domingo, 31 de agosto de 2008

22 - Domingo é dia de museu!

Lisboa, 31 de agosto de 2008.

Deuses! Já acabou agosto, esta semana faz um mês que cheguei aqui. O tempo: ai, ai, ai... Bem, como eu ando em busca do tempo perdido (aliás, retomo Proust hoje mesmo), hoje fui a duas exposições, uma no Museu do Chiado e outra na Praça do Comércio. Convidei a Katia para ir junto e ela adorou, ainda não conhecia o museu. Fomos de Funicular da Glória, o mesmo que desci ontem (hoje subimos), andamos um pouco pelo Chiado, passamos no Camões (descobri que embaixo do Camões há várias pessoas ilustres, além de pombos!, entre elas o Pedro Nunes, um dos meus objetos de estudo), no Pessoa (aproveitei para finalmente tirar a foto-mico) e finalmente chegamos ao museu, para o último dia da exposição Outras ficções. O Museu do Chiado é um museu de arte contemporânea, e esta exposição é típica, com pinturas, instalações, montagens fotográficas, textos foucault-deleuzianos, projeções de imagens etc. Vi coisas muito interessantes (cheguei a fotografar, mas mandaram parar por causa do flash), como a projeção sobre a mudança do eixo do mundo (muito engraçada), um quadro do Almada Negreiros e uma montagem fotográfica chamada "Pintura habitada", com um conjunto de fotos-telas mostrando a pintora pintando o próprio quadro em que fora fotografada (muito bem bolado); outras nem tanto, mas valeu a enxurrada de imagens-idéias que ali apareceram. Saímos dali e acabamos indo almoçar num lugar chamado Chimarrão, nos Armazéns do Chiado. Bom preço, cara de churrascaria brasileira, mas tem esquema para quem quer espeto corrido (como eles chamam rodízio por aqui) e também self-service. Quase todos lá são brasileiros e eu aproveitei o clima para comer um feijãozinho preto com farofa e linguiça (com muita salada para acompanhar evidentemente), tudo isso regado ao nosso bom e velho chope (que mané imperial o quê!)... Tomamos um café nA Brasileira (a filial dos Armazéns) e eu tirei as fotos que não tirei no outro dia. Realmente a vista de lá é muito linda. Descemos até o Paço para ver a exposição O plano da Baixa, mas no caminho demos uma olhadinha na feira de artesanato e antiguidades que há por lá também (domingo é dia de bastante movimento por ali). A exposição (também gratuita) é muito gira, pois mostra todo o esforço pós-terremoto de 1755 para reconstruir Lisboa, especialmente a sua região central, que foi totalmente destruída (aliás, há no meio da exposição uma projeção das gravuras antigas sobre o terremoto, as mesmas que me impressionaram no Museu da Cidade, com sonoplastia e clima soturno, que até assusta um pouco, acho que a idéia é essa mesma). É aí que entra a figura do Marquês de Pombal, como o grande arquiteto dessa Nova Lisboa das grandes avenidas, praças e parques. É toda uma remodelação do espaço público, que lança Lisboa (tardiamente, segundo os próprios textos da exposição) na modernidade. Há coisas do projeto inicial que só terminaram de ser feitas recentemente. Eles mostram também imagens do fogo que destruiu os armazéns do Chiado no final dos anos 80 (lá onde nós almoçamos hoje, que é o tal shopping mais central e charmoso da cidade, mas que há 20 anos era um armazém mesmo), além de vários casarios da região, e novamente a restauração da área, que hoje é o coração da cidade. Depois da exposição, a Katia voltou para a residência, pois já estava cansada, mas eu ainda tive disposição para ir ao show de jazz (também gratuito) no Parque Eduardo VII. Foi bom porque eu cheguei cedo e eles distribuíram uns pufes pra galera! Fiquei sentada confortavelmente vendo as gentes chegarem, apreciando a paisagem do parque e simplesmente deixando o tempo passar. O clima ali foi totalmente diferente do concerto que assisti na sexta, mais relaxado, as pessoas aplaudiram todas as músicas, o lugar estava cheio, tipo um pequeno anfiteatro, mas tinha gente mais afastada, só ouvindo, sentada na grama, encostada nas árvores, deitada em toalhas, lanchando... A tribo era outra também, aliás, tinha desde crianças de colo até a coroada descolada, passando pela juventude moderninha e a turistada alternativa. Ah! Eles distribuiram também uns sucos de garrafa muito gostosos (parece que é lançamento), acho que a marca é Pleno, tomei um de abacaxi, com limão e mate (todos levam algum tipo de chá). O show foi bom, um tal de Carlos Bica Single (era piano e contrabaixo), lembrei dos bons shows de música instrumental que assisti na Catacumba, no Jazzmania e no Circo Voador no final dos anos 80, tipo Cama de Gato, Banda Zil, Victor Biglione...
Vista dA Brasileira dos Armazéns do Chiado (o Castelo de São Jorge no fundo)

Olha eu aí no Parque Eduardo VII (a estátua lá no fundo é do Marquês de Pombal, onde há o que eles chamam de Rotunda, lugar em que se encontram 5 grandes avenidas, inclusive a da Liberdade, que é bem em frente ao parque. Segundo o Pessoa, este é um ponto estratégico da cidade...

Olha a Katia aí, que nunca tinha andado de funicular (e ela está aqui há um ano!)


Não é um texto foucault-deleuziano? (se der para ler...)

Este é o Pombal com o Parque Eduardo VII lá atrás


Outra vista dA Brasileira dos Armazéns do Chiado (o Tejo no fundo)


O shopping Armazéns do Chiado visto da Rua Garrett, no Chiado (há outra entrada lá pela Baixa; afinal, esta é a cidade das 7 colinas)

Camões e a embaixada brasileira atrás...



Pedro Nunes e os pombos

Olha o abraço que eu dei no Pessoa...


Um comentário:

Anônimo disse...

MANEIRO!!