Lisboa, 13 de agosto de 2008.
Hoje decidi ir ao vegetariano do Chiado, chama-se Oriente. Saltei no Largo do Chiado, vi o Pessoa sentado lá no famoso café A Brasileira, mas, como estava muito sol e muito cheio, deixei para pagar o mico de ir lá falar com ele numa outra ocasião. Desci a Rua Garrett até o meu destino, não sem registrar que encontrara mais duas livrarias: as tradicionais Bertrand e Sá da Costa. Entrei na rua Ivens e pois... lá estava o tal Oriente. Entrei, fui até o bufê para conferir e achei tudo com ótima aparência. O ambiente também é muito agradável, tipo clean (à la Gula Gula), como o MegaVega, só que maior e com alguns motivos orientais pelas paredes. Dos três que consegui conhecer até agora, este é o melhor (apesar do arroz integral papa), porque oferece mais opções, que também são mais incrementadas, como o tofu ao braz, a espetada de legumes etc. Provei quase tudo, tomei um ótimo vinho da casa por 2 euros e (deuses!) sopa de grelos (nada mais do que um delicioso creminho de batata baroa com cenoura e couve). Arrematei com um café que veio acompanhado com canela em pau (aqui eles dizem pau de canela), do jeitinho que eu faço em casa. Este é o bufê mais caro dos três (9,80), mas sem dúvida valeu a pena. Evidentemente, saí do restaurante e fui às livrarias. A Bertrand é de 1732 (há algumas estantes bem antigas, para dar o clima), é organizada por “salas”, cada uma cobrindo alguns temas. Encontrei algumas coisas que me interessam, inclusive o dicionário de espanhol que quero comprar antes de ir para Salamanca e um livro do Steiner falando sobre a história dos livros, mas por enquanto estou resistindo às tentações. A livraria é muito acolhedora, havia muitos turistas, fiquei um bom tempo lá dentro dando uma olhada geral (vi que há duas prateleiras dedicadas à astrologia, mas nada que preste, como as livrarias do Rio), peguei o cartão (para lembrar depois) e fui direto para a Sá da Costa. Lá também achei muita coisa boa, a livraria (que também é editora) é um pouco menos organizada, mas tem de tudo, algumas coisas interessantes de filosofia, muita história, crítica literária, lingüística, muito Vieira, Camões... Enfim, uma maravilha. Lá tem também postais, agendas, ímãs e lembrancinhas muito simpáticas de Lisboa. Peguei o cartão e saí perambulando pelas ruas do Chiado e do Bairro Alto, me perdendo e me achando, sem o menor compromisso. Acabei me deparando novamente com o Pessoa, mas com a casa onde ele nasceu, que é em frente ao Teatro Nacional de São Carlos, numa pracinha simpática, onde me sentei numa sombra para ver um pouco o tempo passar. A andarilha seguiu pelas ruas labirínticas, passou pelo imponente Camões na praça que leva o seu nome, que estava debaixo de um sol escaldante e acompanhadíssimo de pombos de todos os tipos. Melhor nem se aproximar. Andando mais um pouco, encontra-se mais uma livraria: Antiquária do Calhariz. Nesta foi necessário sentar para avaliar algumas coisas: anais de congressos sobre as Descobertas, três volumes enormes sobre a biblioteca de D. Manuel, mais alguns livros sobre a ciência náutica nesse período, enfim... Há lá também uma série de gravuras interessantes. Depois de algum tempo, mais um cartão na bolsa e novamente aquele céu azul maravilhoso, acompanhado do vento inesquecível desta terra. Saí sem planejar nada, mas não é que acabei por me deparar com o Funicular da Bica. Não pensei duas vezes: entrei. Como a condutora ainda estava do lado de fora, pedi para um casal espanhol que ali também estava para tirar uma foto minha. Muchas gracias! Fiquei toda alegre e desci até onde o funicular podia me levar. Muito gira! Fui tirando fotos e rindo comigo mesma, vendo aquelas roupas nos varais e achando tudo o máximo. Na saída, fui pela rua sem acreditar no meu passeio turístico não programado. Foi aí que vi o eléctrico, justamente o tal do 25, que todo mundo diz que vale a pena pegar (tem o 15 e o 28 também), pois ele cruza a cidade, fazendo um belo tour. Em vez de pegar o primeiro que passou, andei um pouco e, numa outra passagem dele sob um arco, tirei mais uma foto. Acabei, pois, dentro do 25, passando por Santos, Lapa, Estrela etc. Fui e voltei, registrando algumas coisas. Uma delas é o contraste entre casarios restaurados e caindo ao pedaços. Lá no "ponto final" do 25, há um casario que, de um lado, está todo arrumadinho, e do outro... Outra coisa é o aviso que há em todos os meios de transporte, inclusive no bonde, para tomar cuidado com os batedores de carteira. Reparei também que os mesmos problemas que há em Santa, entre carros e bondes, há também aqui. Testemunhei um condutor chamando a atenção de um motorista que largara o carro no caminho do bonde. O motorista não gostou e xingou o condutor de filho da puta. Muito engraçado ouvir essa discussão no falar local. Noutro momento a mesma coisa, só que o motorista manobrou rapidinho e tirou o carro do caminho. Depois dessa aventura eléctrica, saltei na Praça do Comércio, fui ver o Tejo. Estava um vento muito forte, as gaivotas numa dança louca. Andei um pouco pela praça apinhada de turistas e entrei pelo arco da Rua Augusta. No meio do caminho, lembrei-me das histórias do Little Boy em Barcelona, pois fui abordada duas vezes com caras oferecendo marijuana. Fala sério! Em plena luz do dia, no meio da rua... Em seguida, vi o menininho que já vi pedindo esmolas no metro. Ele toca uma sanfona e tem um cachorrinho que o acompanha.
Este é o arco na Praça do Comércio, que abre a Rua Augusta.
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