terça-feira, 18 de outubro de 2011

116 - Dia de alfacinha comunista

Para quem não sabe (ou não se lembra), alfacinha é como os portugueses denominam os lisboetas. Então hoje dei uma de alfacinha: trabalhei de manhã, almocei na residência mesmo, descansei um pouco e à tarde saí para bater perna por essa cidade que mora no meu coração. Fui de metro até a Avenida da Liberdade, peguei o funicular da Glória e fui parar lá no Bairro Alto. Perambulei por aquelas ruas tão tipicamente lisboetas e acabei indo ao Miradouro de Santa Catarina, que é onde Joaquim Pessoa e Clarice (personagens sobre os quais ando escrevendo) têm um encontro sorrateiro. Uma belíssima vista para o Tejo e um lugar onde os alternativos da cidade se encontram - conhecido como Adamastor (porque tem uma enorme estátua dessa figura mitológica camoniana). Senti o clima por alguns instantes e segui o meu caminho, viajando um pouco na minha ficção, até que, ao decidir ir para a Baixa, passando pelo Chiado, acabei me deparando com a realidade: um grupo de manifestantes comunistas estava em concentração na saída do metro, bem ao lado do Pessoa no café A Brasileira. E para quem pensa que os moços vermelhos estão em extinção, esta é a prova de que estão vivíssimos e nada satisfeitos:
 
 

Aqui eles já tinham descido até a Baixa e passavam pelo Rossio (ao fundo, a estátua do nosso Pedro I, Pedro IV português, que fica no centro da praça):

  


Nessa última (ainda no Rossio), reparem no Castelo de São Jorge ao fundo.

Nesta, abaixo, eles passavam em frente à Santa Justa.


E aqui com o arco da Augusta ao fundo:


A malta estava toda lá, e suas palavras de ordem eram:

Quanto mais calados, mais somos roubados!
Roubam o povo para dar à banca!
Ao roubo e à exploração, aqui dizemos não!



A diferença básica em relação aos indignados (que também se manifestaram por aqui no dia 15) é que esta foi uma manifestação organizada por um partido, o Partido Comunista Português, enquanto o Movimento 15-M é apartidário. Aliás, parece que na Cinelândia apareceram 200, como se pode ver aqui no QdL.

Um comentário:

Pedro Fraga disse...

“Um fantasma ronda a Europa – o fantasma do comunismo”