Lisboa, 29 de setembro de 2008.
Há exatos 100 anos morria no Rio, aos 69 anos, Joaquim Maria Machado de Assis, aquele que esta Machado aqui que vos fala gostaria de ver estampado na sua árvore genealógica... Independentemente disso, sou completamente machadiana e estava curiosa para ver como era a recepção dele por aqui. Gostei de ver. Além das diversas homenagens que estão rolando no Brasil desde o início do ano, hoje, aqui em Lisboa, começou um colóquio de dois dias na Fundação Calouste Gulbenkian. Então matei dois coelhos com uma cajadada só. Já estava querendo conhecer a Fundação desde que cheguei (o espaço é maravilhoso e dizem que o acervo é incrível, vou tirar um dia só para ir ao museu; além disso, há temporada de concertos, um parque simpaticíssimo e uma livraria bárbara) e também prestei minha homenagem ao "autor defunto" indo ao evento, que, por sinal, bombou. O auditório estava cheio, e lá palestraram, além do embaixador brasileiro, os doutores John Gledson, Abel Baptista e Helder Macedo. Um luxo! Assisti às conferências e debates com um sorriso nos lábios. Era um tal de Capitu para lá, Bentinho para cá, Brás Cubas isso, Quincas Borba aquilo, Sofia e Virgília aquilo outro... Enfim, um desfile de personagens, temas e problemas machadianos. No final, ainda rolou um recital com música brasileira do fim do século XIX e início do século XX: fiquei arrepiada dos pés à cabeça ao ouvir Ernesto Nazareth e Villa-Lobos. Amanhã tem mais: dois documentários sobre a vida e a obra do bruxo, um vídeo-depoimento do Bechara e ainda, de quebra, vão passar o Memórias Póstumas de Brás Cubas, do André Klotzel, que, evidentemente, vou aproveitar para rever. No final, vai rolar um teatro, Contando Machado de Assis.
"Com efeito, um dia de manhã, estando a passear na chácara, pendurou‑se‑me uma idéia no trapézio que eu tinha no cérebro. Uma vez pendurada, entrou a bracejar, a pernear, a fazer as mais arrojadas cabriolas de volantim, que é possível crer. Eu deixei‑me estar a contemplá‑la. Súbito, deu um grande salto, estendeu os braços e as pernas, até tomar a forma de um X: decifra‑me ou devoro‑te." In: Memórias Póstumas de Brás Cubas
Nenhum comentário:
Postar um comentário