domingo, 6 de janeiro de 2013

133 - A dois em BA

Na quinta à noite, depois do dia de turista, das milanesas e de um reconfortante descanso, Pedro e eu nos animamos para ir ao Palermo Soho, onde eu já tinha ido com mamãe, Edil e Andrea alguns dias antes. Pegamos o subte da Callao até a Plaza Italia, andamos pela calle Jorge Luis Borges, vimos a casa em que nosso querido escritor portenho morou na sua infância e desaguamos na Plazeta Cortázar, onde rola um burburinho de bares, pubs e restaurantes. O lugar é moderninho e a malta estava toda lá. Depois de dar um giro no local, sentamos para tapas e cañas no Cronico Bar: gente bonita, bons videos de música, ambiente simpático e quilmes com patatas bravas. Uma boa noitada em Buenos Aires!

Na sexta, as meninas foram às compras na calle Florida e nós fomos namorar no parque. Realmente os parques de Palermo valem a viagem. Começamos indo de subte até a Plaza Italia e ficando à toa no Jardim Botânico. Pequeno e simpático, trata-se de um oásis no meio da cidade:


Saturnália 

Rômulo e Remo mamando e preparando a fundação mítica de Roma 

Um corredor bucólico oferecendo uma tão necessária sombra num dia quente e úmido 


Depois de bons momentos de ócio, nada melhor que mais ócio. Dirigimo-nos, então, ao Jardim Japonês:










Almoçamos no japa do próprio parque, passeamos mais um pouco e voltamos para o apart de 102. À noite, enquanto as moças foram a um show de tango no Café Tortoni, nós fomos a um clube de jazz - Jazz e Pop - na Paraná logo depois da Corrientes. O lugar é charmoso, a música ambiente divina (trata-se de uma cave mesmo, um típico clube de jazz), mas está precisando urgentemente de uma manutenção e um tratamento contra a umidade, pois o cheiro era de mofo. Relaxamos, tomamos uma cerveja e assistimos a um belo show de jazz-tango-folk levado por Willy González Nuevo Trío. Olhem só um pouco do trabalho deles (só mudou o bandoneonista, que aliás me encantou):


Repararam no tom gauchesco e no baixo de seis cordas do moço? Pois... Extremamente engajados política e literariamente, contaram algumas histórias, cantaram algumas letras aparentemente históricas, mas o que definitivamente me emocionou foi uma música inspirada no Ensaio sobre a cegueira, do Saramago. Não pude conter as lágrimas quando eles falaram do livro e do autor.

Fechamos a noite no Palacio de las papas fritas (na Corrientes), comendo o melhor bife de chorizo que provei em território portenho. Claro, acompanhado de papas fritas. A especialidade do restaurante são aquelas batatas estufadinhas, também chamadas de pastel ou suflê.

132 - Amigos, mães, Malba e pizza

Na quinta de manhã, o Edil deixou alguns livros dele comigo para aliviar um pouco da sua bagagem (ele volta para o Rio na segunda, depois de uma temporada de seis meses em BA), conversamos um pouco e combinamos de nos encontrar para almoçar num restaurante peruano perto do Congresso. Acabamos num self-service genérico, porque o peruano estava fechado, mas tudo beleza. Juntou-se a nós a Melina, amiga peruana do Edil que já havíamos conhecido no Natal. Segue o registro que a mamãe fez:


Depois fomos ver a manifestação das Mães da Praça de Maio, que acontece toda quinta-feira à tarde há décadas. Tirei a foto abaixo, mas tive que parar porque a parada é realmente triste. A manifestação é pelos desaparecidos durante a ditadura, mas a praça é realmente uma ágora ocupada por todo tipo de luta.


Depois disso, só a arte salva: emendamos no Malba...


E olha quem estava lá! A gloriosa Tarsila...


Belo museu, bom tamanho, mas o meu estado era deplorável, estava muuuito cansada e com dor nas costas, então o aproveitamento foi mínimo. Mais um bom motivo para voltar... Finalizamos o dia numa pizzaria perto do apart - El cuartito (Talcahuano 937) - considerada por alguns a melhor da cidade. Ótima pizza, atendimento usual (ligeiramente rude), ambiente barulhento nos padrões de qualquer restaurante família (tipo Majórica ou parmê) e com as paredes cheias de fotos antigas de figuras ilustres do país, clubes de futebol, filmes etc.

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

131 - Mafalda, Palermo e vida de turista

Ontem pegamos um daqueles ônibus de turismo amarelinhos tão recomendados pela Tânia e nos divertimos deveras zanzando pela cidade sobre quatro rodas ao lado de um monte de outras gentes. Ele passa em todos os pontos turísticos e, como o bilhete vale para um dia inteiro e é possível saltar e embarcar de novo onde e quando bem se quiser, este é um passeio que vale muito a pena. Pude rever algumas coisas e ver outras que ainda não tinha visto, isso sem falar no panorama geral da cidade que se pode ter numa volta desse tipo. O site é este aqui: http://www.buenosairesbus.com/, e olhem só o busum (foto capturada aqui):


Saltamos na Recoleta e fomos comer no El club de la milanesa (Azcuénaga 1898), em frente ao cemitério e ao lado do Recoleta Mall. Ambiente moderninho especializado nessa iguaria típica. Como já não aguentava mais comer carne, pedi uma de peixe (delícia!) e saladinha para acompanhar, mas vale lembrar que o purê de batata que a Tia Leyla pediu estava divino. Mamãe e Julia ainda embarcaram de novo no busum para conferir o Caminito, mas as minhas costas clamavam por uma banheira e água quente.

