quarta-feira, 28 de setembro de 2011

95 - Enquanto isso na Torre do Tombo

Hoje encontrei a Helena Avelar, da Academia de Estudos Astrológicos. Já nos encontramos da outra vez, como se pode ver aqui e aqui, quando foi uma grande alegria saber da existência uma da outra, e também do seu marido Luís Ribeiro, astrólogos engajados nos estudos tradicionais, historiográficos e interdisciplinares da astrologia, assim como a nossa gloriosa Academia Celeste.

Marcamos na Torre do Tombo, onde ela queria me mostrar um manuscrito, mas acabou que ele não estava disponível. De qualquer modo, batemos um ótimo papo, é sempre revigorante encontrar os nossos pares, sobretudo de terras tão longínguas, mas ao mesmo tempo tão próximas.


Entreguei para ela uma cópia impressa da minha tese, e ela me mostrou a versão da dissertação dela que será defendida agora em novembro. Olhem só a moça abraçada aos dois tijolos com o maior orgulho:


De fato rolou um orgulho mútuo de ambas as partes por podermos estar vivendo dias tão fascinantes para a pesquisa astrológica, participando ativamente desse reencontro da astrologia com o meio acadêmico, mesmo que ainda haja algumas ressalvas, e principalmente pelos bons resultados que estamos conseguindo. Nesse quesito, parece que nós estamos à frente de Portugal, pois já temos uma quantidade considerável de trabalhos acadêmicos tematizando a astrologia, enquanto por aqui ainda se contam nos dedos de uma das mãos, sendo que, no início do mestrado, ela enfrentou uma certa resistência, muito parecida com a de alguns amigos no Brasil.

Belíssimo o trabalho da Helena! Com direito a citações de vários acadêmicos celestes, inclusive da tese e da dissertação desta que vos fala. Olhem só a capa da dissertação dela mais de perto (está em inglês porque um dos orientadores é holandês, inclusive eu tenho um livro dele sobre história da astrologia que chegou recentemente às livrarias brasileiras, um sujeito chamado von Stuckrad):


Vir sapiens dominatibur astris: astrological  knowledge and practices in the Portuguese medieval court (king João I to king Afonso V)

Em bom português, algo como:

O homem sábio dominará os astros: conhecimento e práticas astrológicas na corte medieval portuguesa (do rei D. João I ao rei D. Afonso V)





terça-feira, 27 de setembro de 2011

94 - Encontros na universidade

Hoje, finalmente, consegui trabalhar. Na verdade, ainda estou trabalhando, só parei para fazer um intervalo. Estou fechando o artigo para o congresso, o prazo é sexta. Só que na quinta à noite embarco num trem para Madri, então tenho até amanhã para terminar. Mas acho que está tudo sob controle.

A emoção do dia ficou por conta da ida à Universidade, tinha dois encontros marcados, um com o Ricardo, meu ex-orientador por aqui, e outro com o Henrique, meu futuro orientador de pós-doc, que não faço ideia de quando vai rolar, só sei que vai rolar. Tudo vai depender do encaminhamento lá em Maringá (para quem ainda não sabe, passei no concurso para a Universidade Estadual de Maringá - UEM - no interior do Paraná, fui convocada, já fiz os exames admissionais em julho, agora é só aguardar a nomeação, que pode acontecer a qualquer momento). Foi muito bom revê-los, reforçar os laços, contar-lhes as novidades pessoalmente (eles já sabiam, pois tenho mantido contato por e-mail) e, novamente, ter uma experiência temporal única.

Cheguei a comentar com o Ricardo - que é a simpatia em pessoa - a sensação de que o tempo não passou, de que havíamos nos visto ontem. Aí o gajo, que me recebeu com seu sorriso franco, a gentileza habitual e um abraço acolhedor, disse mais ou menos isto: "não é que é mesmo, quando te vi a entrar pela porta, parecia que ontem mesmo estiveste aqui". Muito giro! Não é um querido?



