileiro das galáxias...

A despedida ao pé do metro teve gosto de quero mais!


terça-feira, 14 de março de 2017

141 - Amizade transatlântica, árvore misteriosa e Darwin na BNP

Naturalistas de plantão, profissionais ou amadores (manhêêê!), que árvore seca é esta, espalhada pelo campus da UL, com a qual me deparo diariamente? Não faço a menor ideia, mas é bonita a paisagem de fim de inverno por aqui...



Ontem fui encontrar a minha amiga Teresa na universidade, mas ficamos sem fotos, pois o papo estava tão bom que só lembrei da máquina quando já voltava para casa e resolvi finalmente fotografar essas árvores... Mas tudo bem, amanhã vamos jantar juntas e, claro, vou fazer o registro fotográfico. Quem quiser rememorar, clique aqui, aqui, aqui e aqui.

Hoje passei o dia na BNP e, depois de analisar cinco exemplares da primeira tradução da Origem (aquela do Joaquim Dá Mesquita Paul - JMP); todos os números da revista A primavera, dirigida por JMP entre 1922 e 1923 (nada muito interessante, é uma publicação para crianças que nada tem a ver com Darwin, mas que serve para conhecer melhor esse tradutor-médico-professor); duas teses de doutorado sobre a recepção do darwinismo em Portugal e uma dissertação de mestrado sobre a tradução científica por aqui, devo confessar que estou encantada com o que encontrei. E o trabalho só está começando...

Não vou fazer aqui nenhum relatório de pesquisa, mas vale registrar que, além da confirmação de que a tradução de JMP é realmente de 1913, descobri que a Editora Lello e Irmão - agora Lello Editores e anteriormente Livraria Chardon, de Lelo (com um "l" só mesmo) e Irmão - fez uma nova edição, aparentemente revisada (por João Arrepia). Vale lembrar que essa tradução é indireta, foi feita da tradução francesa. Seguem as capas da edição antiga, já velha conhecida (há um exemplar na nossa biblioteca do GP de Science Studies da UEM), e da nova, de 2009, sobre a qual me debrucei hoje:



Essa tradução de JMP é famosa, pois, além de ser a primeira tradução da Origem para o português, ela foi deveras plagiada... Clique aqui para ver o material da Denise Bottmann sobre o assunto.

Para celebrar, olhe o vinho que eu acabei de comprar, mas ainda não provei:


Animador, não?




domingo, 12 de março de 2017

140 - Frio, vento e o primeiro bacalhau desta temporada em Lisboa

Respondendo ao comentário da Francine: não, não está calorzinho! No dia do Cais das Colunas estava um céu azul lindo (para a alegria de todos os presentes e para a Julia matar as saudades do céu de Lisboa), e a temperatura chegou a 22-3 graus no sol. Na sombra e à noite, friozinho giro, com direito a aquecedor para aguentar a mínima de 10 graus. Ontem e hoje, a máxima não passou de 15 graus acompanhada do ventinho tipicamente lisboeta... brrrrrrr.... Mas tudo bem, vim preparada para esse fim de inverno por aqui, louca para viver a minha primeira primavera na jangada de pedra, que começa daqui a poucos dias.

Ontem fui me aventurar pelos arredores de Lisboa e rever a prima Lidia. Ela já bateu ponto neste blog aqui, aqui e aqui:

Lidia e o maridão, Manoel Antonio, logo depois de me oferecerem um bacalhau com batatas e salada, tudo isso regado a um vinho Mula Velha que, segundo eles, é bebível. A viajante aqui se deliciou.

Vejam só o monte de tangerinas que eles colheram nas redondezas:

Claro que trouxe algumas para casa, garantindo o meu suprimento de vitamina C dos próximos dias...


Logo depois bateu um vento daqueles...

...que pediu acessórios mais adequados...

Mais tarde rolou um cafezinho com Lidia e sua amiga Céu

E a pose preferida da prima: de perfil

E hoje, domingão, depois de mais uma investida no mercado em busca de víveres, cá estou eu, em casa, com o aquecedor ligado, trabalhando, bebericando um vinho nacional - Capote Velho -, ouvindo minha playlist no Spotify e curtindo o barulho do vento lá fora. Tintim!









sexta-feira, 10 de março de 2017

139 - Benção de trabalho

Ontem foi dia de pedir a "bença" ao Tejo no Cais das Colunas, já tão badalado por mim das outras vezes aqui e aqui:

E, claro, passear pelo centro desta cidade maravilhosa - a chamada Baixa lisboeta. Vou tentar não ficar repetindo fotos do passado, mas não resisti ao Arco da Augusta visto do Paço com um céu azul de lascar:

Olha eu aí com o arco cortado! Não dá nem para reclamar, pois o gringo que eu parei no meio da praça tirou a minha foto numa boa (a cidade está lotada de turistas!)

Também não resisti a fotografar o meu meio de transporte favorito: o bonde! Há na versão clássica e moderninha, e eles estavam juntinhos um atrás do outro na Praça da Figueira:




E hoje, já devidamente abençoada pelo Tejo e inserida no coração da cidade, tive condições de começar a trabalhar. De manhã fui renovar meu acesso à Biblioteca Nacional (BNP), doar um exemplar do meu livro sobre as traduções do Tetrabiblos, fazer uma primeira pesquisa bibliográfica e analisar detalhadamente a livraria. Deuses! Tenho algumas aquisições a fazer nessa livraria e um trabalho sobre as traduções da Origem das espécies, de Charles Darwin, devidamente mapeado pela frente.

