domingo, 30 de abril de 2017

172 - Papo de tradutor 2


Para finalizar o registro desta semana de trabalho e novos contatos no Porto, conheci o Vítor Guerreiro, colega tradutor e filósofo, com doutorado em filosofia da música, responsável por uma das duas últimas traduções portuguesas da Origem, que saiu primeiro em 2009 pela Editora Guimarães e pelo Círculo dos Leitores, e depois pela Verbo-Babel  em 2011. Vítor nasceu no Barreiro, do outro lado do Tejo, estudou filosofia na Universidade de Lisboa, mas mudou-se para o Porto, segundo ele levado pelo coração, onde terminou o doutorado recentemente. Às vezes oferece cursos livres e seminários na Universidade do Porto, ainda existe um vínculo acadêmico informal. É autor de um livro sobre filosofia da música e coautor de um dicionário escolar de filosofia, além de artigos e, claro, várias traduções, inclusive no site Crítica na Rede, que eu até já conhecia de outros carnavais. Evidentemente, a filosofia foi onipresente nessa conversa. Falamos um pouco de história da filosofia e história da ciência, além de literatura, cinema e política.

Vítor é um tradutor prolífero e metódico, que está no mercado há cerca de 12 anos e que, de maneira geral, consegue escolher o que vai traduzir. Apesar de se reconhecer como um tradutor, que, por definição, acaba sendo um especialista em várias coisas, ou melhor, um generalista - ele mesmo já estudou tintas, ourivesaria, além de piano e línguas, entre diversos outros assuntos -, sua produção tradutória está mais relacionada à filosofia. 

Eu diria que ele é também um tradutor-filósofo, que pensa sobre o que faz e que vive com intensidade o tema da vez. Claro que não poderia ser diferente com a Origem, principalmente pelo caráter filosófico desse livro e por seu interesse pelo assunto já anterior à tradução, com leituras transversais e de comentadores, inclusive durante a graduação. Apesar de a família ser da construção civil, lembra-se da biblioteca do avô como referência marcante na sua vida, inclusive com a presença de Darwin.


Gostei de algumas coisas que ele disse, como "traduzir bem é ter ouvido para a música da língua materna", ou "a tradução é um contributo para alargar as fronteiras da língua". Mas discutimos um bocado sobre a questão da invisibilidade da tradução, já que ele, a princípio, defendeu que tradutor bom é tradutor invisível, fiel ao autor, ao texto e à língua de chegada. Como assim, cara pálida? Aí eu puxei a própria tradução dele, na qual já tinha dado uma olhada na BNP, e que me tinha chamado muito a atenção justamente por uma bela nota no título, que eu, como leitora do Darwin e tremendamente incomodada com certas escolhas terminológicas tipicamente novecentistas dele, adorei. Ou seja, ele, o tradutor, mostrou a sua cara de cara, fazendo escolhas explícitas e justificando. Isso está bem longe das noções de invisibilidade e de fidelidade que o Vítor estava defendendo. Mas isso, diz ele, é nota de tradutor, não conta. Como não?


Sobre a sua tradução da Origem, foi um convite de Jorge Reis Sá, da Editora Quasi, mas, quando ele terminou o trabalho, seis meses depois, esse projeto já estava com a Guimarães. Diz que foi relativamente bem pago, e - que os editores não nos leiam! - que o faria mesmo de graça. Para Vítor, a Origem é um tipo de tradução que se faz pelo prazer, pela satisfação do trabalho bem feito (estampada na cara dele na foto acima). Ademais, para ele, a escrita de Darwin é boa, flui, parece um texto escrito ontem. Claro que exigiu muita pesquisa e, ao final, ele fez um cotejo linha a linha com o original, além de contar com a revisão técnica de Paulo Gama Mota, a quem consultou de vez em quando, bem como outras traduções, para comparar soluções de problemas específicos. Aliás, ele trabalhou sobre um original fac-símile da primeira edição, que doou para a Universidade do Porto quando terminou o trabalho.


Ótimo papo! Assim como a Ana, parecia que éramos velhos amigos. Aliás, quem sabe numa próxima vez não promovo um encontro desses dois tradutores de Darwin? Seria giro. Depois dessa conversa, ele me desafiou para um gamão, que eu não jogava há séculos (joguei muito isso com o meu pai). O papo continuou, e ele ganhou o desafio por 2 a 1. Agora me deve uma revanche!


