Ontem fui ver o aclamadíssimo Benjamin Button, filme do David Fincher, baseado num conto do Fitzgerald e com os impecáveis Brad Pitt e Cate Blanchett. Filmaço! Dá para rir, chorar e pensar na existência. Dá para simplesmente contemplar a beleza de uma fantástica história de amor contada em imagens. Uma história de amor que, como qualquer história de amor, está sujeita à realidade da sua pluralidade de facetas e impermanência - da nossa impermanência -, quer o relógio ande de frente para trás ou de trás para frente. A gentileza e a sutileza dos detalhes desse encontro em cada fase são comoventes, como o momento em que eles se conhecem (mais ou menos a mesma idade, mas ele com aparência de velho e ela de criança), o momento em que eles de fato se encontram, no auge da vida de ambos, e depois, seguindo o fluxo desse encontro tão particular (como qualquer outro), quando, já na velhice, ela o ajuda a dar conta da sua senilidade na forma de criança. Claro que há uma série de outras coisas interessantes, mas não vou falar mais para não cortar o barato de quem ainda não viu. Divirtam-se!
A viajante navega na Caravela Cruzeiro do Sul rumo a mares nunca dantes navegados, ou até já navegados, mas sempre inusitados. Aqui se encontra o seu diário de bordo.
domingo, 25 de janeiro de 2009
quinta-feira, 22 de janeiro de 2009
82 - Dia de chuva em Lisboa...
Bom para se enfurnar no Mosteiro dos Jerónimos e no Museu de Arqueologia... E foi isso que eu fiz! Fui de metro até a Figueira e lá peguei o 15. Desembarquei nos Jerónimos, onde tive o prazer de, além de desfrutar da beleza manuelina do monumento, assistir, no claustro do mosteiro, a uma apresentação de teatro do Auto da Barca do Inferno. Muito giro! O lugar me lembrou um pouco Salamanca, especialmente a nave, que se parece com a sinistra catedral salmantina, e o claustro, que me fez voltar no tempo/espaço, até novembro, naquele belíssimo Edifício da Universidade. Acho que a chuva e o cinza que cobriram Belém hoje colaboraram para o clima brumoso que me conduziu a essa viagem... Bem, saí dali e fui ao vizinho Museu de Arqueologia, onde vi várias pequenas exposições: Religiões da Lusitânia, Antiguidades Egípcias, Tesouros da arqueologia portuguesa, Impressões do Oriente de Eça de Queirós a Leite de Vasconcelos e Sit tibi terra levis. Neste último, que traduzindo dá mais ou menos "Que a terra te seja leve" (fórmula evidentemente pagã, pois pressupõe a existência subterrânea; porque a cristã é: "descanse em paz", pois pressupõe a ressurreição, a vida eterna etc.), descobri que Fraga é o nome de uma necrópole (sinistro!) lá no norte. Sabia disso, Pedro? Pois é... As exposições eram bem simpáticas, gostei especialmente das Religiões da Lusitânia (muito interessante a sobreposição de camadas religiosas desde antes de os romanos chegarem por aqui no século I a.C.) e das Impressões do Oriente, com fotos sacadas pelo próprio Leite de Vasconcelos (fundador do Museu) no Cairo, em Jerusalém etc., quando ele esteve lá em 1909. Valeu a tarde em Belém, devidamente arrematada com o melhor pastel de nata do mundo.
quarta-feira, 21 de janeiro de 2009
81 - Darwin e pizza com as amigas
Hoje fui com a Teresa à palestra "Como nos tornamos humanos", que fazia parte do Ciclo de Conferências sobre Darwin, na Fundação Gulbenkian. Fiquei surpresa com a multidão, era gente que não acabava mais, nem pudemos ficar no auditório. Pelo menos eles organizaram telões nas outras salas para a turba poder assistir também. Pois bem, o título prometia uma coisa, a palestra foi outra, apesar de não deixar de ser informativa e bastante didática (a divulgação nas escolas foi muito grande, havia muitos estudantes por lá). Pensei que a abordagem seria filosófica, talvez uma discussão mais interessante, no entanto não foi nada disso, cheguei a ficar um pouco sonada depois de uma hora ouvindo a apresentação da evolução da espécie humana, todos os símios que nos antecederam, números e dados de todos os tipos etc. e tal. Mas tudo bem, valeu a experiência. Depois da palestra, tínhamos combinado de ir jantar nos Tibetanos com a Marisa (amiga da Teresa, sósia da Daniela), mas acabamos indo comer pizza com cerveja na casa nova da Teresa. Ótimo papo, boa pizza, e ela está muito bem instalada num apartamento no Rato, pertinho do Museu da Ciência, onde trabalha, para onde pode ir a pé.
