segunda-feira, 24 de novembro de 2008

61 - Domingo em Salamanca também é dia de museu

Salamanca, 24 de novembro de 2008.

Este foi o meu último fim de semana em Salamanca (volto para Lisboa no sábado que vem) e tentei fazer algumas coisas que ainda não tinha feito e repetir algumas outras que gostei. No sábado, aproveitando o belo dia de sol, apesar do frio, saí por umas bandas que ainda não tinha andado, fui até a Plaza de Toros. Nada demais, o mais interessante foi a pichação "Toreros asesinos". Aliás, é enorme a quantidade de referências taurinas. Terra de Juliana! É Calle Toro, Museu Taurino, Toro Romano, Plaza de Toros... Na frente da Plaza há umas estátuas de toureiros famosos. Saí dali andando, aproveitando para esquentar os ossos (a temperatura subiu bem no meio do dia, deve ter chegado a uns 15 graus!) e acabei encontrando um sebo - ainda não tinha visto nenhum. Entrei e fiquei lá umas duas horas olhando tudo. Muito bom, mas me controlei, porque já estou com uma quantidade enorme de livros comprados aqui (todos absolutamente necessários evidentemente), e acho que a minha missão nesse sentido já está cumprida. Sem falar que esta semana ainda tenho que tirar uma série de cópias na biblioteca... Bem, quando saí do sebo ainda tinha um tempinho até a hora do almoço, então fui perambular pela cidade, mais precisamente na Plaza Mayor, onde aproveitei para observar com calma a "arte na praça" que está rolando por lá, porque normalmente passo correndo para ir de um lado para o outro e acabo não apreciando a coisa. Muito interessante a exposição de enormes esculturas de ferro, que foram colocadas no meio desse espaço privilegiado da cidade. Depois do almoço acabei ficando à toa, fiz a sesta, depois terminei de ler Almanaques, do Eça de Queirós, e organizei meu material de pesquisa. No domingo acordei cedo e fui direto para o Tormes. Caminhei um pouco no Parque Fluvial, andei na Ponte Romana, depois subi pelas vielas da cidade até chegar à Catedral. Resolvi entrar, afinal, ela é tão linda por fora... Ledo engano, por dentro ela é sinistra... e fria, muito fria. Pior, estava começando a missa. Mais sinistro ainda. Que lugar tenebroso, que falação reacionária... Teve uma hora que o padre chegou a falar, citando as escrituras, que a direita que é boa, e a esquerda é o lugar dos pecadores... Pior, era dia de cristo-rei, seja lá o que isso signifique, então a missa era longa... Nem estava me incomodando muito com o péssimo coro e com o falatório sobre a nossa culpa em relação ao moço que morreu na cruz, mas não aguentei quando o cura, para dar conta do amor ao próximo, resolveu detonar "o inferno são os outros" do Sartre (não mencionando seu nome evidentemente, falou em "um pensador contemporâneo"). Depois dessa me retirei e fui direto ao Valor (café e chocolateria que tenho frequentado entre uma aula e outra) me afogar num chocolate com churros (uma das especialidades espanholas). Agora, sim, podia seguir o meu caminho mais tranquilamente, depois dessa experiência desagradável na catedral salmantina. Próxima parada: exposição de relógios antigos "La medida del tiempo". Ah! isso foi muito giro! Fiquei um tempão vendo as diversas variedades de modelos, estilos e engrenagens. Quando vi, o tempo já tinha passado e estava na hora de almoçar. Depois da sesta, saí novamente e fui ao museu de art nouveau da cidade. Pasmem! É isso mesmo! É a Casa Lis, um lugar belíssimo, construído no início do século XX e que abriga o Museo de Art Nouveau y Art Decó da boa e velha Salamanca, um contraste incrível. Não conseguia parar de pensar na mamãe, muita coisa ali é a cara dela, tinha até um palhaço parecido com um que ela já pintara (ou bordara? hehe). Não gostei muito da coleção de bonecas alemãs e francesas, mas, em compensação, as jóias, os artefatos de bronze e as criselefantinas (nome bizarro, nunca tinha ouvido falar, mas são belíssimas pequenas estátuas de marfim e bronze criadas por vários escultores europeus lá pelos anos 20, normalmente representando mulheres). E muito bom também era o som que rolava no ambiente, um jazzinho muito honesto para dar o clima. Falando em jazz, depois fui a um concerto de jazz escandinavo (!). O nome da banda é Tord Gustavsen Trio (piano, baixo e batera). Tirando alguns bons momentos, sinceramente não me entusiasmou. Que bom que eu tinha tomado duas cañas (cervejas) antes, senão ia ser difícil...



Olha o Touro Romano aí, gente! Com a torre da Catedral Velha no fundo.

Não parece a bandeira do Brasil? Ou eu já estou vendo coisas?

Um dos belos relógios da exposição

A ponte romana em destaque num dia de céu azul

Parede de pedra, porta de madeira, lampiões e... dois gatos na soleira...

Pichação na Plaza de Toros

Plaza de Toros
Arte na Rua

Não parece o Darth Vader?

Esta obra se chama Colosso...

E esta, As Meninas... Qualquer semelhança é mera coincidência.

Esta obra sou EU!!! Finalmente uma foto minha na Plaza Mayor de Salamanca!

Quase fui nesta manifestação, mas a preguiça não deixou...
Olha só que boa companhia: a minha sombra.
Euzinha na porta do edifício histórico da USAL. O que importa é a fachada e o céu azul, pode cortar os meus pés! É por esta porta que eu entro todo dia para chegar à biblioteca geral.
A Cova de Salamanca, lugar cheio de mistério da cidade...


Colombo na sua praça.

Esta é a fachada da Clerecía, onde se encontra a PUC de Salamanca. Tudo isso em frente à Casa das Conchas.

Esta é uma parte do claustro da Clerecía, que, curiosa e belamente, fica no alto.

Close numa parte da Catedral Nova (não é linda por fora?)
Vista lateral das duas catedrais (Nova e Velha)
Vista frontal (da Ponte Romana) das catedrais
Casa Lis (não parece que a torre da catedral faz parte dela?)

Entrada da Casa Lis (Museu de Arte Nouveau)

Até que tava quentinho...

Palacio de Anaya, onde funciona a Faculdade de Filologia (descobri recentemente que o tal do Anaya era ligado em astrologia).

Um comentário:

Anônimo disse...

Quando li da primeira vez, não escrevina nenhum comentário. Mas quero dizer que eu bordei e também pintei palhaços. O pintado em porcelana está com você, aqui na sua casa. e o bordado em petit point está comigo(acredito ser este último o que lembra Art Nouveau.
mami