Lisboa, 12 de agosto de 2008.
Cá estou eu ouvindo Charlie Parker ao aroma do meu incenso tibetano. Hoje fui pegar o passe mensal do metro e também a carteirinha para freqüentar os refeitórios universitários. Tem até refeitório macrô, mas está fechado este mês. O bom é que vou pagar só 2 euros, o que significa uma boa economia e a garantia do meu arroz integral diário. Fui também ao gabinete de desporto, para me informar. No caso da musculação + cardio (aeróbica), é só pagar 100 euros pelo semestre todo. Maravilha! Posso continuar meu ritmo de malhação, mas só a partir de 15 de setembro. Até que é bom, pois estarei meio de férias até lá também, já que vou viajar esta semana para Trás-os-montes e, na primeira quinzena de setembro, vou fazer aquela viagem de aniversário: Lisboa-Madri-Barcelona-Paris. O engraçado foi quando eu perguntei sobre exame médico. Não é que a portuguesa me respondeu mais ou menos assim: não tem exame médico, se a pessoa morrer é por conta dela... Bizarro! Bem, como estava na universidade, fui novamente ao departamento de filô e fiquei surpresa, pois ele é bem maior do que eu achei ontem. Tem uma portinha discreta que leva ao que eles chamam de “o maior e mais forte departamento de filosofia no contexto das universidades portuguesas”. Agora sim. Entretanto não consegui as informações para o Marcus, porque não havia uma alma sequer no departamento. Mas achei a sala do Professor Branquinho sobre o qual ele me falara. Tirei uma foto também da Aula Magna, que fica atrás da Reitoria. Saindo da universidade, fui à caça de outro restaurante vegetariano da minha lista: o Jardim dos Sentidos. Ele fica em Príncipe Real, perto do Bairro Alto, ou seja, saltei do metro na Avenida Liberdade e subi uma rua transversal, como faço quando vou para Santa a pé. Uma boa subida, com direito a passar na Praça da Alegria e em várias ruelas com seus casarios tipicamente lisboetas, até chegar no alto da Rua da Mãe d’Água (cada nome!), onde se encontra o restaurante. Mais uma vez dei com a cara na porta, eles só abrem no fim do mês. Não me dei por vencida, pois estava numa área simpaticíssima. Desci um pouco a rua e acabei encontrando um restaurante indiano. Não pensei duas vezes: entrei. Mais uma vez, de uma tentativa frustrada de ir a um restaurante vegetariano acabei tendo uma experiência muito legal, degustando iguarias inimagináveis, cheias de piripiri (é como eles chamam pimenta por aqui), curry e coisas do gênero, ao som de músicas e falares indianos (todos os garçons são indianos e mal falam português), num clima muito giro. Senti-me como Sócrates, uma cidadã do mundo. Voltei para a residência, da qual tirei uma foto para o diário. Uma coisa que ainda não falei é que, além dos sinais, há por aqui faixas de pedestres sem sinal, nas quais os motoristas param e deixam os pedestres passarem, como em Blumenau. É claro que fico meio desconfiada, assim como fico em Blu, e só vou quando eles realmente estão paradinhos atrás da faixa, porque no Rio, ao contrário, a gente até corre o risco de ser atropelada no sinal vermelho... Descansei um pouco, tomei um banho e fui dar uma andada pelo bairro (ou freguesia, como eles chamam por aqui), para o lado que eu ainda não conhecia. Muito simpático, exatamente como o nome soa para mim: Lumiar (“Anda, vem jantar, vem comer, vem beber, farrear, até chegar Lumiar”). Na verdade, aqui é uma área de transição entre o Campo Grande e Lumiar. Entrei numa pastelaria e comprei (pasmem!) pão-de-queijo, pois já tinha comprado em outra no caminho os dois pastéis de nata de hoje, só que estes com amêndoas. No mercadinho em frente, comprei uma água e encontrei de novo as atendentes que adoram o meu jeito de falar. Lá pelas tantas, uma delas soltou algo assim: “é muito engraçado quando vocês resolvem falar português mesmo”. Deuses! Quer dizer então que a gente não fala português mesmo? Ai, ai, ai... Uma coisa que me chama a atenção é o tempo, e não é só porque trouxe comigo o Proust (até porque ainda não o li por aqui, pois ando às voltas com o Pessoa). Não sei se é porque estou num ritmo de exceção, mas o fato é que aqui o tempo é outro, tenho a impressão de que não só eu, mas as pessoas em geral fazem as coisas mais devagar. Mas isso pode ser simplesmente a minha predisposição que acaba refletindo em tudo o que vejo.
Nenhum comentário:
Postar um comentário