quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

87 - Noitada luso-brasileira no Bairro Alto

Ontem foi muito giro, porque, depois de um dia cheio de despedidas (desde o livreiro do alfarrábio perto da BN até o Ricardo, passando pelo pessoal do MegaVega) e caminhadas por uma Lisboa com cara de São Paulo (garoando o dia inteiro), que me trouxeram um estado anímico um tanto melancólico, fechei a noite no chamado fado vadio (fado de improviso, que rola nas ruas ou em lugares informais) da Tasca do Chico, point lisboeta que já queria conhecer desde que cheguei por aqui em agosto. Ao contrário das casas de fado para turista ver, a Tasca é tipo um pé sujo onde a gente pode assistir ao fado da porta (que foi o nosso caso ontem, porque o lugar estava abarrotado). Até tomamos uma cerveja ali mesmo, mas não há consumação mínima, dá para chegar, ver o fado e cair fora, se for o caso. Pois bem, saí da Paz com a nova residente brasileira, a Flaviane, que chegou por aqui na semana passada. Mais uma filha brasileira da Dona Rosa! Ela já esteve aqui no doutorado, e agora está começando um pós-doc na Unicamp, para o qual tem um trabalho de um mês aqui na terrinha. Sua área é linguística, mais precisamente fonética e fonologia, as diferenças entre o português brasileiro e o português europeu. Muito gente boa a nova integrante da tripulação tupiniquim da Residência Paz. Pois bem, seguimos para o Museu da Ciência, onde eu tinha combinado com a nau lusitana, Teresa e Marisa, que já vinham acompanhadas de mais um tripulante brasileiro, o Luís Felipe, amigo da Marisa. Assim como ela, ele é historiador e está aqui fazendo uma pesquisa relacionada às profecias em Vieira. Muito legal. Depois desse pit stop, a nau luso-brasileira saiu andando pela Rua da Escola Politécnica, passou pelo Príncipe Real e atingiu o Bairro Alto na Rua da Rosa, onde começou a descer em ziguezague, batendo papo pelas vielas e pequenas ruas simpáticas da região. Quando chegamos na Tasca do Chico, percebemos que ali não rolava jantar, só petiscos, e caros, então fomos a um restaurante ali do lado e desfrutamos de uma boa refeição com ótima conversa. Saímos dali e voltamos à Tasca, onde o fado já estava comendo solto, com gente saindo pelo ladrão. Ficamos ali na porta e tivemos a oportunidade de, junto com os locais, desfrutar do fado vadio de Lisboa, considerado mais popular que o de Coimbra (fado acadêmico, erudito, dos doutores conimbricenses), e que, em alguns momentos, me fez lembrar o nosso choro (talvez seja viagem minha). O lugar é pequeno, a galera participa animadamente e o clima é muito informal. Gostei. Saímos dali subindo a Diário de Notícias e, quando passamos num lugar simpático, onde estava rolando um jazz, Teresa propos: "Vamos entrar?" Beleza! Fechamos a noite num barzinho que só rola jazz (mas não ao vivo), batendo mais um papo animadíssimo. Valeu a noitada luso-brasileira no Bairro Alto!
Tá todo mundo aí com cara de surpresa porque o Luís Felipe acabara de nos apresentar a uma série de detalhes sobre estilos de depilação e coisas do gênero. Tem cada coisa de arrepiar os cabelos. Fala sério!

Flaviane e Teresa continuam rindo dos estilos de depilação que o moço estava descrevendo (parece que o estilo brasileiro faz o maior sucesso aqui na terrinha).

Nau lusitana na Tasca do Chico

Olha nós aí na porta da Tasca (a fotógrafa foi a garçonete do local, que obviamente é brasileira)

Minhas amigas portugas e eu!

Meus novos amigos brasileiros.

Nau luso-brasileira jantando num restaurante ao lado da Tasca do Chico.

Não é uma simpatia o meu orientador português?






2 comentários:

Daniela do Carmo disse...

Você está fazendo filminho da galera conversando? Sua câmera deve fazer. É tão legal! Vai te dar uma saudade... É muito emocionante ver filminho de amigos! Ainda dá tempo.
Beijo!

Unknown disse...

Cris,
Estou desconfiada de que você não volta mais rsrsrsrs...Que viagem linda!um beijo