171 - Papo de tradutor 1


Ana Afonso nasceu em Viana do Castelo, formou-se em letras (estudos da tradução) pela Universidade do Porto, e o seu trabalho com tradução é eventual e em várias áreas, sendo que traduziu por um bom tempo, e com um certo reconhecimento, no ramo de vinhos do Porto. Ela é a responsável pela tradução de uma das duas últimas traduções portuguesas da Origem, que saiu pela Editora Planeta Vivo (atual Exclamação) em 2009. 


No nosso papo de tradutoras num fim de tarde no Bairro das Artes, além de muita coisa em comum, como o gosto pelas artes (ela mora e trabalha por ali), pela política (ela trabalha no sindicato dos professores!) e pelo trabalho investigativo da tradução (até contato com a sociedade columbófila ela fez para dar conta da terminologia técnica da Origem), a Ana revelou mais alguns detalhes sobre essa edição.

Gostei do termo que ela usou ao se referir à sua aceitação do desafio de traduzir a Origem: "ignorância atrevida". Embora tenha sido o trabalho mais mal pago da sua vida, que lhe exigiu quatro meses de dedicação exclusiva (foi morar com os pais para poder dar conta do recado), a Ana não se arrepende da experiência, diz que ficou satisfeita com o resultado final, apesar do gosto amargo de não lhe ter sido permitido fazer a revisão que gostaria. Parece que rolou uma pressão da editora, que planejava a publicação para novembro de 2009, na mesma época em que, 150 anos antes, saiu a primeira edição da Origem. Ademais, reclamou de uma revisão inicial feita pelo editor: "Ele mexeu nas minhas vírgulas!". Para uma tradutora-revisora exigente, isso é inadmissível, sei bem como é. Ela também não gostou da diagramação final do livro, que também passou pela sua mão, ocupando-lhe tempo precioso que poderia estar sendo gasto com revisão. 


Uma coisa interessante sobre o processo tradutório dela é que, às vezes, quando a vista estava cansada, ela ouvia uma versão em áudio do livro e já ia se familiarizando com o texto original. Outra coisa é que ela consultou outras traduções, inclusive em outras línguas, para comparar as soluções de problemas cabeludos. 

O papo fluiu como se fôssemos velhas amigas, inclusive, claro, mudando de assunto diversas vezes, mas um ponto me chamou a atenção: o preconceito com traduções brasileiras, que ela relatou ser comum por aqui. Eu não sabia disso. Bem, nunca tinha me tocado disso, mas, se pensarmos bem, o contrário também acontece. Várias vezes já ouvi conterrâneos reclamando de traduções portuguesas, até da própria literatura portuguesa, por não se reconhecerem ali naquelas construções gramaticais e estilos tipicamente lusitanos. Pois... 

Saímos dali caminhando pelos altos e baixos dessa bela cidade, conversando animadamente sobre música, arte em geral, política e a revitalização da cidade. Uma sensação boa de camaradagem. Ela me acompanhou até a estação do metro Trindade, onde ainda paramos e continuamos a conversa. Curioso é que, quando ela fez um comentário sobre a presença das gaivotas no Porto, que estão cada vez mais entrando na cidade como se fossem pombos, deslocadas dos arredores do rio em busca de comida, não deu para não lembrar da Origem e de Darwin, um dos primeiros ecólogos. Será que ela se tocaria disso se não tivesse traduzido esse livro?

sábado, 29 de abril de 2017

170 - Palmas ao tradutor

Palmas ao tradutor, esforçado xavante,
Guarani culto e sábio ou famoso tupi,
Mestre no deglutir [...]
(Carlos Drummond de Andrade, Amar se aprende amando)

Estes são os tradutores das duas últimas edições portuguesas do livro A origem das espécies, de Charles Darwin, ambas publicadas independentemente em 2009 pelas editoras Guimarães e Planeta Vivo, e de originais diferentes. A da Guimarães é uma tradução da primeira edição (1859), e a da Planeta Vivo, da sexta (alguns consideram sétima), de 1876. Tive o prazer de conhecê-los na minha visita ao Porto da semana passada. Olhem que caras boas apareceram para esse papo de tradutor:

À esquerda, Ana Afonso e eu em frente ao Centro Comercial Bombarda, no chamado Bairro das Artes, e com o (segundo ela) coração mais famoso da cidade ao fundo. À direita, Vítor Guerreiro e eu no restaurante Divan, com a Origem traduzida por ele para a editora Guimarães numa mão e um tabuleiro de gamão na outra, que ele trouxe num dos alforges da sua bicicleta.

