Desassossegada, hoje vi como é possível "filmar o infilmável", como o próprio diretor definiu o desafio. Seguindo o Ciclo João Botelho da cinemateca, hoje foi o dia do Filme do desassossego (2010), baseado no Livro do desassossego de Fernando Pessoa, sobre o qual já falei um pouquinho em postagem anterior.
"o futuro do cinema é cada vez mais a palavra. O cinema, para mim, tem que ver com a verdade e a imagem é ilusória. A palavra está cada vez mais perto da verdade, é uma gravação que é transmitida, não é a ilusão de nada. O cinema tem de respeitar a palavra."
O filme está inteirinho neste link do Youtube, mas segue abaixo um dos trailers:
O filme é uma experiência ímpar. Basicamente são trechos do livro na forma de monólogos e diálogos entre pessoas nos dias de hoje nos mais variados contextos, e começa justamente com o encontro entre Fernando Pessoa e Bernardo Soares num boteco lisboeta do século XXI, que acaba com o Soares passando o manuscrito do livro para o Pessoa. A cena final retorna ao boteco mas só com o Pessoa e o manuscrito do livro, que ele diz que não é dele. Maravilhoso! Nem preciso dizer que chorei várias vezes pelo Pessoa-Soares, pelo desassossego, por Lisboa, e saí do cinema chorando pelas ruas de Lisboa das quais já consigo prever a saudade que vou sentir...
Outro elemento que percebi nos outros filmes do Botelho é a sua visita a outras formas de arte, especialmente a música, que aparece aqui em várias facetas, incluindo Caetano Veloso, ópera, fado etc. Segue abaixo um trecho que acaba com um coro de crianças cantando uma das cantigas de Santa Maria de D. Afonso X:
Segue um pequeno documentário sobre o livro na RTP:


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