Com o Henrique foi um pouco diferente, mas igualmente amigável, pois só havíamos nos encontrado pessoalmente uma vez (nos conhecemos quando eu já estava na reta final da minha temporada por cá). Nosso contato foi mais por e-mail mesmo, então mal lembrávamos da cara um do outro. Mas não foi difícil encontrá-lo e conversar pessoalmente tudo aquilo que já havíamos conversado por e-mail algumas vezes, como o projeto que ele quer desenvolver sobre a astrologia em Portugal nos séculos XIV, XV e XVI, mais especificamente sobre a prática astrológica nesse período, uma história social. Fala sério! É tudo o que eu quero em termos de pesquisa. Mas, por ora, isso vai ter que esperar. Não me senti suficientemente íntima para pedir uma foto, então quem sabe lá no congresso em Coimbra eu saco uma e compartilho aqui com vocês...

Muito giro mesmo foi ter encontrado a Teresa e o Carolino no corredor. Os dois trabalham juntos no Museu da Ciência, coincidência já mencionada há três anos aqui neste blog quando conheci a Teresa e descobrimos que somos da mesma área. O Carolino é uma referência importante no meu trabalho, foi o livro dele sobre a astrologia em Portugal no século XVII que me fez encaminhar a minha pesquisa para esses mares até então desconhecidos. Devidamente fotografados e blogados:



Enquanto isso, na porta da reitoria, os calouros sofriam nas mãos dos veteranos:



Isso sem falar nos cartazes e faixas na entrada da Faculdade de Letras:



Aliás, ontem a Teresa me explicou que a universidade pública em Portugal é paga. Eu sabia disso, mas não tinha os detalhes. Isso começou há aproximadamente duas décadas (até então era gratuita como no Brasil). Paga-se menos que nas privadas, mas rola um pagamento anual ou semestral (chamado aqui de propina), algo em torno de 500 euros. Para fazer uma disciplina como ouvinte, por exemplo, paga-se cerca de 200 euros.

Na volta para casa passei na arena do Sporting (que é aqui do lado) para comprar a bela camisa (ou camisola, como se diz por essas bandas) do clube leonino para o meu sobrinho querido. Olhem só o mascote e eu:


segunda-feira, 26 de setembro de 2011

93 - Amizade luso-brasileira

Ainda não mencionei isso, mas a sensação de viagem no tempo tem me acompanhado desde que botei os pés aqui na residência. Rever pessoas e lugares tão queridos tem sido uma experiência bárbara. Hoje foi o dia de voltar ao parque Quinta das Conchas (quem quiser ver o parque, veja as fotos que já postei aqui e aqui) para a minha caminhada matinal, como se nada tivesse acontecido, como se esses quase três anos não tivessem passado, como se eu tivesse feito isso ontem ou anteontem. Uma maravilha!

Na volta, aquela passadinha na padaria da esquina (cujo dono é brasileiro, como eu já dissera em postagem de 2008), um pãozinho da avó e um pastel de nata para viagem e, antes de vir tomar o segundo round do café da manhã (o primeiro foi frutinha, suco de laranja e iogurte antes da caminhada), uma passadinha na cabeleireira que também já havia cortado o meu cabelo há três anos.

Na hora do almoço, Dona Rosa e eu fizemos uma coisa que combinamos e não fizemos da outra vez: comer o frango assado da churrasqueira do Lumiar. Mas não é aquele tipo que a gente costuma ver no Rio, que fica rodando numa máquina de padaria. Além de exótico (o frango é aberto), ele é feito numa churrasqueira mesmo e é super gostoso. Feito isso, o único comentário possível era: "como pude passar aqui seis meses sem ter experimentado isso?"... Pois...

Trabalhei um pouco à tarde e depois saí para encontrar a minha amiga Teresa na Cinemateca Portuguesa:
 

Boa amiga transatlântica que também já apareceu algumas vezes no blog (aqui, aqui e aqui). Começamos a botar o papo luso-brasileiro em dia e depois assistimos ao animadíssimo filme A regra do jogo do Jean Renoir (1939)


O filme é puro movimento e os inúmeros personagens se revezam num mise-en-scène eterno, parece que não acabam nunca a capacidade amorosa e o entusiasmo dos personagens, que fazem uma comédia às vezes pastelão, mas muito bem encadeada, que termina com uma guinada ligeiramente dramática. Gostei do filme, o título se refere tanto ao âmbito privado quanto social daqueles personagens que, de uma certa forma, subvertem as regras do jogo.

