sábado, 20 de agosto de 2022

Mais encontros

Ontem fui à Livraria da Travessa encontrar o prof. Augusto Fitas e, claro, meu velho amigo Carlos, que lá trabalha. O detalhe é que quem sugeriu a Travessa foi o Fitas, mais uma "pura coincidência", já que eles não se conheciam, ou melhor, até se conheciam pois o Fitas costuma frequentar a livraria, mas nunca tinham sido apresentados... 

Olha o Carlos aí, gente!

Livros entregues (eles ganharam exemplares do meu segundo livro sobre o Tetrabiblos e, para o Fitas, levei também o último livro do Antonio Augusto), fui na Pastelaria Cister com o Fitas e ficamos ali um tempão conversando. Ótimo papo sobre Brasil, Portugal, história, filosofia, literatura, questões sociais, guerra, língua, preconceitos e, claro, memórias. Ele me contou sobre o tempo em que estudava ali mesmo em frente, na Escola Politécnica, e ia assiduamente nesse histórico café, que, no século XIX, era "frequentado por Eça de Queiroz quando começou a viver em Lisboa e por onde passaram, ao longo de século e meio, todos os estudantes que em Lisboa estudaram ciências". Diz ele que sempre que vai a Lisboa (ele mora em Évora) tem que voltar àquele lugar de tão boas memórias.


Professor Augusto Fitas, figura ilustre da minha história com Portugal

Depois disso saí andando lépida e fagueira, e passei na porta d´Os Tibetanos, um restaurante vegetariano daquela região que eu adoro. Estava fechado naquele horário, mas vi que está funcionando, sobreviveu à pandemia! Aproveitei que estava por ali e fui até a Cinemateca, um dos meus lugares preferidos de Lisboa. Entrei, peguei a programação, sentei no café e acabei não resistindo a comer uma tosta acompanhada de um abatanado. Fiquei sabendo também que eles estão fazendo sessões na esplanada durante o verão, o que me parece muito giro!


sexta-feira, 19 de agosto de 2022

Memórias, sonhos e conexões


Vou falar um pouco sobre algo que me marcou na travessia Rio-Lisboa. Até tentei dormir, porque estava super confortável (vim na executiva, depois descrevo detalhes), mas não adianta, não consigo mesmo. 

Li o livro todo que a Beth me emprestou da Margareth Atwood, A odisseia de Penélope, do qual, confesso, esperava mais. Decerto que a expectativa de ler o que a autora de O conto da aia escreveu sobre a minha tão cara Odisseia atrapalhou, sem falar que ler em trânsito também não ajuda. Acho que vale a pena reler e dar outra chance ao livro... 

A boa surpresa mesmo foi o belíssimo documentário português que assisti: Insha´Allah- perdidos no berço do Islão, de João Brandão e com João Amorim e António Pedro Moreira. O filme está inteiro no youtube, é só clicar aqui. Trata-se de uma viagem pela Arábia Saudita de dois portugueses pegando carona e vivendo cada instante dessa experiência fantástica. Destaco a seguinte passagem sobre vida, viagens, plena atenção e memórias, que me toca sobremaneira: 

"A cena que eu mais curto em viagem é que faz-me sentir plenamente aqui [...]. Se quando eu viajo consigo lembrar mais dos meus dias, quer dizer que ganho mais memórias; se a vida são memórias, viajar dá mais vida [...]." (1:06:41-1:07:42, 1:09:53-1:10:30).

Para quem não sabe, o título desta postagem, que usei numa "intervenção" artístico- terapêutica que fiz numa das paredes da minha casa, é inspirado no livro de Carl Jung, Memórias, sonhos e reflexões:






Primeiros encontros da temporada

 

Ontem foi um dia de grandes emoções. Almocei com D. Rosa - minha mãe portuguesa - e seu filho Paulo numa marisqueira que abriu ao pé da Residência Paz, local onde passei as minhas duas primeiras temporadas nessa terrinha maravilhosa:

Vale dizer que, por aqui, marisqueira é o nome genérico para restaurantes de frutos do mar, então temos peixes fresquíssimos à mostra no gelo e caranguejos e outros bichos do mar vivos num aquário. O nome desta é Verde Mar, muito gira!

