Lisboa, 28 de dezembro de 2008.
Hoje finalmente fui conhecer o Museu Calouste Gulbenkian. Já queria ir lá desde que cheguei na terrinha... Bem, a exposição permanente do museu é muito legal, tem algumas preciosidades, é muito bem organizado e não é muito grande. Há peças desde a antiguidade até a art nouveau (aliás, depois de Salamanca, descobri que sou fã desse estilo), passando pela arte islâmica, chinesa, japa etc. Gostei especialmente dos manuscritos iluminados do Corão e dos livros de horas, das belíssimas composições de azulejos, das 53 Estações do Tokaido (as estações são pontos de um caminho de 500 km do Japão medieval, que foram eternizados em belíssimas pinturas), a pequena galeria de franceses (Rodin, Degas, Monet, Manet e Renoir), dois ou três Rembrandts e alguns Rubens, especialmente um que não está no catálogo, Amores de Centauros (ou algo parecido), que me impressionou muito pelo contraste humano-animal da cena, e, claro, na sala dedicada à art nouveau, uma belíssima mariposa em ouro e pedras preciosas, do Lalique. Além disso, está rolando também uma exposição temporária de literatura, Weltliteratur, que é sobre Fernando Pessoa, mas ao mesmo tempo não é... Para se ter uma idéia, a primeira frase com que nos deparamos é a seguinte: "Snr. Pessoa precisei de sair, está o jantar prompto é só sentar à mesa, tirar do lume e comêr. Adelaide". Há também o mapa astrológico de Portugal e de Oscar Wilde (feitos pelo Pessoa), cartas celestes da época dos Descobrimentos, versos de Camões, desenhos de Almada Negreiros etc. Outra boa tirada é a de Teixeira de Pascoaes, numa entrevista de 1950: "E a propósito, ocorre-me que, numa ocasião, entrando eu num eléctrico (recordo-me bem, era da carreira da Estrela), deparo com Fernando Pessoa que me pergunta de chofre: 'Já notou uma coisa, ó Pascoaes? Há escritores de quem toda a gente fala e ninguém lê, e outros de quem ninguém fala e toda a gente lê. E destas duas espécies, qual, em seu entender, tem mais valor?' Respondi que aqueles de quem toda a gente fala e ninguém lê, e Fernando Pessoa rematou: 'é também a minha opinião'."