Na terça de manhã fomos conhecer os parques de Palermo, que são grandiosos e lindos, um ótimo passeio. Pena que, por ser feriado, alguns estavam fechados, como o Jardim Japonês e o Roseiral. Mas tudo bem, este é um bom motivo para lá voltar:


O tempo estava super agradável, a temperatura baixou bem e tivemos que nos agasalhar um pouco. Lá também se encontra o planetário Galileu Galilei. É uma construção modernosa, tipo o cogumelo de concreto da Biblioteca Nacional já devidamente registrado num post anterior.


Enterramos os ossos numa macarronada feita a quatro mãos e regada a mais um ótimo vinho nacional (já havíamos nos preparado e ido ao supermercado, já que no dia primeiro de janeiro quase nada abre por aqui) e, no fim da tarde, fomos procurar a Mafalda numa esquina de San Telmo. E não é que a encontramos? Olhem só:


Claro que a mamãe não resistiu ao abraço:


E nem o Pedro a uma cantada:



Seu bairro é San Telmo, sua aldeia, o mundo.

terça-feira, 1 de janeiro de 2013

130 - Feliz Año Nuevo desde BA

Hoje fomos conhecer Puerto Madero, com uma passada pela Praça de Maio, para mostrar a Casa Rosada, o Cabildo e a Catedral para o Pedro e a Julia. O tempo ficou instável, bateu um vento sinistro, chegou a cair umas chuvas ocasionais, mas deu tudo certo. Conseguimos conhecer esse badalado canto de Buenos Aires, área portuária revitalizada há alguns anos, como se pretende fazer no Rio de Janeiro. Oxalá esse projeto dê certo na cidade maravilhosa também! Seguem algumas imagens da solução portenha:


 .
Acima se vê a Ponte da Mulher, do arquiteto espanhol Santiago Calatrava. Abaixo, mamãe e tia Leyla à frente de uma fragata-museu hermana que já cruzou várias partes do mundo.




As duas fotos acima foram tiradas no metrô histórico, a linha A do subte portenho, que, como já falei em post anterior, é a mais antiga da cidade, e às vezes roda com seus vagôes de madeira deveras charmosos. Aliás, amanhã eles entrarão em manutenção por tempo indeterminado, ou seja, demos a maior sorte, pois eles ficarão fechados um bom tempo. Abaixo, Mafalda antiplatônica numa azulejaria da estação Catedral.




Depois de um papo em torno de uma mesa de queijos e frios, abrimos um espumante nacional à meia-noite e saudamos o ano novo de coração aberto. Que venha 2013!

segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

129 - San Telmo com a tripulação completa

No sábado juntaram-se a nós os membros da tripulação que estavam faltando: Pedro e Julia. Depois da sua devida instalação, fomos explorar uma parrillada que fica aqui em frente ao apart (Marcelo T. de Alvear entre Paraná e Montevideo), Parrilla Di Carlo. Cara de boteco, atendimento de boteco, mas é normalmente nesses lugares só frequentados pelos locais que podemos obter as melhores experiências de uma viagem. E foi esse o caso, apesar de carne não ser exatamente o meu forte. Saímos de lá com cheiro de churrasco, mas alguns de nós tomaram a cerveja mais barata que vimos por enquanto (porque os preços aqui estão bem salgados) e fizemos uma boa refeição, a melhor carne provada até agora, segundo alguns membro da trupe. Julia e eu tomamos um bom malbec nacional a preço honestíssimo. Depois fomos dar uma volta na vizinhança, e voltamos à livraria El Ateneo e ao café Havanna. À noite comemos empanadas com cerveja num lugar dedicado a um bandoneonista de que nunca tinha ouvido falar, mas que nos foi apresentado pelo som ambiente: Anibal Troilo. As empanadas estavam deliciosas, a cerveja, cara, o atendimento, sofrível (outro fenômeno generalizado por aqui), mas o lugar é giro e a música também: La esquina de Anibal Troilo, no encontro entre as calles Paraguay e Paraná, também aqui do lado do apart. Pedro e eu ainda tentamos uma noitada de jazz. Fomos ver onde era o Jazz e Pop, recomendado pelo Edil (parece que é um clube de jazz mesmo, numa cave na Paraná quase logo depois da Corrientes), mas não entramos. Nosso destino era o Notorious (na Callao quase na esquina da Marcelo T. de Alvear), onde já tinha ido com a mamãe no primeiro dia por aqui e que no sábado oferece entrada grátis na jam session depois da meia-noite. Ficamos para a primeira música (um quarteto cujo trompetista-cantor fazia cover do Louis Armstrong) e fomos embora, porque já estávamos cansados. Foi legal porque caminhamos um pouco pela Corrientes - a rua que nunca dorme - onde há enormes teatros, milhares de livrarias (todas abertas àquela hora da noite) e muuuitos cafés, restaurantes, sorveterias. Finalmente vi o simpático café El gato negro, recomendadíssimo pela Fernanda. Acho que a mamãe ia gostar, vamos ver se consigo ir lá com ela.