Matamos as saudades, começamos a colocar em dia as notícias das nossas vidas e lembramos de bons momentos das outras temporadas. Pedimos sardinha assada com batatas, o Paulo pediu piano, que é a nossa costelinha, mas, segundo a D. Rosa, ao contrário da nossa costelinha brasileira, a daqui é quase osso puro. A nota cômica foi ela tirando a espinha da sardinha para mim depois de me ver toda sem jeito tentando repetir a técnica ancestral e tão tranquila para ela, mas que, para mim, criatura que não entende nada de anatomia pisciana ou de qualquer outro animal com cabeça no prato, é um desastre total. Mãe, não pude deixar de lembrar da minha infância! Mais uma para a lista de "coincidências", que já está tão extensa que não dá mais para chamar de coincidência...

Mas o primeiríssimo encontro da temporada foi inesperado e aconteceu anteontem no Mercado de Arroios. Depois de falar com meu velho amigo Carlos, descobri que a Dani (ambos se mudaram para cá durante a minha última temporada em 2017 e já têm uma linda herdeira, a Olívia) está trabalhando aqui pertinho, no Pequeno Café e Bistrô. Como ainda estou explorando amarradona a vizinhança, qualquer coisa é desculpa para ir um pouco mais além. Como já era tarde, sabia que o mercado estaria fechado, mas fui assim mesmo. Qual não foi a minha surpresa (e a dela!) ao me deparar com o café fechado, mas com movimento lá dentro. E lá estava ela com sua filhota, ambas lindas!, encerrando o expediente da casa. Não registrei o momento em foto, mas em breve elas aparecerão por aqui. Por enquanto, fiquem com as fotos do mercado, que recentemente ganhou belíssimas artes de rua:






quarta-feira, 17 de agosto de 2022

Bom dia, Lisboa!

Cá estou eu de novo em Lisboa, nem acredito... Ando meio introspectiva, carrancuda, pessimista (para dizer o mínimo), com dificuldades para escrever, produzir e até me divertir, mas essa cidade solar realmente mexe comigo. Pequenas coisas, algumas até chatinhas, são vistas com óculos cor-de-rosa. Por causa da pandemia pensei que nunca mais fosse sair de Maringá, a experiência foi radical, mas agora, depois de um mês e pouco num Rio de grandes emoções, só tenho uma coisa a declarar: bom dia, Lisboa!


domingo, 4 de junho de 2017

191 - Lisboa-Rio

Cheguei ontem no Rio, sã e salva, de onde escrevo a última postagem desta temporada do blog. Para começar, a paisagem de Lisboa está de tirar o fôlego com os jacarandás floridíssimos. A foto abaixo é na rua da cinemateca.

Jacarandás dando show primaveril nas ruas de Lisboa!

Semana de despedidas e últimas fotos dessa temporada com os amigos. Vejam só:

Ricardo e eu na Cerveceria 100 Montaditos, ao lado da Faculdade de Ciências, onde tomávamos o nosso chá e ele comia seu montadito de queijo de cabra, entre as suas aulas da tarde e da noite de segunda-feira, das quais tive o privilégio de participar algumas vezes.

Carlos e Dani no novo cafofo lisboeta.

Olhem a cara dele olhando para o quitute de salmão carinhosa e artisticamente preparado por ela. Além dos quitutes, rolou um ótimo papo regado a Papa-Figos (vinho do Douro). Depois seguimos até o Hot Clube para a noitada de jazz - afinal, terça-feira é dia de jam session.