A novidade do dia é que a primeira tradução portuguesa da Origem talvez seja anterior ao que eu tinha registrado (1913). Aqui na BNP, eles têm um registro de 1900, mas seguido de interrogação, ou seja, há dúvidas sobre essa data. Evidentemente, vou ver isso com calma.


Depois dessa primeira incursão à BNP fui à biblioteca da Faculdade de Letras doar o meu livro e fazer um levantamento inicial do que há na universidade sobre o assunto. O acervo foi devidamente registrado e, em breve, será abordado. Tudo indica que o tempo de que disponho será suficiente, mas ainda falta marcar as entrevistas com os tradutores...

Depois disso ainda fui assistir à aula de Pensamento crítico (que giro!) que o Ricardo oferece às sextas à tarde para o pessoal da Informática. Fiquei chocada com o número de inscritos: 180. E eu reclamando dos meus 20 alunos de Metep! Já pensou avaliar esse povo todo? Sorte que, segundo ele, não aparecem todos: hoje havia uns 60 ou 70. Agora as fotos:



Perceberam o interesse das filas do gargarejo? A discussão que rolou no fim foi de dar inveja, mas é claro que, com essa gente toda, rola um zunzunzum (saudável, estão todos vivos!) o tempo todo.






quarta-feira, 8 de março de 2017

138 - Depois do corpo chega a alma

Após uma viagem cansativa, desconfortável, sem dormir e comendo mal, meu corpo chegou a Lisboa ontem de manhã num estado deplorável.

Vale destacar que comi mal porque pedi refeição vegetariana: das outras vezes fui de cardápio normal e fiquei bem satisfeita. Definitivamente, os fornecedores da TAP não sabem fazer esse tipo de comida. No jantar rolou uma salada verde sem graça, uma lentilha sequinha razoável e uma massa com legumes quentinha, mas insossa. A salada de frutas estava boa, mas o que salvou a noite foi o espumante que havia no carrinho de bebidas. Fiz um brinde silencioso com todos vocês: tintim! No café da manhã, além do café, veio um tofu gelado com tomate (só provei e estava horrível), um pãozinho francês e uma salada de frutas. Tive que pedir uma manteiga para comer com o pão e salvar a refeição.

Mas tudo bem, estou em Lisboa, oba! Cheguei, me instalei, saí para comprar um adaptador de tomada e almoçar. Comi num restaurante relativamente perto daqui (estou nos apartamentos da Universidade de Lisboa, dentro do que eles chamam de 3Is - Instituto de Investigação Interdisciplinar), agora uma refeição quase vegetariana decente: berinjela gratinada com salada, acompanhada de um vinho da casa. No caminho de volta comprei café, croissants e - claro! - pastéis de nata. À noite dormi bem e profundamente, talvez por causa do friozinho. Saí do Rio 40 graus (à sombra) para uma Lisboa no fim do inverno, fazendo cerca de 15 graus durante o dia.

Hoje de manhã saquei as seguintes fotos aqui do entorno do apartamento, olhem que simpático o lugar e que céu (dia lindo!):






E aqui a Dona Bela, que cuida dos apartamentos:



Meu cabelo está molhado e a cara estranha, mas valeu o registro. A Dona Bela é a Dona Rosa daqui. Para quem não me acompanha desde o início deste blog, a Dona Rosa era a responsável pela residência em que fiquei das outras vezes, a Residência Paz. Dessa vez não havia vaga lá, mas em breve vou visitar a agora aposentada Dona Rosa, que me recebeu de braços abertos e me ajudou deveras nas minhas primeiras peripécias por aqui. Veja um pouco sobre ela e a Paz aqui, aqui e aqui.

Fui encontrar com o Ricardo, meu orientador português, mas não saquei fotos, outras oportunidades virão. Entreguei-lhe o livro sobre o LNA e doei para a biblioteca da FCUL (Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa) um exemplar do meu livro sobre as traduções do Tetrabiblos (este ele já tinha, enviei pelo Antonio Augusto em outra ocasião). Quem quiser se lembrar dele, clique aqui e aqui para ver dois registros antigos. Na volta dei uma bela caminhada pela universidade, revendo lugares velhos conhecidos, almocei num café-bistrô ao pé da Biblioteca Nacional (que, de novo, vou frequentar assiduamente): quiche de carne, cogumelos e legumes regado a vinho da casa. Depois fui atrás de víveres no supermercado:






137 - Rio-Lisboa

Depois de uma rápida passagem pelo carnaval do Rio,


com direito a passeio de VLT - o bonde moderninho - com o Edil



e a rever alguns outros saudosos amigos com os quais acabei não tirando foto, cá estou eu de novo em Lisboa, agora para um pós-doc de três meses. 

Quem quiser saber do que se trata a minha pesquisa por aqui, veja a minha última postagem no blog do GP de Science Studies da UEM. E, claro, aproveite para navegar por lá, pois é um trabalho que faço com todo carinho.