sexta-feira, 30 de setembro de 2011

97 - Española e brasileiros loucos soltos em Madri

Hoje cheguei a Madri de manhã cedo depois de uma noite num trem hotel bem simpático. Essas viagens são muito legais. Aliás, com todo o respeito, o comissário de bordo (sei lá como se chama essa função no trem) era outro gajo gato. Ando com sorte ganhando colírio de graça por essas bandas. Mais sorte ainda no hotel que escolhi. Sem saber, vim parar no Bairro das Letras, olhem só:



Logo de cara encontrei o Cervantes na Plaza de las Cortes:


Agora com a placa mais de perto:


E os relevos laterais com Don Quijote e Sancho Panza:






Depois, na Plaza de España, mais do mesmo, agora comigo no meio, para celebrar a alegria que foi essa leitura ao longo do ano passado:




Achei também a casa do Lope de Vega, por quem me apaixonei quando vi o filme do Andrucha Waddington:


Esta é uma das poesias dele que descobri no ano passado:

 

Desmayarse, atreverse, estar furioso,

Áspero, tierno, liberal, esquivo,

Alentado, mortal, difunto, vivo,

Leal, traidor, cobarde y animoso;

No hallar fuera del bien centro y reposo,

Mostrarse alegre, triste, humilde, altivo,

Enojado, valiente, fugitivo,

Satisfecho, ofendido, receloso;

Huir el rostro al claro desengaño,

Beber veneno por licor suave,

Olvidar el provecho, amar el daño;

Creer que un cielo en un infierno cabe,

Dar la vida y el alma a un desengaño;

Esto es amor, quien lo probó lo sabe.

 

Lope de Vega

Poesía selecta (Ed. Antonio Carreño). Madrid: Letras Hispánicas, 2003, p. 254.




Mas alegria mesmo foi encontrar minha amiga Elena, a española loca, e seu namorado Tom, brasileiro da gema:



Almoçamos juntos num restaurante que eles costumam frequentar, onde conhecem a malta toda, e que é honestíssimo, com comida boa e barata:


Na saída, a nau hispano-brasileira ainda fez pose para foto:


E depois mais pose da nau brasileira:


E do casal 20:


Andamos pela cidade toda, passamos em frente ao Palácio Real, fomos à Plaza de Oriente, onde se encontram estas ruínas egípcias (também nas fotos acima):




Passamos pela Plaza de España, descemos a Gran Vía e desaguamos na Puerta del Sol, perto da casa do Tom, onde ele e seus amigos começaram a preparar a feijoada que vai rolar amanhã. Espero que eu tenha condições de ir lá desfrutar disso, pois amanhã passo o dia em Salamanca.

Só faltou dizer que antes de encontrar com os amigos, fui ao único museu de Madri (dos três maiores) que ainda não conhecia: o Thyssen Bornemiza. O Prado e o Reina Sofía eu já havia conhecido da outra vez, como se vê nas postagens de 2008 aqui e aqui. Me gustó mucho! É pequeno, com um belíssimo e variado acervo, e dei sorte de estar rolando uma exposição da Vanguarda Russa do acervo do museu, que me lembrou a inesquecível exposição da Vanguarda Russa que rolou há uns dois anos lá no CCBB. Lembram?

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

96 - Passeando por Lisboa antes de ir para Madri

Daqui a pouco zarpo num trem para Madri, então escrevo rapidinho só para dizer como foi o dia. Fui dar a minha caminhada de praxe no parque Quinta das Conchas, depois tomei aquele café no capricho e saí pela cidade. Encontrei-me com o Pessoa:



Peguei o funicular:


E já que o Hot Club está fechado, acabei descobrindo um outro clube de jazz que pretendo desbravar quando voltar no dia 18 de outubro, o tal do Catacumba's Jazz Bar, lá no Bairro Alto, por onde hoje perambulei:


Enquanto isso vamos dando uma olhadinha numa das melhores vistas da cidade, a do Miradouro São Pedro de Alcântara:


E não é linda a minha camiseta do Chet Baker?

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

95 - Enquanto isso na Torre do Tombo

Hoje encontrei a Helena Avelar, da Academia de Estudos Astrológicos. Já nos encontramos da outra vez, como se pode ver aqui e aqui, quando foi uma grande alegria saber da existência uma da outra, e também do seu marido Luís Ribeiro, astrólogos engajados nos estudos tradicionais, historiográficos e interdisciplinares da astrologia, assim como a nossa gloriosa Academia Celeste.

Marcamos na Torre do Tombo, onde ela queria me mostrar um manuscrito, mas acabou que ele não estava disponível. De qualquer modo, batemos um ótimo papo, é sempre revigorante encontrar os nossos pares, sobretudo de terras tão longínguas, mas ao mesmo tempo tão próximas.


Entreguei para ela uma cópia impressa da minha tese, e ela me mostrou a versão da dissertação dela que será defendida agora em novembro. Olhem só a moça abraçada aos dois tijolos com o maior orgulho:


De fato rolou um orgulho mútuo de ambas as partes por podermos estar vivendo dias tão fascinantes para a pesquisa astrológica, participando ativamente desse reencontro da astrologia com o meio acadêmico, mesmo que ainda haja algumas ressalvas, e principalmente pelos bons resultados que estamos conseguindo. Nesse quesito, parece que nós estamos à frente de Portugal, pois já temos uma quantidade considerável de trabalhos acadêmicos tematizando a astrologia, enquanto por aqui ainda se contam nos dedos de uma das mãos, sendo que, no início do mestrado, ela enfrentou uma certa resistência, muito parecida com a de alguns amigos no Brasil.

Belíssimo o trabalho da Helena! Com direito a citações de vários acadêmicos celestes, inclusive da tese e da dissertação desta que vos fala. Olhem só a capa da dissertação dela mais de perto (está em inglês porque um dos orientadores é holandês, inclusive eu tenho um livro dele sobre história da astrologia que chegou recentemente às livrarias brasileiras, um sujeito chamado von Stuckrad):


Vir sapiens dominatibur astris: astrological  knowledge and practices in the Portuguese medieval court (king João I to king Afonso V)

Em bom português, algo como:

O homem sábio dominará os astros: conhecimento e práticas astrológicas na corte medieval portuguesa (do rei D. João I ao rei D. Afonso V)





terça-feira, 27 de setembro de 2011

94 - Encontros na universidade

Hoje, finalmente, consegui trabalhar. Na verdade, ainda estou trabalhando, só parei para fazer um intervalo. Estou fechando o artigo para o congresso, o prazo é sexta. Só que na quinta à noite embarco num trem para Madri, então tenho até amanhã para terminar. Mas acho que está tudo sob controle.

A emoção do dia ficou por conta da ida à Universidade, tinha dois encontros marcados, um com o Ricardo, meu ex-orientador por aqui, e outro com o Henrique, meu futuro orientador de pós-doc, que não faço ideia de quando vai rolar, só sei que vai rolar. Tudo vai depender do encaminhamento lá em Maringá (para quem ainda não sabe, passei no concurso para a Universidade Estadual de Maringá - UEM - no interior do Paraná, fui convocada, já fiz os exames admissionais em julho, agora é só aguardar a nomeação, que pode acontecer a qualquer momento). Foi muito bom revê-los, reforçar os laços, contar-lhes as novidades pessoalmente (eles já sabiam, pois tenho mantido contato por e-mail) e, novamente, ter uma experiência temporal única.

Cheguei a comentar com o Ricardo - que é a simpatia em pessoa - a sensação de que o tempo não passou, de que havíamos nos visto ontem. Aí o gajo, que me recebeu com seu sorriso franco, a gentileza habitual e um abraço acolhedor, disse mais ou menos isto: "não é que é mesmo, quando te vi a entrar pela porta, parecia que ontem mesmo estiveste aqui". Muito giro! Não é um querido?



Com o Henrique foi um pouco diferente, mas igualmente amigável, pois só havíamos nos encontrado pessoalmente uma vez (nos conhecemos quando eu já estava na reta final da minha temporada por cá). Nosso contato foi mais por e-mail mesmo, então mal lembrávamos da cara um do outro. Mas não foi difícil encontrá-lo e conversar pessoalmente tudo aquilo que já havíamos conversado por e-mail algumas vezes, como o projeto que ele quer desenvolver sobre a astrologia em Portugal nos séculos XIV, XV e XVI, mais especificamente sobre a prática astrológica nesse período, uma história social. Fala sério! É tudo o que eu quero em termos de pesquisa. Mas, por ora, isso vai ter que esperar. Não me senti suficientemente íntima para pedir uma foto, então quem sabe lá no congresso em Coimbra eu saco uma e compartilho aqui com vocês...

Muito giro mesmo foi ter encontrado a Teresa e o Carolino no corredor. Os dois trabalham juntos no Museu da Ciência, coincidência já mencionada há três anos aqui neste blog quando conheci a Teresa e descobrimos que somos da mesma área. O Carolino é uma referência importante no meu trabalho, foi o livro dele sobre a astrologia em Portugal no século XVII que me fez encaminhar a minha pesquisa para esses mares até então desconhecidos. Devidamente fotografados e blogados:



Enquanto isso, na porta da reitoria, os calouros sofriam nas mãos dos veteranos:



Isso sem falar nos cartazes e faixas na entrada da Faculdade de Letras:



Aliás, ontem a Teresa me explicou que a universidade pública em Portugal é paga. Eu sabia disso, mas não tinha os detalhes. Isso começou há aproximadamente duas décadas (até então era gratuita como no Brasil). Paga-se menos que nas privadas, mas rola um pagamento anual ou semestral (chamado aqui de propina), algo em torno de 500 euros. Para fazer uma disciplina como ouvinte, por exemplo, paga-se cerca de 200 euros.

