segunda-feira, 17 de outubro de 2011

115 - Passeando por Madri antes de voltar a Lisboa

Ontem fui bater perna em Madri, andar por essa cidade convidativa. Não sei como explicar direito, mas a impressão que eu tenho é que as pessoas simplesmente ocupam a cidade, se apossam de cada canto dela, estão sempre dispostas a desfrutar (aliás, essa palavra é muito usada por esse povo). Tudo bem que era domingo, dia de El Rastro (mercado das pulgas de mais de 400 anos que ocupa várias ruas), que encontrei casualmente:


Mas, independentemente disso, e também de a cidade estar cheia de turistas, e de que, no dia anterior, o 15-M movimentara as calles madrilenhas, o fato é que essa cidade ferve. Chega a ser cansativo ver tanta gente junta tanto tempo seguido. Claro que, às vezes, dobra-se uma esquina e encontra-se uma rua vazia, um banco na praça para se sentar ou um bar sem movimento. Aliás, como tem muita oferta de bares e restaurantes, não é difícil encontrar lugar num restaurante para comer. Ontem, por exemplo, fui a um vegetariano que descobri pertinho do hotel - Artemisa -, parece que é um dos mais antigos da cidade, tem cerca de 20 anos. Tomei uma sopa cremosa de alho poró como primeiro prato e comi uma paella vegetariana de segundo, tudo isso regado a um La Rioja. Não aguentei sobremesa. Muito bom, mas um pouco caro.

Continuei perambulando pela cidade e fui à Plaza Mayor (reparem na quantidade de gente):





No caminho, passei em várias praças e na Puerta do Sol, e tive a oportunidade de ver algumas assembleias do 15-M. A concentração da Puerta do Sol já havia se dissipado, mas as pessoas continuavam nas ruas e, em alguns lugares, praticando a democracia real já. E algumas apenas desfrutando...

Fui à casa do Lope de Vega, desta vez para entrar (da outra só tirei foto na porta), e adorei a reconstituição de época e os detalhes da vida desse poeta/escritor/dramaturgo extremamente produtivo e intenso. Ele viveu e escreveu muito, casou várias vezes, teve diversas amantes e sei-lá-quantos filhos. Acabou entrando para o sacerdócio, mas parece que teve problemas com isso. Perguntei para a guia do museu se ela tinha visto o filme Lope, do Andrucha Wadington, e ela disse que sim, que o filme teve uma boa repercussão na Espanha e que tem sido usado nas escolas. Claro que ela, uma especialista no assunto, percebeu algumas falhas históricas, como a reconstituição do teatro, que era muito mais simples, mas considera o filme extremamente relevante.

Na mesma rua se encontra a casa onde viveu e morreu o Cervantes, mas é particular. A casa onde nasceu, em Alcalá de Henares, é que é museu (mais um motivo para voltar):



Conheci também o Museo del Jamón, que é, na verdade, uma cadeia de bares/restaurantes, e comprei dois bocadillos para a viagem. Foram devidamente comidos no trem de volta para Lisboa.

Elena e Tom me acompanharam até a estação, foi muito giro estar com eles mais um pouco. Oxalá a gente se veja em breve!

Acabei de chegar à Paz, dizendo "a boa filha à casa torna" para a minha mãe portuguesa e botando o papo em dia. Sensação de estar em casa: já fiz a minha caminhada, fui no mercado, almocei, tomei o meu Reguengos e agora pretendo me recolher um pouco depois de tantos dias no movimento externo. Tenho que preparar a minha apresentação para o congresso na semana que vem. Mas logo mais rola um pastel de nata, claro!

Um comentário:

Odete disse...

Ai, ai, eu também quero pastel de nata!!!
Bom descanso
beijo