quinta-feira, 16 de outubro de 2008

40 - Entre Fitas e ossos...

Évora, 16 de outubro de 2008.
Acordei cedo e saí por um lado diferente do que andei ontem. Passei em frente à Praça de Touros e tomei café no Parque Municipal, ambos bem pertinho daqui. Passei no campus da UE onde se encontra o Fitas, um professor de história da ciência que também conheci no Rio, junto com o Ricardo e o Carolino. Infelizmente ele não estava, mas deixei um bilhete com o número do meu telemóvel (não sei se falei, mas tenho um telemóvel por aqui, pois acabou sendo imprescindível). Saí de lá e entrei no Mercado Municipal, que é super gracinha, todo organizadinho e limpo, num casario antigo, mas todo modernizado. Aliás, a Praça de Touros também. Pensei que era alguma coisa rústica, medieval, mas parece mesmo uma dessas arenas modernosas, onde rolam eventos de todos os tipos. Como estava no Largo de São Francisco, aproveitei para conhecer a famosa Capela de Ossos (feita de ossos mesmo), cuja divisa é: "Nós ossos que aqui estamos pelos vossos esperamos". Sinistro! Parece que foi construída para servir como local de meditação sobre a impermanência... Fala sério! Há formas menos soturnas de se fazer isso. Bem, saí pelas ruas de Évora, passei na Porta Nova, na taberna Quarta-feira (que me foi recomendada, mas preferi meu vegetariano) e fui para a biblioteca da UE. O trabalho lá foi decepcionante. Depois de uma pesquisa bibliográfica detalhada, descobri que a biblioteca da universidade não tem nada que me interesse. Saí dali e fui almoçar no mesmo restaurante de ontem, que é realmente muito agradável. Resolvi não inventar moda. Quando estava almoçando, o Fitas ligou e combinamos às 14 horas. Beleza! Depois do almoço, ainda perambulei um pouco, passei novamente na Porta da Moura, no Templo de Diana (onde os calouros estavam sofrendo na mão dos veteranos; parece que o trote não acaba nunca, será que essa gente não tem o que fazer?), na Sé e na Praça do Giraldo. Cheguei ao departamento de física, onde fica o gabinete do Fitas, e agora o encontrei. A conversa com ele foi ótima, o coroa é muito gente boa, um ótimo contador de histórias, ele sabe muito de história da ciência, já foi diretor da biblioteca da universidade, então me contou todas as peripécias das bibliotecas portuguesas. Agora entendi por que não encontrei nada na universidade. Todo o acervo da antiga universidade foi transferido para Coimbra no século XVIII, quando a universidade fechou as portas e só reabriu recentemente, na década de 70. Ou seja, em Évora, o grande acervo de livros antigos está mesmo na Biblioteca Pública, onde eu estive ontem... Bem, fora isso, fiquei sabendo de um curso livre de história da ciência que começaria hoje, sendo a aula de abertura, sobre a história da ciência em Portugal, ministrada por ele. Ou seja, um luxo só! Acabei de voltar da palestra, que foi muito boa, ele se ateve bastante ao período que estou estudando, então até acabei fazendo duas perguntas no final (bizarro! no meio da portuguesada toda, só quem levantou para perguntar foi a brasileira aqui...) e ganhei a promessa dele de me manter informada caso se lembre de ou descubra mais alguma coisa sobre a tradução científica em Portugal. Fico devendo mais fotos, fica para amanhã.

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