Na volta para casa passei na arena do Sporting (que é aqui do lado) para comprar a bela camisa (ou camisola, como se diz por essas bandas) do clube leonino para o meu sobrinho querido. Olhem só o mascote e eu:


segunda-feira, 26 de setembro de 2011

93 - Amizade luso-brasileira

Ainda não mencionei isso, mas a sensação de viagem no tempo tem me acompanhado desde que botei os pés aqui na residência. Rever pessoas e lugares tão queridos tem sido uma experiência bárbara. Hoje foi o dia de voltar ao parque Quinta das Conchas (quem quiser ver o parque, veja as fotos que já postei aqui e aqui) para a minha caminhada matinal, como se nada tivesse acontecido, como se esses quase três anos não tivessem passado, como se eu tivesse feito isso ontem ou anteontem. Uma maravilha!

Na volta, aquela passadinha na padaria da esquina (cujo dono é brasileiro, como eu já dissera em postagem de 2008), um pãozinho da avó e um pastel de nata para viagem e, antes de vir tomar o segundo round do café da manhã (o primeiro foi frutinha, suco de laranja e iogurte antes da caminhada), uma passadinha na cabeleireira que também já havia cortado o meu cabelo há três anos.

Na hora do almoço, Dona Rosa e eu fizemos uma coisa que combinamos e não fizemos da outra vez: comer o frango assado da churrasqueira do Lumiar. Mas não é aquele tipo que a gente costuma ver no Rio, que fica rodando numa máquina de padaria. Além de exótico (o frango é aberto), ele é feito numa churrasqueira mesmo e é super gostoso. Feito isso, o único comentário possível era: "como pude passar aqui seis meses sem ter experimentado isso?"... Pois...

Trabalhei um pouco à tarde e depois saí para encontrar a minha amiga Teresa na Cinemateca Portuguesa:
 

Boa amiga transatlântica que também já apareceu algumas vezes no blog (aqui, aqui e aqui). Começamos a botar o papo luso-brasileiro em dia e depois assistimos ao animadíssimo filme A regra do jogo do Jean Renoir (1939)


O filme é puro movimento e os inúmeros personagens se revezam num mise-en-scène eterno, parece que não acabam nunca a capacidade amorosa e o entusiasmo dos personagens, que fazem uma comédia às vezes pastelão, mas muito bem encadeada, que termina com uma guinada ligeiramente dramática. Gostei do filme, o título se refere tanto ao âmbito privado quanto social daqueles personagens que, de uma certa forma, subvertem as regras do jogo.

A cinemateca é um dos meus recantos culturais preferidos da cidade. O outro, o clube de jazz Hot Club Portugal, infelizmente está fechado para obras pois pegou fogo no ano passado.

Só para registrar, um dos papos mais frequentes com todos que encontro por aqui evidentemente é a crise. Hoje vi vários cartazes chamando a malta para as ruas no dia 1 de outubro. Pena que não estarei aqui para testemunhar, neste dia estarei com os indignados na Espanha.





domingo, 25 de setembro de 2011

92 - Um dia em família no Parque das Nações

Hoje acordei tardíssimo pois não consegui dormir direito, parece que o fuso me pegou. Da outra vez não tive esse tipo de problema... Mas assim mesmo consegui chegar a tempo do almoço na casa da Lídia, que (pasmem!) tinha ido participar da corrida/caminhada na Ponte Vasco da Gama. Ganhou medalha e tudo pois completou a prova. Isso me lembrou as corridas que a minha irmã tem feito no Rio. Parece que essa (boa) mania está pegando. Mas é bem giro ela estar arrumando um tempo para cuidar de si, porque não é brincadeira o que essa mulher portuguesa trabalha. Olhem só a pinta da maratonista (de sandálias!):



E a havaiana verde e amarela que eu trouxe para o menino Rodrigo (neto da Lídia)? Parece que ele gostou:



Giro também é que Maria, Valter, seu Zeferino e dona Emília também vieram cá para Lisboa. Depois do almoço fomos ao Parque das Nações:

 
Andamos na beira do Tejo, tomamos um vinhozinho com aquela brisa fresca no rosto, uma maravilha de céu azul e calor na cidade dos alfacinhas. E olhem só que fofo o casal Fraga:


 Aí eu me meti no meio deles e saiu isto:

E isto:


 E mais isto:


Aí Maria tirou uma foto minha meio na sombra, mas está valendo (com o Tejo e a ponte Vasco da Gama de pano de fundo):


Chegaram também a Marcia, o Zé e o fofo do Leonardo. Quando o sol baixou, a temperatura também caiu, mas o casaquinho básico deu conta do recado:


Como estava rolando a feira Sabores de Portugal no Pavilhão Atlântico, entramos e fomos provar as delícias portuguesas. Nem acredito na misturada que fiz! Pão, vinho, queijo, presunto, cavacas, frutas...


E o menino Leonardo ainda resolveu fazer pão:


E só cheguei à residência tarde da noite, estou morta. Amanhã tenho que dar um jeito de trabalhar, chega de bagunça.