A cinemateca é um dos meus recantos culturais preferidos da cidade. O outro, o clube de jazz Hot Club Portugal, infelizmente está fechado para obras pois pegou fogo no ano passado.

Só para registrar, um dos papos mais frequentes com todos que encontro por aqui evidentemente é a crise. Hoje vi vários cartazes chamando a malta para as ruas no dia 1 de outubro. Pena que não estarei aqui para testemunhar, neste dia estarei com os indignados na Espanha.





domingo, 25 de setembro de 2011

92 - Um dia em família no Parque das Nações

Hoje acordei tardíssimo pois não consegui dormir direito, parece que o fuso me pegou. Da outra vez não tive esse tipo de problema... Mas assim mesmo consegui chegar a tempo do almoço na casa da Lídia, que (pasmem!) tinha ido participar da corrida/caminhada na Ponte Vasco da Gama. Ganhou medalha e tudo pois completou a prova. Isso me lembrou as corridas que a minha irmã tem feito no Rio. Parece que essa (boa) mania está pegando. Mas é bem giro ela estar arrumando um tempo para cuidar de si, porque não é brincadeira o que essa mulher portuguesa trabalha. Olhem só a pinta da maratonista (de sandálias!):



E a havaiana verde e amarela que eu trouxe para o menino Rodrigo (neto da Lídia)? Parece que ele gostou:



Giro também é que Maria, Valter, seu Zeferino e dona Emília também vieram cá para Lisboa. Depois do almoço fomos ao Parque das Nações:

 
Andamos na beira do Tejo, tomamos um vinhozinho com aquela brisa fresca no rosto, uma maravilha de céu azul e calor na cidade dos alfacinhas. E olhem só que fofo o casal Fraga:


 Aí eu me meti no meio deles e saiu isto:

E isto:


 E mais isto:


Aí Maria tirou uma foto minha meio na sombra, mas está valendo (com o Tejo e a ponte Vasco da Gama de pano de fundo):


Chegaram também a Marcia, o Zé e o fofo do Leonardo. Quando o sol baixou, a temperatura também caiu, mas o casaquinho básico deu conta do recado:


Como estava rolando a feira Sabores de Portugal no Pavilhão Atlântico, entramos e fomos provar as delícias portuguesas. Nem acredito na misturada que fiz! Pão, vinho, queijo, presunto, cavacas, frutas...


E o menino Leonardo ainda resolveu fazer pão:


E só cheguei à residência tarde da noite, estou morta. Amanhã tenho que dar um jeito de trabalhar, chega de bagunça.


91 - Voltando à jangada de pedra

É inacreditável, mas cá estou eu de novo em Lisboa, na Residência Paz, carinhosamente acolhida pela minha mãe portuguesa, a Dona Rosa. Para quem ainda não sabe, vim à Península para um curso em Granada e um congresso em Coimbra, ambos em outubro. Por ora estou em Lisboa matando as saudades e com algumas missões, como finalizar o artigo do congresso até o dia 30 de setembro e entregar três exemplares da minha tese: um para o meu ex-orientador no estágio doutoral, um para o meu futuro orientador de pós-doc e o terceiro para os amigos da Academia de Estudos Astrológicos.

A viagem começou com uma baita dor de cabeça de tanta ansiedade para dar conta de tudo antes de viajar, isso sem falar o medo de avião. Mas confesso que tive que rir quando vi o nome do dito-cujo: Pedro Nunes (da outra vez vim no Infante Dom Henrique). Fala sério! Um dos meus objetos de estudo. Mas a dor só passou mesmo quando botei os pés em terra firme. Não adiantou nem o charme dos comissários da TAP (que gatos! com todo o respeito evidentemente) e nem o maravilhoso vinho DOC servido a bordo. Aliás, desta vez a comida estava bem melhor que da outra, comi um picadinho de carne com purê de batata e brócolis e lambi os beiços. O pudim de ricota com laranja da sobremesa também estava honestíssimo. Mas a viagem continua desconfortabilíssima, quando eu crescer quero viajar de primeira classe, ali deve dar para dormir. Cheguei meio zumbi, ainda tive que encarar uma fila quilométrica para de fato entrar no país, mas enfim me vi num táxi rumo à Paz, onde a Dona Rosa me esperava de braços abertos.

