quarta-feira, 20 de agosto de 2008

5 - Indo para o norte

Vila Real (Aldeia Jorjais), 14 de agosto de 2008.

Hoje peguei minha mochila, fui à Gare do Oriente e, depois de 4 horas e meia, aportei em Vila Real. Já tinha trocado fotos com a Vânia (prima do Pedro) por e-mail, para que a mãe dela (Alice) e eu pudéssemos nos reconhecer. Como a camionete (é assim que eles falam, não sei se é assim que se escreve, mas significa basicamente ônibus interestadual) chegou antes do previsto, esperei um pouquinho do lado de fora da rodoviária, que é menor que a de Paranaguá. À primeira vista, Vila Real (capital da região de Trás-os-montes e Alto Douro) é uma cidade tranqüilíssima e agradável. Alice e Samuel (seu marido) me trouxeram até a aldeia onde moram e onde estão os avós do Pedro, sua tia Maria e o Walter (marido da Maria). É uma aldeia medieval, como a Julia já havia me contado, onde ainda se encontram algumas casas de pedra (que agora estão protegidas pelo patrimônio histórico) e pouquíssimos habitantes. Amanhã é dia de festa por aqui, pois, além do aniversário do vô do Pedro (Zeferino), é também festa da padroeira da aldeia vizinha, além de feriado nacional. Finalmente conheci pessoalmente a Vânia, que já tinha estado no Rio, mas que não consegui conhecer na ocasião, e sua irmã Soraia, em cujo quarto me encontro agora. Ela tem 10 anos e é uma figurinha simpática, grandona para a idade dela, assim como eu quando tinha 10. A Vânia já tem 23 e é enfermeira de um manicômio em Lisboa. Conversei com todos durante um bom tempo, depois jantamos quitutes quase todos criados, produzidos ou cultivados por eles mesmos (brócolis, couve-flor, tomate, cebola, coelho, carne de porco com cogumelos, pão da vó, que é um bem fofinho, e tudo isso regado ao vinho da casa; no final, frutas, marmelada da casa e queijos deliciosos). Depois de um bom papo à mesa (sobremesa, como dizem os espanhóis), saí com Maria e Walter para a festa da Aldeia. Parecia dia de São Pedro em São Pedro da Serra, mas com música portuguesa, um palco bizarro com um cara cantando e tocando teclado, e duas boazudas dançando seminuas. Detalhe: está um frio do cão, saí com dois casacos e fiquei com frio. Os avós do Pedro já estavam lá sentadinhos e conversando com os velhos amigos. No caminho até a Aldeia (uma boa caminhada), Maria e Walter paravam para falar com todo o mundo, quase todos por aqui são familiares ou pelo menos se conhecem. Agora entendo por que eles vêm para cá sempre que podem. Aqui a qualidade de vida é outra, eles têm vida social e uma liberdade que no Rio não conseguem ter. Sobre a viagem, algumas coisas me chamaram a atenção, a começar o motorista do busum. Fiquei muito desconfiada porque ele não tinha a menor pinta de motorista, não usava uniforme, não levei a menor fé quando ele me respondeu que era este o ônibus para Vila Real, quando, pouco antes, já haviam dito que era o outro, sem falar que ele parecia muito pouco interessado em informar direito. A bagagem vai no bagageiro sem nenhuma identificação, o que me causou um frio na barriga, porque qualquer um poderia passar a mão na minha mochila e cair fora (tudo bem que só tinha roupa lá, meno male, mas mesmo assim). Os próprios passageiros é que tiram e põem a bagagem, haja confiança! Outra coisa foi a paisagem, que varia muito do centro para o norte de Portugal. No início, achei tudo muito diferente, plantações que nunca vira antes, como as oliveiras (a Maria prometeu me apresentar pessoalmente a uma amanhã), fábricas enormes na beira da estrada etc. Depois, quando passamos pela serra e pelos vinhedos (Baco decerto está feliz com a terrinha: que vinhedos!), guardadas as devidas proporções, achei tudo mais parecido com a nossa região serrana. Mas o que mais me marcou foi Coimbra. Deuses! O ônibus pára no centro da cidade, à margem do Rio Mondego, para embarque de passageiros. Que visão deslumbrante da Universidade e de vários outros prédios antiqüíssimos! Cheguei a me emocionar. Estarei lá na terça e agora com mais curiosidade do que antes.
Vila Real (Aldeia Jorjais), 15 de agosto de 2008.

Ai, ai... cansei... Já passou de meia-noite, estou de pé desde mais ou menos 9 da manhã. Hoje foi aniversário do vô do Pedro, e a lida por aqui começou cedo (cada vez estou mais convencida de que as mulheres portuguesas são todas exageradas no quesito trabalho, reservando pouco tempo para si mesmas; parece que querem dar conta de tudo sozinhas, como se fosse uma questão de honra). Por aqui passaram vários familiares ao longo do dia todo, o que me exigiu horas de desprendimento (já sabia que seria assim, por isso vim munida dessa disponibilidade). Ajudei no que pude, ao lado das mulheres da casa, preparando a comilança do dia. Conversei com todo mundo, assisti ao jogo de futebol na TV (Inter de Milão X Benfica, a Inter ganhou nos pênaltis) com um monte de gajos do lado (e eu, na minha, torcendo para a Inter) e, evidentemente, comi e bebi. Foi um almoço numa mesa enorme, com sei-lá quantos pratos. Bom papo (especialmente o casal Zé Luiz e Duda, filhos do Zezinho e da Tina, que já conhecia do Rio; eles me convidaram para ir a Braga, onde moram), ótimo ambiente, pessoas agradáveis, trocas culturais. No fim da tarde saímos para ver a oliveira. No caminho, conversamos (Maria, Walter, Tina, Duda e eu), catamos maçãs e amoras. Agora acabamos de voltar da festa lá na Aldeia. Voltei andando com Maria e Walter, sempre ótimas companhias. A temperatura no termômetro é de 9 graus (em pleno verão)! Amanhã vou para o Porto.

Olha a azeitona aí!
Passeio bucólico

Casal Fraga



Maria e Walter

Nenhum comentário: