quarta-feira, 5 de outubro de 2011

102 - Alhambra, La Roja ou A Vermelha

Vi com esses olhos que a terra há de comer o último palácio mouro da Península Ibérica, que foi entregue pelo sultão Boabdil aos Reis Católicos - Fernando e Isabel - em 1492 por intermédio de um acordo. Há quem ache que o moço foi um covarde, porque não partiu para o enfrentamento, mas há também quem o considere um herói, porque não houve derramamento de sangue. De qualquer modo, mais que palácio fortificado, a Alhambra era uma cidade com ruas, mercado, mesquita, banhos etc, que começou a ser construída no século XIII pela dinastia nazari. Depois que receberam a Alhambra, os cristãos (mais precisamente o Carlos V, neto dos Reis Católicos) acrescentaram seus próprios elementos, sobretudo o palácio (renascentista), ou seja, uma salada temporal, estilística e cultural. Materialmente falando, algumas partes dessa rica história ainda estão de pé, como pude conferir hoje. La Roja é um grande monumento que sobrepõe várias épocas, com sítios arqueológicos por todo canto, muita coisa em restauração, inclusive o que eu mais queira ver, que era a fonte com doze leões no Palacio de los Leones (que bom que eu tenho um livro em casa cheio de fotos e textos só sobre o assunto), jardins deslumbrantes e uma vista fantástica para Granada. Apesar da frustração leonina e do cansaço (é muito cansativo visitar tudo num dia, ainda mais que a malta estava toda lá), valeu a pena. Seguem algumas fotos:


O Generalife era o palácio de verão dos reis mouros, os Palacios Nazaries (Mexuar, Comares e Leones) foram construídos em épocas diferentes (mas todos no século XIV) e são os que só se visitam com hora marcada, e a Alcazaba é a fortaleza, uma das partes mais antigas da Alhambra, de onde se vê, de um lado, a Serra Nevada (que não está nevada, acho que só a partir do mês que vem), e do outro, a melhor paisagem da cidade.

 Aqui eu estou numa das torres da Alcazaba e ao fundo estão os palácios Nazaries de um lado e o do Carlos V de outro.

E olhem só o que se vê lá em cima 
(no centro da foto é o miradouro San Nicolás de onde ontem eu avistei a Alhambra):


Esta é a Puerta de Vino de um lado (acima) e do outro (abaixo).


Aqui está o que restou do banho da mesquita (além das abluções purificadoras antes das rezas, há também os banhos a vapor para fins higiênicos e sociais):





A mesquita virou igreja:


Vejam um pouco do palácio do Carlos V (um palácio renascentista no meio de uma construção moura, que contraste!):



 
E agora a fortaleza, a Alcazaba:


E os palácios nazaris:










Aqui é onde deveriam estar os leões... E pior que nem pude fotografar a exposição sobre a restauração deles, era proibido.

Alguns pormenores:










E olhem quem apareceu lá também
(um pionono para quem descobrir quem é):


4 comentários:

Odete disse...

Adorei o passeio! Os palácios nazaris são lindos....e claro que eu não poderia deixar de reconhecer a sua sombra tirando foto!!!HAHAHAHA.

Leyla disse...

Oi!Oi! Oi! tudo bem???? Continuo encantada com tanta beleza e, não imaginei que você era tão boa narradora e fotógrafa.Fiquei feliz em saber que muita coisa não foi destruida, pelo menos a parte arquitetónica.Mas o que dizer das bibliotecas, dos livros, do saber daquele povo????Os cristãos eram muito atrasados.Uma pena.Aproveita e vá contando. Um abraço.

A viajante disse...

Que bom que vocês estão gostando! Assim fico mais animada ainda para registrar tudo aqui.

Mãe,
Não é que sou eu mesma? Acertou! Pena que não dá para levar um pionono para você. :-(

Tia Leyla,
Quanto ao atraso, nem mencionei o sistema de abastecimento de água, que até fotografei mas não postei, e que é incrível, ainda tem alguma coisa por lá. Quanto aos livros e os saberes, não vou nem comentar se não acabo defendendo a minha tese de novo. :-)

Beijos, Meninas, e cuidem-se!
Cristina

juliana disse...

que cidade estranha, fascinantemente estranha!