Ontem fomos todos a San Telmo, debaixo de um sol de lascar. Apesar do programa de índio (a turistada estava toda lá), foi giro. Vejam só:

Esta é a entrada do Mercado de San Telmo pela calle Defensa. Esse mercado coberto existe desde o fim do século XIX. Aliás, San Telmo é o bairro mais antigo da cidade, com seus casarios seculares, ruas estreitas e clima de Santa Teresa, Lapa, Bairro Alto e afins. Há lá um mercado normal de frutas, legumes, verduras, queijos, carnes etc., cercado de lojas de antiguidades, roupas, livros, discos, lembrancinhas e todas as coisas que se pode imaginar por todos os lados. A calle Defensa, toda de paralelepípedo, fica fechada para pedestres aos domingos, então a malta vai toda lá. Paramos para comer no Mi Tío, na esquina com Carlos Calvo, porque o recomendado El desnível estava muito quente, o garçom não foi lá muito amigável e uns brasileiros que estavam lá nos disseram que a cerveja também estava quente. Mas eu ainda quero voltar lá para comer o tal do choripán (pão com chorizo, a nossa linguiça) que o Edil falou que é uma delícia.



Andamos mais um pouco até a feira de San Telmo propriamente dita, que fica na praça Dorrego, onde se encontram antiguidades, artesanatos e curiosidades de todos os tipos, mas o que nos fez parar foi o tangueiro com cara e chapéu de Deleuze que foi dançar com uma senhora ao som de dois músicos que já lá estavam tocando um belo som.



Isso foi na própria praça Dorrego, na esquina com Humberto Primo. Olhem que curioso o papagaio de pirata que saiu rindo no fundo!



Acima, os tangueiros de lata que se encontram na Pasaje de La Defensa, uma ex-mansão e ex-cortiço que virou um espaço alternativo de artistas, artesãos etc. Abaixo, mamãe e tia Leyla na entrada do local.


Sentamos numa sombrinha para descansar ao lado desta senhorinha que tocava suas latinhas discretamente, quando de repente ela nos surpreendeu soltando uma voz jazzeira maravilhosa. Ela tinha uma plaquinha interessante: show me the money.


Para finalizar, mais tango-jazz de esquina, com este pequeno grupo que tocou até Piazzola:


Repararam no cartaz ao fundo? Pois... Fomos lá conferir e olha eu aí de ET:


Já havíamos colocado as moças num taxi e andamos até a estação San Juan do subte. Observem a azulejaria moura acima de nós. Na ida, observamos algumas paisagens espanholas em outras estações também:



sábado, 29 de dezembro de 2012

128 - Sobre ônibus, cemitério e biblioteca

Ontem pegamos um busum aqui na Paraná e saltamos no Cemitério da Recoleta. Como já disse antes, os ônibus aqui são fofos, olhem só o 102 que nos transportou:


Em vez de explorar o cemitério (quem quiser ver fotos lindas de lá, clique aqui para ver o blog do Edil), as moças preferiram a Mafalda na feira muito boa que rola por ali (Feria Plaza Francia):


Depois fomos ver a Igreja Nossa Senhora do Pilar, que abriga um pequeno museu no seu claustro colonial, onde achei a foto da direita (acho que do século XIX) logo depois de ter sacado a da esquerda, que, por sinal, ficou muito gira:



Na entrada da igreja, esta linda azulejaria de Buenos Aires, 1794:


Almoçamos uma massa num pub irlandês (que, por mais bizarro que pareça, estava ótima) e, depois, enquanto as moças exploravam o Museu de Belas Artes, eu fui à Biblioteca Nacional (cuja arquitetura é imperdível, parece um cogumelo de concreto) deixar um exemplar do meu livro e fazer uma rápida pesquisa bibliográfica:


Curioso é que três ruas em torno da biblioteca se chamam Copérnico, Galileu e Newton. Só faltou Ptolomeu! Na volta pegamos novamente o 102 e em frente ao ponto encontramos a Faculdade de Engenharia da UBA, que está  precisando de manutenção urgentemente, mas é um belíssimo exemplar neogótico:


Arrematamos com um sorvete maravilhoso que tem aqui na esquina e uma nova investida numa panadería da região para adquirirmos víveres para a refeição noturna. Uma maravilha os quitutes dessas confeitarias portenhas, sobretudo regados a um belo vinho nacional.