Fonte: Biblioteca Digital de Botânica da Universidade de Coimbra.
Clique aqui para ver a ficha completa do moço.
JAH escreveu as seguintes dissertações em seu acesso à Faculdade de Filosofia da Universidade de Coimbra: As espécies são mudáveis? (1865); e Antiguidade do homem (1866). Nessa última, ele cita Darwin pelo menos uma vez (p. 26), mas sem grandes aprofundamentos. Cita também Humboldt, Lamarck, Cuvier, Quatrefages, Lyell, Huxley (de quem traduz trechos, p. 24-5) e outros. É um texto mais de apresentação de evidências do que de discussão teórica.
O que mais me interessa é que ele também traduziu outros autores darwinistas, como Hooker (Elementos de botânica, em 1877) e De Candolle (C. Darwin - causas do sucesso de seus trabalhos e importância deles, em 1882-2). Uma curiosidade sobre o primeiro texto é o aviso legal (com ortografia atualizada por mim): "A propriedade desta tradução pertence ao império do Brasil, para todos os efeitos legais, ao exmo. snr. Luiz D´Andrade, cidadão brasileiro." Quanto ao segundo, vê-se uma nota do tradutor destacando a importância de Darwin para justificar a tradução. Clique aqui para ver o artigo no periódico O Instituto.
Ele publicou muito material didático ou paradidático, vários com ilustrações e todos sem citações ou referências, como Rudimentos de botânica (1889), Terminologia botânica (1885) e Elementos de agricultura (1881), só para citar alguns. Entre seus escritos, destacam-se, para os meus interesses atuais, os seguintes (clique no link da referência para ver ou baixar o arquivo):
HENRIQUES, J. A. Carlos Darwin. Jornal de Horticultura Prática, Porto, v. xiii, n. 3, mar 1882, p. 41-4.
___. Carlos Darwin 1809-1909. Boletim da Sociedade Broteriana, Coimbra, v. xxiv, 1908-9, p. 5-6.
___. Celebração do centenário do nascimento de Ch. Darwin. Boletim da Sociedade Broteriana, Coimbra, v. xxiv, 1908-9, p. 245-6.
Outro personagem que se destaca é o "Fritz Müller português": Francisco de Arruda Furtado (1854-1887). Digo isso porque, assim como Müller, o "nosso naturalista" alemão radicado em Santa Catarina, FAF também se correspondeu com CD. Apesar da sua curta vida, esse moço fez história e é reconhecido desse lado do Atlântico como discípulo de Darwin. Recentemente foram publicadas a sua obra e correspondência científica em dois livros enormes, com introdução, levantamento e estudo de Luís M. Arruda.
Dei uma olhada em ambos os livros esta semana. As cartas de/para CD estão entre as páginas 105 e 118. São quatro cartas de CD para FAF, e seis de FAF para CD. Curioso é que FAF escrevia em francês e CD em inglês.
No livro sobre a obra científica, FAF cita CD direta e indiretamente em vários artigos, traduz longas citações da Origem do inglês e faz algumas outras sem citar a fonte. A mais antiga delas, pelo que vi, é de 1882, passando a ser, então, a segunda tradução de trechos da Origem em Portugal, ficando a do jornal O Povo de Aveiro (1886) agora em terceiro lugar. Acho que eu vou ter que fazer uma linha do tempo em breve para organizar essa cronologia...
Infelizmente, o Arruda Furtado deturpou um bocado a leitura de Darwin sobre as mulheres e as noções de raça e civilização . Vejam só que tristeza:
"A evidência da superioridade intelectual do homem, encarada friamente, longe de ser humilhante para a mulher, é preciosa neste sentido, em que ela deixa ver em todo o seu valor o lugar insubstituível de cada um. Estudado à luz da história e da antropologia, esse abismo intelectual que separa o homem da mulher, tanto mais, quanto mais superior é a raça e mais avançada a civilização, diz-nos que o homem está fatalmente condenado a ser cada vez mais homem, e a mulher cada vez mais mulher." (p. 484)
E ainda tem coisa pior (se é que é possível):
"Somos pela educação científica da mulher; a ciência, já o dissemos, vai sendo a única sanção da moral do futuro. Julgamos que a mulher pode saber muito mais coisas do que aquelas que lhe ensinam, e a nossa tese reduz-se unicamente à questão de saber se é possível educá-la e instruí-la como se educa e instrui o homem. É isto o que julgamos impossível, e a experiência tem-nos já demonstrado." (p. 615)
Deuses! Quase vomitei lendo isso... Ossos do ofício.













