sexta-feira, 29 de agosto de 2008

19 - Nova embarcação

Lisboa, 29 de agosto de 2008.

Acabei de voltar da minha caminhada no Parque (hoje fui sozinha, porque a Kátia estava com dores nas pernas; aliás, hoje vi um pássaro que se parece muito com as maritacas da Praia do Flamengo, só que este não fazia o mesmo estardalhaço que as minhas vizinhas cariocas), estava tomando meu lauto café da manhã (mãe, não se preocupe, como frutas todos os dias!), quando Dona Rosa apareceu para aquele papo matinal. Ela é muito gente boa, tipo matrona, imagino que seja viúva (está sempre de preto) e a gente conversa bastante. Disse-me, pois, que meu nome já constava na lista oficial da Residência até o fim da minha estadia. Aí conversa vai, conversa vem, ela me falou sobre outro quarto, do outro lado da casa, que é menor, tem uma boa vista verde, o sol bate dentro do quarto (isso para mim é fundamental, principalmente no inverno) e tem uma vista para o céu bem mais ampla que o outro. Ela considera o melhor quarto da casa e contou-me histórias de hóspedes que só querem ficar nele. Hesitei um pouco, mas, quando olhei o céu, o sol e a laranjeira bem em frente à janela, não pensei duas vezes. Eu quero! Acabei de me mudar, já arrumei minhas coisas e estou incensando o quarto, ouvindo Homem de Bem... Ah! Ontem não escrevi pois estava morta de cansaço depois de 4 horas pendurada na internet pesquisando hotel em Paris para a semana que vem (já reservei minha passagem de trem, vou no dia 6 e volto no 17; o Pedro só conseguiu passagem para lá, por isso nem vem a Lisboa). Está meio em cima e agora está tudo caro demais ou longe demais do centro... Fiquei puta da vida e fui dormir sem escrever. Mas ontem foi um dia de trabalho normal na biblioteca. A única nota dissonante foi o vegetariano de meia-tigela que conheci: Celeiro, na Primeiro de Dezembro, entre o Rossio e os Restauradores. É uma loja de produtos naturais, tipo Mundo Verde, e, embaixo, o restaurante. É como um bandejão, as moças do outro lado do balcão é que nos servem. Havia lá um Bacalhau Espiritual, muito bonito e cheiroso, perguntei de que era feito, a rapariga disse-me que era feito de soja. Pensei: "que legal, como deve ser isto? o bacalhau está só no cheiro, daí ser espiritual", e resolvi provar. Arroz integral e brócolis de acompanhamento. Comecei a comer amarradona (estava bem saboroso, feito com alho-poró, cenoura, açafrão etc.), pensando em como conseguiram fazer uma soja com textura tão parecida com a de bacalhau, até que encontrei a primeira espinha... Deuses! Se fosse um vegetariano de fato, teria um treco ali mesmo, mas não é o meu caso, sou só simpatizante... Depois pensei com os meus botões que a moça deve ter entendido que eu perguntei o que levava o bacalhau, ou seja, além do bacalhau, vai soja etc. e tal...

Dona Rosa e Elsa (pronuncia-se "Elça": ela me disse que aqui há Elzas e Elsas, as Elzas têm o som de "z", as Elsas, de "ç")


A laranjeira na janela da minha nova embarcação


A boa vista da embarcação

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