Palmas também ao editor da ex-Planeta Vivo, agora editora Exclamação, Nuno Gomes, que comprou um barulho daqueles com um projeto tradutório ambicioso, que pretende publicar a obra completa de Darwin pela primeira vez em português. Ao contrário do que eu pensava, pois tivera acesso ao arquivo eletrônico desse livro há cerca de quatro anos, há uma versão impressa dessa edição, como se vê na foto abaixo:


Foi um prazer conhecer essas pessoas, cada uma com suas histórias e experiências, compartilhadas comigo generosa e amigavelmente. Nuno, por exemplo, nasceu em Viseu, é biólogo e mestre em ecologia pela Universidade do Porto. Além de editor, trabalha com o desenvolvimento de tecnologias de tratamento de água e se interessa por Darwin desde a graduação, quando leu a Origem por conta própria e logo percebeu problemas de tradução. Aqui, como no Brasil, a formação em biologia não requer essa leitura, o que sempre lhe causou espanto, pois considera a teoria da evolução por seleção natural como o cerne da biologia, fundamental para conhecer o humano e as relações ecológicas, apesar de a seleção natural não explicar tudo. Na nossa conversa, deu para perceber o entusiasmo dele com essa teoria, que lhe permite entender a diversidade da vida no nosso planeta. 

Quanto ao projeto, do qual se orgulha deveras, a ideia é publicar a obra completa de Darwin. Além da já publicada Origem, cuja tradução é de Ana Afonso, estão no forno os livros A ascendência do homem e Variação sob domesticação I. O primeiro traduzido por Paulo Lima Santos, e o segundo, por José Bernardo Madeira. Nuno confessa que foi ingênuo no início, achando que daria para realizar esse projeto em cinco anos. Aos poucos, ele viu que isso não seria possível, que a tradução é uma etapa complicada, trabalhosa e cara, bem como a diagramação, que foi refeita, inclusive da Origem, que deve ganhar uma edição revisada e de cara nova em breve (na foto, ao lado dos livros, há uma folha com o planejamento de todos os 20 volumes dessa coleção). A meu ver, é um projeto para a vida toda. Sobre como escolher os originais, Nuno diz que adotou o critério de publicar sempre as últimas edições, pois elas foram revistas em vida por Darwin, mas sabe que este é só um critério, não é melhor nem pior que outros.

Eis o cartaz de divulgação da coleção Planeta Darwin da Editora Exclamação. Vida longa! 

O Nuno me passou o contato da Ana, a tradutora da Origem dessa coleção, de quem falarei em postagem separada.

quarta-feira, 26 de abril de 2017

169 - Braga com um pulo em Guimarães

Brilha (no centro), Teresa (á direita) e eu (à esquerda) na praça da prefeitura

Peguei um comboio regional na Estação São Bento, que vai parando em todas (ou quase todas) as estações entre o Porto e Braga. Num ritmo que a minha alma consegue acompanhar, cheguei em uma hora e pouquinho a Braga, é bem pertinho. Teresa e Brilha, seu maridão, me pegaram na estação com uma vasta programação social: almoço vegetariano, degustação de vinhos em Guimarães e reunião com petiscos veganos e vinhos na casa de uma amiga. Juntou-se a nós uma conterrânea, Glória, professora da USP que está fazendo um pós-doc aqui com o Brilha.