Uma maravilha! Depois de muitos abraços, histórias e lembranças, a excitação foi grande e eu não tinha condições de dormir. Então tomei uma chuveirada e fui com ela na tabacaria da esquina para carregar meus cartões de transporte e celular. Ela também me levou na cabeleireira amiga dela que já cortara o meu cabelo da outra vez e marquei um corte para segunda de manhã. Aliás, Dona Rosa está se aposentando e, assim como a minha mãe, só está aguardando a burocracia. Coincidências da vida!


Depois disso, só me faltava ver o Tejo e comer pastel de nata. Então ziguezagueei até o Cais das Colunas, parando aqui e acolá, respirando o ar lisboeta, sentindo o clima da cidade e esperando a minha alma chegar. O dia estava bom, com algumas nuvens e temperatura agradável. Fui procurar a livraria espanhola na Rua da Madalena e acabei achando uma lojinha na transversal Rua dos Bacalhoeiros com umas conservas fantásticas. Trouxe algumas para provar. Depois de pedir a benção para o Tejo, ainda entrei no Martinho da Arcada, onde eles esperam o Pessoa até hoje, tomei um imperial, comi dois croquetes e segui até o Rossio. Pedi uma bica e um pastel de nata na Pastelaria Suíça, saí satisfeita e voltei para a residência batendo cabeça no metro. Revi a netinha da Dona Rosa, que se lembrou do carnaval de serpentinas que aprontamos aqui no ano novo de 2008/2009 (como se pode ver aqui e aqui), e fui dormir. Quando acordei ainda conversei mais um bocado com a Dona Rosa e fui ao mercado em busca de víveres. Olha só o que eu trouxe:





Agora além do velho pé de laranja, que me cedeu muitos frutos no inverno de 2008-9...


Vai rolar também maracujá (já dá para ver três tímidos frutos ainda verdes)...


Dona Rosa saiu com o filho e a neta, foram a uma vindima numa quinta aqui nos arredores de Lisboa, já pensou? Consigo até ver o sorriso de Dioniso... E eu acabei de fazer uma ótima refeição (bacalhau em conserva, saladinha temperada numa pastinha de azeitona preta e pão da avó, com direito a queijo da Madeira e uma geleia de porto) regadíssima com um Reguengos, e estou aqui organizando as minhas coisas e reativando este blog.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

88 - Fim de papo

Rio de Janeiro, 2 de fevereiro de 2009.

Já ancorei na Cidade Maravilhosa, o retorno ainda está em andamento, pois me sinto meio lá e meio cá, mas está tudo bem, por enquanto está tudo sob controle. Os últimos dias em Lisboa foram bons, apesar da ansiedade e da confusão emocional. Para zarpar da jangada de pedra, contei com o carinho e o apoio dos bons amigos que fiz por lá e, para aportar na terra brasilis, estou contando com o carinho e o apoio de todos por aqui. Que privilégio ter tanto afeto em tantos lugares! Obrigada a todos que acompanharam a minha jornada, espero revê-los em breve, numa próxima aventura da Caravela Cruzeiro do Sul. Se calhar ainda preparo um outro blog nesse período intermédio...
Nau indo-moçambicana na minha festa de despedida, organizada por Dona Rosa, Flaviane e Katia.

Ganhei até um cartãozinho fofo...

Olha a Katia fazendo discurso para me entregar o cartão assinado por todos... A maior figura!

Rolou um bacalhau no capricho feito pela minha mãe portuguesa.

Para completar a liga das nações unidas que se tornou o meu grupo de amigos na jangada de pedra, só faltava mesmo a representação ibérica: Elena e Teresa.