quinta-feira, 13 de outubro de 2011

109 - Encontro com Averróis em Córdoba

Ontem foi feriado em toda a Espanha e aproveitei o dia sem aulas para ir a Córdoba. Além do tour habitual, que descreverei em outra postagem, eu tinha uma missão específica, encontrar a estátua de Averróis, filósofo do século XII, pouco estudado entre nós, como infelizmente todo o mundo árabe. Além de produzir sua própria obra, ele foi o responsável pela releitura da obra de Aristóteles, passando à posteridade como "o comentador". O moço é prestigiado na cálida cidade andaluz (cheguei a ver um termômetro marcando 40 graus no meio da tarde). Além da estátua, que se encontra ao pé do que resta da muralha da cidade histórica, achei também um busto em outro sítio, um tipo de museu chamado Casa Andalusí, olhem só:


Aqui dá para ver mais de perto (coitado, o moço está sem nariz!):


Um pouco mais de longe:


E agora mais de longe ainda, para ver o contexto:


E este é o busto dele que está na Casa Andalusí. Além de uma pequena biografia, o texto ao lado diz que no oitavo centenário de sua morte, as universidades andaluzas reeditaram três escritos do filósofo cordobês: Compêndio de metafísica, Teologia de Averróis e Obra médica. Ah! Claro! Faltou dizer que ele também era médico e jurista.



A quem ainda não sabe, o filme sobre a vida dele, feito pelo cineasta franco-egípcio Youssef Chahine - O destino - acho que em 1997,  foi uma das inspirações da minha tese, sobretudo no que diz respeito à capacidade de sobrevivência dos textos antigos, apesar de todos os pesares: o filme começa com fogueira e termina com fogueira. A primeira, promovida pela Inquisição na França, para queimar um tradutor que havia traduzido textos de Averróis (considerado herege pela cristandade); e a segunda, promovida pelo Califa de Córdoba (que se aproximara dos fundamentalistas islâmicos, de quem evidentemente o filósofo cordobês não era amigo), para queimar todos os livros de Averróis em praça pública, enquanto ele partia para o exílio no Marrocos, onde morreria alguns anos depois.

Além do Averróis, encontrei também o Maimônides, filósofo judeu contemporâneo do Averróis, que também é uma referência importante da época. Este tem até praça com o seu nome:




Achei também a Faculdade de Filosofia e Letras, olhem que fofa:



Alguém se habilita?

2 comentários:

Odete disse...

Que bom você ter encontrado com Averróis. Aliás, tive o prazer de conhecê-lo através de você.
beijo

Pedro Fraga disse...

Deu meu amplexo no Averróis?