Começamos num ótimo vegetariano no centro histórico - o restaurante Hibiscus (Largo de São Francisco 32). Claro que, para chegar lá e depois na saída, passamos por uma parte do centro da cidade a pé, e deu para dar uma boa olhada em tudo. Bela cidade, com muita arquitetura barroca, que me lembrou um pouco nossas cidades históricas de Minas, e detalhes góticos entre outros. Depois fomos na degustação de vinhos em Guimarães, no restaurante A Cozinha, no Largo do Serralho. Guimarães é o berço de Portugal, uma cidadezinha tipicamente medieval, com um clima meio espanhol, bem pertinho de Braga. Sempre quis conhecê-la. Claro que foi só uma passagem, mas deu para ter uma ideia. Apesar de pequena, rolou uma consulta ao GPS para vencermos as vielas, arcos e praças, e chegarmos ao local:


Foi uma tarde maravilhosa, com a presença do chef, António Loureiro, que serviu petiscos de primeira para acompanhar os vinhos alentejanos da Herdade Malhadinha Nova, que degustamos ouvindo histórias sobre a vinícola, seus vinhos e sua produção.

Este é um dos rótulos fofos (uma vaca-abelha?), todos feitos pelos filhos dos donos

fonte: wikipedia

De volta a Braga, fomos à bela casa da amiga da Teresa, que também se chama Teresa (Tisha). Sua irmã, Alexandra (Xana), estava amorosamente preparando quitutes veganos para um batalhão. Ambas são professoras, amigas da Teresa da época que ela também dava aulas. Estava tudo maravilhoso, comemos muito bem. Seus vizinhos brazucas, Rô (do RS) e Fabrício (de MG), levaram os ótimos vinhos que nos divertiram a noite toda. Ainda estavam lá a amiga Nanda e sua filha, Ruth, a mãe da Tisha e da Xana, dona Augusta, os filhos de Rô e Fabrício e uns cinco gatos. Noite luso-brasileira divertidíssima, com ótimo papo, companhia agradável e muito boa música, animada pelo "não vale ver" da Tisha tentando nos surpreender com suas escolhas no Youtube. O giro é que, quanto mais ao norte, mais a pronúncia do v parece b, então parecia que ela falava "não bale ber". Adoro isso! Até dançamos um pouco! Muito giro conhecer as amigas da minha amiga e me sentir parte dessa rede de afetos.

No dia seguinte almoçamos em casa uma comidinha feita pelo Brilha e à tarde fomos andar um pouco pela cidade com direito a café com jesuíta (o doce!) e pastel de nata n´A Brasileira:

Foto de Béria Rodríguez (fonte: wikipedia)

Jesuítas no site visao.sapo.pt




É neste espaço cultural que a Teresa participa de um grupo de teatro que, entre outras coisas, faz leituras dramáticas semanais de várias peças giras. Capturei esta foto aqui.


Antes de dormir, ainda tomamos uma sopinha e assistimos ao primeiro episódio dos Sopranos, série que eles se amarram, mas que eu nunca havia assistido. Danou-se, mais uma série para a minha coleção... No dia seguinte fiquei explorando a biblioteca da casa enquanto eles trabalhavam, rolou mais uma vez uma comidinha gira do Brilha:


E, no fim da tarde, embarcamos de volta para Lisboa no comboio das 18h:




168 - De volta ao Porto


Na semana passada fui ao Porto entrevistar dois tradutores e um editor das duas mais recentes traduções da Origem em Portugal, mas falarei sobre isso numa postagem separada. Vou registrar aqui algumas impressões dessa semana no norte do país, que começou no Porto e depois se estendeu a Braga, com direito a uma tarde em Guimarães, o berço da nação. Sobre essa extensão também falarei depois.

Já estive no Porto em 2008, como se pode ver aqui, aqui, aqui e aqui, quando fiquei muito pouco tempo numa época de férias (agosto), andei pelo centro à noite num dia de eclipse e tive uma impressão sombria dessa cidade meio gótica, que realmente é muito diferente de Lisboa, que é mais solar. Mas dessa vez tive um outro tipo de experiência, até porque a cidade realmente mudou um bocado, o centro está sendo revitalizado e tem muito mais movimento. Apesar de a cidade estar cheia de obras e turistas, pude curti-la bem mais, não só porque fiquei mais tempo, mas também porque conheci gente daqui - o pessoal que entrevistei -, o que foi muito giro por si só, mas também me fez me deslocar mais pela cidade, pois conversei com eles em três lugares diferentes, cada um num dia. Além disso, fiz o meu tour vegetariano, cada dia num lugar diferente também, o que me permitiu passear e me perder pelas subidas e descidas das ruas do centro. Nada como juntar trabalho e prazer! Vejam algumas fotos de então que não entraram no blog na época:

