Bom para se enfurnar no Mosteiro dos Jerónimos e no Museu de Arqueologia... E foi isso que eu fiz! Fui de metro até a Figueira e lá peguei o 15. Desembarquei nos Jerónimos, onde tive o prazer de, além de desfrutar da beleza manuelina do monumento, assistir, no claustro do mosteiro, a uma apresentação de teatro do Auto da Barca do Inferno. Muito giro! O lugar me lembrou um pouco Salamanca, especialmente a nave, que se parece com a sinistra catedral salmantina, e o claustro, que me fez voltar no tempo/espaço, até novembro, naquele belíssimo Edifício da Universidade. Acho que a chuva e o cinza que cobriram Belém hoje colaboraram para o clima brumoso que me conduziu a essa viagem... Bem, saí dali e fui ao vizinho Museu de Arqueologia, onde vi várias pequenas exposições: Religiões da Lusitânia, Antiguidades Egípcias, Tesouros da arqueologia portuguesa, Impressões do Oriente de Eça de Queirós a Leite de Vasconcelos e Sit tibi terra levis. Neste último, que traduzindo dá mais ou menos "Que a terra te seja leve" (fórmula evidentemente pagã, pois pressupõe a existência subterrânea; porque a cristã é: "descanse em paz", pois pressupõe a ressurreição, a vida eterna etc.), descobri que Fraga é o nome de uma necrópole (sinistro!) lá no norte. Sabia disso, Pedro? Pois é... As exposições eram bem simpáticas, gostei especialmente das Religiões da Lusitânia (muito interessante a sobreposição de camadas religiosas desde antes de os romanos chegarem por aqui no século I a.C.) e das Impressões do Oriente, com fotos sacadas pelo próprio Leite de Vasconcelos (fundador do Museu) no Cairo, em Jerusalém etc., quando ele esteve lá em 1909. Valeu a tarde em Belém, devidamente arrematada com o melhor pastel de nata do mundo.
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