Na quarta fui me despedir do Luís na faculdade, tomamos café com bolo, conversamos pelo skype com a Helena, vimos os manuscritos astrológicos que ele está pesquisando para a sua tese de doutorado e aproveitamos para tirar essa foto com a Torre do Tombo atrás. Giro é que tenho fotos com a Helena no Tombo há cinco anos e tal (clique aqui para ver o post).

Na quinta almocei com Dona Rosa numa churrasqueira que ela descobriu em Telheiras, e nos despedimos com um "Até breve!" na porta da casa dela, que é em frente à Residência Paz, da qual tirei uma foto para matar as saudades:


O último vinho alentejano da temporada:

Não é lindo este rótulo com sol e lua?

Despedida dos amigos e do Tejo no Cais das Colunas

Última tertúlia - de tema livre - com a presença física da representação brasileira. Como se vê na foto acima, estavam lá: Regina, Teresa, Helena e Elvira.

Batemos um papo muito giro e eu tive que falar da minha experiência com o Home Check-in da TAP (a bagagem chegou sã e salva também). Acho que estes foram os 35 euros mais bem gastos da minha vida, não precisei arrastar até o aeroporto os meus 40 kg de bagagem (livro pesa): um dia antes do embarque, apareceu um gajo giro, alto e forte para pesar e carregar as minhas malas. No dia seguinte, fui de metro para o aeroporto só de mochila, uma maravilha!

Helena, Elvira e Ana Rita, a dona da casa desta rodada tertuliana

Fernando, Isabel e eu

Agora dando para ver a Isabel

Amigas transatlânticas se despedindo já saudosas

Agora com o João no fundo

"As excepcionais" do Centro de História das Ciências da Universidade de Lisboa:
 Ana Rita, Teresa, Isabel e a penetra brasileira, euzinha.

Até breve, meus amigos! 
Até breve, Lisboa! 
Espero revê-los em breve!

quinta-feira, 1 de junho de 2017

190 - Jazz e cinema português para encerrar a temporada

Os verdes anos é um filme de Paulo Rocha (1963) que inaugura, junto com mais dois ou três outros, o cinema novo português. Tive a oportunidade de ver esse filme na Cinemateca Portuguesa nesta minha última semana em Lisboa. Belo filme que, entre outras coisas, nos brinda com uma Lisboa dos anos 1960 (muito giro foi ver a universidade, esse lugar onde estou e por onde ando todo dia, ainda no meio do mato, antes de ser incorporada propriamente à cidade) com uma música maravilhosa de Carlos Paredes. Vejam só os primeiros minutos do filme nos quais, além de viajarmos no tempo, ouvimos essa bela canção:


Nas cenas na universidade, os protagonistas deslizam pela reitoria e pelos dois prédios que existiam na época (os das faculdades de direito e de letras), onde justamente se encontram os desenhos do Almada Negreiros. Por isso esse filme entrou no ciclo sobre o Almada da cinemateca (acompanhando a exposição sobre a qual já falei aqui). Quando o filme estreou em Portugal, ele disse, entre outras coisas, o seguinte:
Aceito sempre convites que, como este, não se dirigem a competência minha. É pois sem competência que digo que a realização do Paulo Rocha "Verdes anos" me surpreende e que a aguardava.
Ainda nesse ciclo, vi também uma sessão com três curtas/médias: o documentário Almada Negreiros, vivo hoje, de António de Macedo (1969); Entrevista ao Zip Zip, de 1969; e SWK4, de Edgar Pêra (1993). Gostei mais dos dois primeiros, pois pude ver o próprio Almada falando, o que foi um presente. Figura bem-humorada, lúcida e que, apesar da perturbação natural do artista subversivo, irradia uma tranquilidade e uma sabedoria que aquecem o coração. O primeiro está inteiro lá no youtube:


Despedi-me do Hot Clube na jam session desta terça-feira, que foi muito gira. Mais um pouquinho do jazz que rola por lá para vocês: