domingo, 16 de abril de 2017

165 - Salve, Jorge!

Nesse feriadão (aqui se chama férias de Páscoa; a universidade, por exemplo, parou na terça passada e só volta a funcionar na próxima terça), além de caminhar no estádio universitário e trabalhar um bocado, pude rever Dona Rosa (almoçamos num restaurante natureba em Telheiras, bairro que ainda não conhecia, mas que é ao lado do Campo Grande, ponto final da linha verde do metro), botar o papo em dia, curtir um pouco essa matrona portuguesa gente boníssima que mora no meu coração. Reparem no prato super light e no suco vitaminado (eu comi e bebi exatamente a mesma coisa: saladão verde com massa integral, frango, legumes e um molho de mostarda ao mel, acompanhado desse sucão aí, acho que de laranja, cenoura e manga):


Ela estava toda feliz porque o Paulo, seu filho, acabara de ligar de Atenas, onde está de férias com a família num cruzeiro. Dona Rosa é toda coruja com seu filho único e adorou dizer que estava bem e segura, passeando com sua amiga brasileira. Ela quer de qualquer jeito marcar um almoço comigo e a família dela toda, para eu rever sua netinha, que, claro, não se lembra mais de mim (já é uma adolescente), e conhecer seu novo netinho. Sozinha por cá esses dias, resolveu visitar a família no Norte, em Ponte Lima. Deve estar se divertindo por lá agora. Aliás, esta é uma grande diferença entre ela e a Lídia, duas mulheres mais ou menos da mesma idade, guerreiras, sofridas e de origens semelhantes, mas uma consegue se divertir, cuidar de si, enfim, viver com um pouco de leveza, apesar de todos os pesares, enquanto a outra ainda não consegue sair da sua roda-viva de trabalho, tarefas do lar e machismos.

Mudando de assunto, sexta-feira santa é dia de Hot Club Portugal! Dessa vez vi e ouvi um concerto do Ricardo Pinto Quinteto, que estava lançando seu novo álbum, "A sul". Como, para mim, jazz pede trompete, saí de lá feliz da vida porque o moço é trompetista, e dos bons. O quinteto, além dele, conta com Ricardo Toscano no sax, Oscar da Graça no piano, André Rosinha no contrabaixo e Luís Candeias na batera. Vejam - e ouçam - um pouco dele com outra banda (só o baixista é o mesmo) e outro projeto há dois anos no mesmo HCP:

Um luxo só este espaço de jazz em Lisboa!

Para fechar o registro desses dias, vi um belo e duro filme português, que estreou na semana que cheguei e que estava querendo ver desde então: São Jorge, de Marco Martins. Badaladíssimo, o filme foi super recomendado por todo mundo que viu (quem quiser conferir a matéria na RTP, clique aqui) e, ademais, ganhou o prêmio de melhor ator no último Festival de Veneza. Realmente, o cara - Nuno Lopes - não estava brincando não, apesar da câmera nervosa que o acompanha de perto (muitas vezes só vemos a nuca dele, o que chega a irritar um pouco). Seus silêncios são eloquentes e, só com o olhar e a expressão corporal, vemos e sentimos com ele o drama do desemprego e da crise econômica recente, os dilemas de quem precisa sobreviver, reconquistar sua mulher e alimentar um filho morando com o pai e uma enorme família num pequeno apartamento num bairro popular, e a dor (física inclusive porque ele é lutador de boxe) que ele experimenta em várias situações não só no ringue, mas na vida pessoal, no trabalho e nos caminhos que traça diante dos dilemas. Para além do desemprego, da pobreza, da falta de alternativas e da vida na periferia de uma cidade qualquer (a gente sabe que é Lisboa, mas a cidade não é identificada, poderia ser qualquer uma), o filme atravessa outras questões importantes, como racismo e imigração (a mulher dele é negra e brasileira). Vejam só o trailer:


Vale lembrar que São Jorge é padroeiro de Portugal. 

O filme começa com o protagonista, Jorge, recitando a famosa oração do seu santo homônimo, que me lembrou na hora o nosso querido Jorge Ben:


Salve, Jorge! 



2 comentários:

Marta Bellini disse...

SALVE, jORGE!

Unknown disse...

Faz bem em comer saladinhas e suquinhos para compensar os docinhos portugueses.