Cheguei na segunda a Lisboa, mas só na terça vim para o
apartamento que aluguei no airbnb, que é muito giro, recomendo. O taxista que me trouxe na segunda para ver o ap se
chama Ricardo e é a cara e o jeito do Raul (meu terapeuta, para quem não sabe), então amei! Já peguei o contato dele,
caso precise, o que é pouco provável porque aqui só ando a pé e de metro. Mas
na terça, para trazer a mala, ele já me deu o bolo, depois disse que dormiu, que
estava com dor de garganta, ou seja, caiu na gandaia ontem, o que realmente me
lembrou ainda mais a cara pisciana do Raul... 😀
Fiquei de segunda para terça no Ibis
porque o ap aqui só ia vagar à tarde. Pena que lá tive que esperar algumas
horas batendo cabeça de sono até conseguir ir para o quarto, mas tudo bem,
acabei dormindo a contento e me recompondo. Reservei o Ibis porque eu sabia
que, apesar de ter vindo na executiva, não conseguiria dormir.

Aliás, valeu cada centavo do caríssimo bilhete. A coisa já
começa boa no aeroporto: não entrei em fila para despachar a bagagem, fiquei
numa sala vip confortável com direito a comer e beber à vontade, inclusive
vinhos e espumantes, sem pressa nem aglomeração, banheiro exclusivo da sala e
poltronas fofas para esperar, ou seja, um oásis. Na hora do embarque também não
enfrentei fila e entrei pela porta da frente do avião com meia dúzia de gatos
pingados (na verdade, pelas minhas contas, são 36 poltronas confortabilíssimas
na executiva, das quais a metade é individual, onde fiquei). E os comissários
da TAP, o que que é aquilo?
Sempre tem uma belezura entre eles para alegrar o dia da cinquentona
aqui presente. Além disso, o serviço é excelente, a comida muito boa (foi até
demais, tendo em vista o horário que comemos – cerca de duas horas depois de
levantar voo às 15:40h em ponto -, mas quis provar tudo desde o aperitivo,
passando pela entrada e prato principal, até a sobremesa) e o vinho, como de
costume, maravilhoso. Antes de chegar ainda serviram uma refeição ligeira, tipo
café da manhã (no horário do Brasil mais ou menos meia-noite), também muito boa.

A chegada no aeroporto foi super rápida, apesar da
expectativa de fila homérica por conta das notícias dos últimos meses de caos
aéreo em Lisboa. Deve ser porque este é o primeiro voo do dia, então não tinha
fila, e o carinha só carimbou meu passaporte, perguntou onde eu ia ficar e
pronto (trouxe aquela papelada toda – comprovantes de: vacinação, hospedagem,
cartão e dinheiro, trabalho fixo no Brasil, passagem de volta, seguro saúde -
em vão).
Na terça vim para cá depois do café no Ibis, comecei a me organizar e logo tomei um susto com o computador, mas nada que o camarada indiano da casa de
informática da esquina não resolvesse. Aliás, estou no Arroios, bairro de
imigrantes, mas, apesar das milhares de lojas de produtos brasileiros,
chineses, africanos e de todos os cantos do mundo (dizem que 59 nacionalidades transitam por aqui!), ao meu olhar, por todos os
lados, só vejo, ouço os falares e sinto os cheiros das especiarias dos mouros
que me inspiraram durante a escrita da tese, ou seja, viajo no tempo e no
espaço a todo instante. Pouco importa a nacionalidade, podem ser indianos da
Caxemira, paquistaneses, árabes de raiz, do Magreb ou de qualquer outro canto
do mundo, mas de uma coisa tenho certeza: são todos devotos do Islã. Hoje mesmo
testemunhei o vizinho da frente na varandinha do apartamento virado para o
leste (Meca) fazendo a sua primeira ou segunda oração do dia (eles têm que fazer cinco orações por dia). O que de novo me
lembra a minha tese, afinal, nessa religião, todos (que estão no ocidente) têm que
saber onde é o leste para rezar, o que não era trivial para quem não conhecia as
estrelas...

Almocei
na esplanada do Veganeats, um vegetariano muito pertinho, certamente vou virar freguesa, mas já vi que há outros também nas redondezas, oba! Fiz compras no mercado, pedi a bênção para o Tejo lá no Cais da Ribeira – que estava lotado de turistas se aglomerando, tô fora! – e comprei meu primeiro alentejano da temporada a preço de banana:
Meus cartões deram
tilt, fiz um procedimento no fone fácil, falei com a minha gerente no Bradesco, e acabou dando tudo certo.