segunda-feira, 19 de janeiro de 2009
80 - Viajantes e bibliotecas
Achei esta citação do Michel de Certeau no meio das minhas leituras de hoje sobre a "arte da imprimissão" na Biblioteca Nacional (tem tudo a ver com a viajante que vos fala): "Os leitores são viajantes, vagueiam por terras alheias, nômades, entregues à caça furtiva por campos que não escreveram, prontos a apropriar-se das riquezas do Egito para delas usufruírem". Pelo que acabei de ver na web, este trecho está no Ler: uma operação de caça, que, no Brasil, saiu pela Vozes. Achei uma do Foucault também (Pedro!!! Onde está este trem?): "Este novo lugar de fantasmas deixou de ser a noite, o sono da razão, o vazio incerto e escancarado perante o desejo: é, pelo contrário, a vigília, a atenção contínua, o zelo erudito, a atenção sempre vigilante. O quimérico nasce agora da superfície negra e branca dos sinais impressos [...]. É um fenômeno de biblioteca." Não dá para não pensar em Borges...
domingo, 18 de janeiro de 2009
79 - Alfama's day
Ontem foi muito giro, porque acabei explorando um pouco mais a região de Alfama, o bairro mais antigo de Lisboa, com suas ruelas labirínticas e clima medieval. De manhã fui à Feira da Ladra e, à noite, ao Ondajazz. Bem, depois de uma visita demorada à feira de livros antigos no Chiado, e uma rápida passagem pela FNAC, onde tive o desprazer de constatar que um dos livros da minha lista se esgotara (vou ter que tentar na Amazon, porque este livro vale a pena, é um livro de história da ciência com um capítulo inteiro dedicado à astrologia), segui para a Feira da Ladra, onde, depois de ver todas as quinquilharias, antiguidades e roupas baratas que se possa imaginar, também encontrei um alfarrábio muito bom. A Feira da Ladra é uma das feiras populares mais conhecidas de Lisboa, apesar de que a Lídia já me disse que há outras melhores, mas menos badaladas turisticamente. Tinha que ir conferir, afinal, isto está na minha lista de coisas a fazer em Lisboa desde agosto, assim como o fado vadio da Tasca do Chico. Não posso ir embora da terrinha sem ver e fazer certas coisas. Muito bem. À noite, encontrei-me com a Teresa no Rossio, jantamos e botamos o papo em dia num ótimo restaurante indiano - Caxemira -, num cantinho escondido da Praça da Figueira, e depois fomos andando até o Ondajazz, desfrutando do clima noturno das vielas da Alfama. Lá pelas tantas ela disse alguma coisa assim: "Será que não é perigoso andar por aqui a essas horas?", e eu respondi: "Teresa, nós estamos em Lisboa!", ao que ela replicou: "Justamente por isso!"... Ai, ai, ai... acho que vou sentir saudade dessa sensação de segurança (totalmente ilusória decerto) que tenho por aqui, além da impressão de estar em casa... Digressões à parte, quando chegamos ao Ondajazz, a primeira impressão do local foi muito boa, mas quando o show começou, além de a banda - Transatlantista - ser fraquíssima (apesar do ótimo repertório recheado de Hermeto Pascoal, Tom Jobim, Edu Lobo etc.), descobrimos que o local não é de fato um clube de jazz, como o Hot Clube, mas sim um restaurante com música ao vivo... Lamentável! O barulho de pratos, copos e talheres, além da falação no meio do concerto só pioraram a situação do que já não estava lá essas coisas. Fomos embora antes de terminar, pois os bocejos e o tédio tomaram conta das duas apreciadoras de jazz, estas sim, amigas transatlânticas.
sexta-feira, 16 de janeiro de 2009
78 - Quinta-feira de jazz na Cinemateca Portuguesa
Hoje finalmente vi um filmão do Clint Eastwood que já queria ver há algum tempo: Bird. É a história do Charlie Parker, magnificamente interpretado pelo Forrest Whitaker. Já tinha lido uma pequena biografia do Bird, mas realmente com imagem e som é sempre mais interessante, ainda mais porque o filme evidentemente é recheado de música. Olhem só o trailer:
A curta vida do cara (34 anos), apesar de sofrida paca, foi realmente produtiva. Vou citar só algumas: Ornithology, A night in Tunisia e All the things you are:
A curta vida do cara (34 anos), apesar de sofrida paca, foi realmente produtiva. Vou citar só algumas: Ornithology, A night in Tunisia e All the things you are:
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