Praça dos Aliados

Praça da Ribeira

Muro Fernandino


Bons serviços prestados pelo metro, que, curiosamente, reconheceu o meu passe de nove anos atrás, só tive que carregar. Em Lisboa, o passe de transporte só vale por um ano, então tive que comprar um novo. Agora algumas fotos desses dias:

Torre dos Clérigos



As três acima, colocadas uma ao lado da outra, mostram a bela vista de 180 graus a partir do Miradouro da Vitória, de onde pedi para uma gringa tirar a foto minha que abre esta postagem. 

Esse miradouro fica ao lado de um dos três vegetarianos que conheci nessa viagem, O Oriente no Porto, na rua de São Miguel 19, que, apesar de não ter arroz integral, é honestíssimo. Havia francesinha (prato típico já descrito aqui) vegana, mas fui no prato do dia (que é feito na hora, demora um pouquinho) com suco, sopa e sobremesa. Fiquei numa mesa super aprazível perto da porta da varanda, estava uma brisa agradável e dava para ver as gaivotas. Os outros dois foram o Da Terra, na rua Mouzinho da Silveira 249, e o Cultura dos Sabores, na rua de Ceuta 80. Ambos excelentes, com self-service gourmet. Paguei algo em torno de 10 euros nos três. Nesse último comi num balanço (!), olhando o movimento na rua, de frente para a livraria Almedina, muito giro.

Claro que fui de comboio, o meu meio de transporte preferido, que, de Lisboa ao Porto no trem rápido (Alfa Pendular) leva menos de três horas. Quando cheguei em Campanhã, já senti a diferença na estação, que estava lotada. Fiquei um pouco cansada, já era noite, então, em vez do metro, peguei um táxi até o hotel com um taxista bem antipático. Como da outra vez, fiquei no Ibis São João, sem surpresas. Na ida para Braga, embarquei em outra estação, a histórica São Bento. A turistada fica louca com os azulejos azuis, o teto onde estão gravados os nomes dos rios Douro e Minho, o relógio da estação. Não fotografei, mas capturei estas fotos no Google:




terça-feira, 25 de abril de 2017

167 - Foi bonita a festa, pá

Teresa e eu na Avenida da Liberdade

Hoje é dia 25 de abril de 2017. Há 43 anos ocorreu a Revolução dos Cravos, o início do fim da ditadura em Portugal. Fui à "manife" com minha amiga Teresa, celebrar a liberdade junto ao "povo que mais ordena dentro de ti, ó cidade". Lembrei-me deveras do filme Capitães de Abril, de Maria de Medeiros, que vi em 2000 no Cine Joia, sobre essa bela história, que deve ser motivo de orgulho para os portugueses. Acho que dá para ver o filme todo no Youtube, mas segue abaixo o trailer:


A música que toca no início do trailer é um dos símbolos da revolução, Grândola, vila morena, de Zeca Afonso, que começa assim: "Grândola, vila morena / Terra da fraternidade / O povo é quem mais ordena / Dentro de ti, ó cidade". Vejam uma bela versão ao vivo (preparem-se porque é de chorar):


Hoje tive a oportunidade de cantar com os alfacinhas essa música na Praça do Rossio, onde foi a dispersão da manifestação. O giro é que o evento começa no Marquês de Pombal:


E desce a Avenida da Liberdade, rolando meio que um desfile de vários partidos, sindicatos e outros grupos políticos, que entoam suas palavras de ordem:






Tudo termina no Rossio, com uma curta falação e o canto da "Grândola", onde o pessoal começa a dispersar, mas não sai das ruas:


Depois dessa bela caminhada, fomos comer e beber na Champanharia do Largo, agradável bar-restaurante no Largo da Anunciada, ao pé do Elevador do Lavra. Carlos e Dani também compareceram, e o papo luso-brasileiro foi muito bom:


Para finalizar este dia de grandes emoções, nosso querido Chico Buarque: