domingo, 26 de março de 2017

151 - Lavando a alma em Lisboa

Fim de semana de chuva e frio em Lisboa, a máxima em torno de 10-12 graus. Nesta madrugada ajustamos o relógio, início do horário de verão: agora são quatro horas de diferença em relação ao Brasil. Ontem fiquei em casa o dia inteiro lendo um pouco de tudo, vendo Star Trek: Deep Space Nine, estudando Feyerabend (nada melhor para esquentar!) e curtindo o movimento do jardim, que se virou entre sol e chuva o dia inteiro. Se colocar uma foto ao lado da outra, esta é a vista de mais ou menos 180 graus que tenho da varanda da sala:






Só não consegui fotografar os pássaros que, como não são bobos nem nada, somem do mapa quando percebem qualquer movimento. É como diz aquela música do Chico, Passaredo: "bico calado, toma cuidado, que o homem vem aí". Além dos nossos velhos amigos pombos, que nos encantaram e cansaram nos primeiros capítulos de leitura da Origem (Darwin usa muitos exemplos de pombos para começar a construir o seu argumento), há um pássaro lindo preto com o bico amarelo quase laranja, do tamanho de um sabiá laranjeira. Será que é um melro? Capturei a foto abaixo num site de pássaros e parece ser ele:


Mas, para além de atividades ornitológicas, o que realmente lavou a minha alma hoje foi rever a minha mãe portuguesa, a Dona Rosa, já mencionada na primeira postagem desta temporada, mas que aparece em várias outras. Mais de cinco anos depois, foi uma emoção danada encontrar com essa pessoinha tão querida que esteve ao meu lado durante as minhas outras aventuras por essas terras e com quem, é claro, mantenho contato regularmente. 

Lisboa e Dona Rosa se confundem na minha memória afetiva. Por isso nem liguei para a chuva que começou de madrugada e continua até agora sem parar, convoquei bota, capa e guarda-chuva, e fui me encontrar com essa querida amiga para almoçar. Botamos o papo em dia como se o tempo não tivesse passado e devo dizer que me sinto em casa ao pé dela. Vejam o registro:

Quando cheguei, ela já me esperava com uma entrada de pão (que pão!), queijo alentejano e azeitonas. Depois traçamos um cabrito à padeiro regado a vinho da casa. De sobremesa, o primeiro leite creme da temporada. Isso tudo no Restaurante Lumiar, bem na frente da casa dela, que é em frente à Residência Paz, onde ela viveu e trabalhou mais de 40 anos e onde nos conhecemos em 2008 quando estive aqui pela primeira vez.

Dona Rosa, assim como a minha mãe (e há várias outras "coincidências" entre ambas, como se pode ver aqui), ganhou um smartphone recentemente e tenta se virar com ele. Olha ela procurando as fotos da família para me mostrar. Detalhe: ela operou catarata na semana passada...


Alegria estampada nos rostos!




4 comentários:

Unknown disse...

É frio pra ninguém botar defeito não? Contudo entre a alegria e ciúme da Rosa, fico muito contente pelo encontro de vocês.

Marta Bellini disse...

que maravilhoso, Cristina!

Julianx disse...

o comentário da Odete é o melhor, hehehe
sua carinha de alegria dá um ânimo! :)

Francine disse...

Eu ia perguntar se a dona Odete não tinha ciúmes!!! Huahuahaua!!! Por isso que eu amo as Amorim Machado! Dona Rosa deve ser outra pessoa fantástica!!! A Cris atrai gente boa!