domingo, 25 de setembro de 2011

91 - Voltando à jangada de pedra

É inacreditável, mas cá estou eu de novo em Lisboa, na Residência Paz, carinhosamente acolhida pela minha mãe portuguesa, a Dona Rosa. Para quem ainda não sabe, vim à Península para um curso em Granada e um congresso em Coimbra, ambos em outubro. Por ora estou em Lisboa matando as saudades e com algumas missões, como finalizar o artigo do congresso até o dia 30 de setembro e entregar três exemplares da minha tese: um para o meu ex-orientador no estágio doutoral, um para o meu futuro orientador de pós-doc e o terceiro para os amigos da Academia de Estudos Astrológicos.

A viagem começou com uma baita dor de cabeça de tanta ansiedade para dar conta de tudo antes de viajar, isso sem falar o medo de avião. Mas confesso que tive que rir quando vi o nome do dito-cujo: Pedro Nunes (da outra vez vim no Infante Dom Henrique). Fala sério! Um dos meus objetos de estudo. Mas a dor só passou mesmo quando botei os pés em terra firme. Não adiantou nem o charme dos comissários da TAP (que gatos! com todo o respeito evidentemente) e nem o maravilhoso vinho DOC servido a bordo. Aliás, desta vez a comida estava bem melhor que da outra, comi um picadinho de carne com purê de batata e brócolis e lambi os beiços. O pudim de ricota com laranja da sobremesa também estava honestíssimo. Mas a viagem continua desconfortabilíssima, quando eu crescer quero viajar de primeira classe, ali deve dar para dormir. Cheguei meio zumbi, ainda tive que encarar uma fila quilométrica para de fato entrar no país, mas enfim me vi num táxi rumo à Paz, onde a Dona Rosa me esperava de braços abertos.

Uma maravilha! Depois de muitos abraços, histórias e lembranças, a excitação foi grande e eu não tinha condições de dormir. Então tomei uma chuveirada e fui com ela na tabacaria da esquina para carregar meus cartões de transporte e celular. Ela também me levou na cabeleireira amiga dela que já cortara o meu cabelo da outra vez e marquei um corte para segunda de manhã. Aliás, Dona Rosa está se aposentando e, assim como a minha mãe, só está aguardando a burocracia. Coincidências da vida!


Depois disso, só me faltava ver o Tejo e comer pastel de nata. Então ziguezagueei até o Cais das Colunas, parando aqui e acolá, respirando o ar lisboeta, sentindo o clima da cidade e esperando a minha alma chegar. O dia estava bom, com algumas nuvens e temperatura agradável. Fui procurar a livraria espanhola na Rua da Madalena e acabei achando uma lojinha na transversal Rua dos Bacalhoeiros com umas conservas fantásticas. Trouxe algumas para provar. Depois de pedir a benção para o Tejo, ainda entrei no Martinho da Arcada, onde eles esperam o Pessoa até hoje, tomei um imperial, comi dois croquetes e segui até o Rossio. Pedi uma bica e um pastel de nata na Pastelaria Suíça, saí satisfeita e voltei para a residência batendo cabeça no metro. Revi a netinha da Dona Rosa, que se lembrou do carnaval de serpentinas que aprontamos aqui no ano novo de 2008/2009 (como se pode ver aqui e aqui), e fui dormir. Quando acordei ainda conversei mais um bocado com a Dona Rosa e fui ao mercado em busca de víveres. Olha só o que eu trouxe:





Agora além do velho pé de laranja, que me cedeu muitos frutos no inverno de 2008-9...


Vai rolar também maracujá (já dá para ver três tímidos frutos ainda verdes)...


Dona Rosa saiu com o filho e a neta, foram a uma vindima numa quinta aqui nos arredores de Lisboa, já pensou? Consigo até ver o sorriso de Dioniso... E eu acabei de fazer uma ótima refeição (bacalhau em conserva, saladinha temperada numa pastinha de azeitona preta e pão da avó, com direito a queijo da Madeira e uma geleia de porto) regadíssima com um Reguengos, e estou aqui organizando as minhas coisas e reativando este blog.

5 comentários:

Odete disse...

É sempre uma delícia ler seus textos.Você tem talento, criatividade e graça para contar suas impressões.
beijo

Christina disse...

Que delícia voltar a viajar com vc, Cris! Aproveite bem a viagem! Um beijo.

Daniela do Carmo disse...

Coisa rica o seu olhar sobre essa terra!! Que bom que a Caravela zarpou mais uma vez!

Pedro Fraga disse...

que gatos! com todo o respeito evidentemente)???
Estamos de olho!

juliana disse...

"estamos de olho"? olha o micropoder, hein, Pedro?!!!!

aproveita o colírio, Cris!