sexta-feira, 7 de outubro de 2011

104 - Da Catedral às tapas

Hoje fui conhecer a Catedral de Granada e a Capela Real por dentro. Como não se pode fotografar, vocês vão ter que acreditar em mim (também comprei alguns postais, caso queiram conferir). Devo dizer, como já me sugeriu minha amiga Juliana quando resolvi entrar na Catedral de Salamanca há três anos, que deu vontade de cuspir na porta. Aos mais sensíveis, lamento profundamente a imagem, mas é verdade. Além de grandiosa e sinistra como a catedral salmantina (apesar de ser muito mais clara e cheia de ouro numa mistura de gótico, barroco e renascimento), tem um tal de El Matamoros logo na entrada, que é uma estátua equestre. Para piorar, na lojinha da saída vendem-se até pequenos bonecos de inquisidores. Fala sério! A Capela Real, onde estão os túmulos dos Reis Católicos e de seus filhos, que também é uma coisa sinistra e mórbida, só pode inspirar a sensação de que "graças aos deuses eles já passaram desta para melhor". Tudo bem que tem um museu com peças consideráveis, mas sinceramente fico cansada de ver tanta imagem cristã, aquele moço na cruz e tudo o mais. Saí dali com a sensação de que precisava de umas cañas, mas ainda tinha uma aula de cultura, justamente sobre a noite granadina. Acabou sendo ótimo porque a Aída, que é uma das minhas professoras de língua (mais uma espanhola louca que é muito gente boa), nos convidou para umas tapas e cañas num bar super simpático com imagens de séries dos anos 70 e 80, El Rincón de Michael Landon. Nesta foto, além da própria Aída, está o menino Hugo, um suíço que trabalha na construção civil com um monte de portugueses. Aliás, a Aída viveu um ano em Lisboa dando aulas de espanhol, mas se formou em português e espanhol na Universidade de Granada. É muito engraçado quando ela fala português com sotaque lisboeta.


Antes de enveredar pelo mundo crisão, voltei ao Albaicin, especificamente nas ruas tipicamente marroquinas, com suas lojas, casas de chá, cores, aromas e falares típicos:

 

Acabei achando também uns novos ângulos da Alhambra e mais algumas preciosidades mouras, olhem só:
















Para finalizar, algumas curiosidades:








É isso aí, amanhã vou para Sevilha.


quinta-feira, 6 de outubro de 2011

103 - Alcaiceria, madraza e piononos

Hoje foi um dia light, só fui à aula de manhã (aliás, o curso está sendo bem legal, a turma é pequena, as professoras são uns doces e o pessoal é giro), à tarde fiz a siesta e lá pelas cinco e meia saí para andar por aí. Fui também à estação marcar o meu assento no trem para Sevilha, vou no sábado de manhã. Aproveitei para registrar algumas coisas que tenho encontrado pelo caminho e que me encantam, como esta loja maravilhosa de especiarias, chás, cremes, sabonetes etc. Reparem na armadura na entrada:





Agora a madraza, a universidade islâmica fundada pelo nazari Yusuf I em 1349, que ainda mantém o mihrab (oratório). Esse edifício também foi a primeira sede da cidade no século XVI, da qual também conserva alguns elementos, mas no século XVIII foi refeito e ganhou sua aparência barroca:




 


O contraste: acima o mihrab da madraza do século XIII e abaixo a porta da antiga sede da cidade do século XVII, com a representação de São Cecílio e São Gregório, seus patronos.

Agora a Alcaiceria, um amontoado de antigas ruas comerciais coloridíssimas. Sua entrada principal fica exatamente em frente ao Corral de Carbón já mostrado aqui. Nos tempos dos mouros, a Alcaiceria era o mercado da seda, agora é uma grande feira de artesanato, tudo recentemente renovado, como se pode ver:




E para finalizar o tour de hoje, a Catedral de Granada, um dos grandes símbolos do triunfo dos Reis Católicos e o templo de maior destaque do Renascimento espanhol. Dizem que esta fachada com três arcos era a preferida dos imperadores romanos. Dizem também que seu interior é um dos feitos mais espetaculares da época  (ainda a conferir).


Aqui embaixo também se vê, à esquerda, a torre solitária da Catedral. Normalmente são duas, mas aqui só há uma, sendo várias as versões para isso. Uma delas é que foi para evitar uma desgraça em caso de terremotos, outra é que foi porque, com a saída de judeus e muçulmanos da cidade, acabou o dinheiro.


A torre solitária de uma praça vizinha:


E para finalizar mesmo, os piononos de hoje:


quarta-feira, 5 de outubro de 2011

102 - Alhambra, La Roja ou A Vermelha

Vi com esses olhos que a terra há de comer o último palácio mouro da Península Ibérica, que foi entregue pelo sultão Boabdil aos Reis Católicos - Fernando e Isabel - em 1492 por intermédio de um acordo. Há quem ache que o moço foi um covarde, porque não partiu para o enfrentamento, mas há também quem o considere um herói, porque não houve derramamento de sangue. De qualquer modo, mais que palácio fortificado, a Alhambra era uma cidade com ruas, mercado, mesquita, banhos etc, que começou a ser construída no século XIII pela dinastia nazari. Depois que receberam a Alhambra, os cristãos (mais precisamente o Carlos V, neto dos Reis Católicos) acrescentaram seus próprios elementos, sobretudo o palácio (renascentista), ou seja, uma salada temporal, estilística e cultural. Materialmente falando, algumas partes dessa rica história ainda estão de pé, como pude conferir hoje. La Roja é um grande monumento que sobrepõe várias épocas, com sítios arqueológicos por todo canto, muita coisa em restauração, inclusive o que eu mais queira ver, que era a fonte com doze leões no Palacio de los Leones (que bom que eu tenho um livro em casa cheio de fotos e textos só sobre o assunto), jardins deslumbrantes e uma vista fantástica para Granada. Apesar da frustração leonina e do cansaço (é muito cansativo visitar tudo num dia, ainda mais que a malta estava toda lá), valeu a pena. Seguem algumas fotos:


O Generalife era o palácio de verão dos reis mouros, os Palacios Nazaries (Mexuar, Comares e Leones) foram construídos em épocas diferentes (mas todos no século XIV) e são os que só se visitam com hora marcada, e a Alcazaba é a fortaleza, uma das partes mais antigas da Alhambra, de onde se vê, de um lado, a Serra Nevada (que não está nevada, acho que só a partir do mês que vem), e do outro, a melhor paisagem da cidade.

 Aqui eu estou numa das torres da Alcazaba e ao fundo estão os palácios Nazaries de um lado e o do Carlos V de outro.

E olhem só o que se vê lá em cima 
(no centro da foto é o miradouro San Nicolás de onde ontem eu avistei a Alhambra):


Esta é a Puerta de Vino de um lado (acima) e do outro (abaixo).


Aqui está o que restou do banho da mesquita (além das abluções purificadoras antes das rezas, há também os banhos a vapor para fins higiênicos e sociais):





A mesquita virou igreja:


Vejam um pouco do palácio do Carlos V (um palácio renascentista no meio de uma construção moura, que contraste!):



 
E agora a fortaleza, a Alcazaba:


E os palácios nazaris:










Aqui é onde deveriam estar os leões... E pior que nem pude fotografar a exposição sobre a restauração deles, era proibido.

Alguns pormenores:










E olhem quem apareceu lá também
(um pionono para quem descobrir quem é):