Depois de passar três dias sem internet, o que me rendeu uma crise de abstinência daquelas, retomo os escritos com mais uma tertúlia organizada pela Teresa e sua amiga, Elvira, mas agora sobre caracóis. Ao contrário da outra vez, que foi na casa da Ana e cujo tema era o amor (clique aqui para ver o registro), agora o pessoal escolheu um restaurante que serve a iguaria para fazer o encontro. Já tinha visto várias plaquinhas "há caracóis" em restaurantes da cidade, mas nunca dei a menor bola. Desde que o assunto foi definido para a tertúlia, comecei a reparar e fiquei pensando no que eu poderia levar para esse encontro. Claro que a primeira coisa que me passou pela cabeça - e que de fato levei, apesar de o barulho do restaurante não ter permitido a audição - foi o "Debaixo dos caracóis dos seus cabelos", do rei Roberto Carlos (1971) em homenagem ao exilado Caetano Veloso.
Não sei se esta é a única música com teor político do rei, mas ele não é exatamente reconhecido por esse tipo de produção. No entanto, compôs essa linda música de protesto travestida de música romântica, que era como eu a compreendia quando ouvia este vinil durante a infância e adolescência. Só anos depois fiquei sabendo dessa história entre Roberto e Caetano. Ouça abaixo a faixa no disco:
Os dois juntos em 1992, cantando e falando (no final) sobre a música:
Voltando à tertúlia:
Em torno da mesa, da esquerda para a direita, os tertulianos da noite:
Ana Rita, Francisco, Elvira, Fernando, Eu, Teresa, João, Isabel, João e Ana Paula.
Cheguei a ver a ocorrência do termo na Origem e como isso foi tratado nas traduções. Curioso é que este é justamente um dos termos - shell e variações - que foi objeto de nota do editor da Planeta Vivo, Nuno Gomes, no prefácio e no rodapé (p. 295) da tradução da Ana Afonso, para falar do problema da tradução de termos técnicos da obra (Nuno e Ana foram apresentados aqui; a versão em pdf desta tradução se encontra aqui).
Também acabei me deparando "acidentalmente" com outras referências a caracóis em meio a outras leituras, como esta abaixo, do Jornal de Horticultura Prática, que estava folheando porque contém um texto de Júlio Augusto Henriques sobre Darwin já mencionado aqui:
"Será que vou ser capaz de comer um caracol?",
pensei eu desde que começamos a falar disso.
Sim, eu comi! Alguns...
Provavelmente não vou repetir, mas valeu a experiência e, claro, a tertúlia.
Aqui vemos o João, que já trabalhou com caracóis, "dando uma aula" sobre essas criaturas. Incrível a variedade desses bichinhos, suas conchas e hábitos (há caracóis terrestres, marinhos e de água doce).
Teresa, João, Isabel, João e Ana Paula
Por incrível que pareça, toda a malta tinha alguma coisa para dizer sobre caracóis. A Isabel e a Ana Rita até já pensaram em criar esses bichos, e falaram um pouco disso. A Ana Paula levou uma poesia do Lorca (já muito falado e chorado neste blog quando estive em Granada, como se pode ver aqui e aqui), "Os encontros de um caracol aventureiro". Seu companheiro, Francisco, levou uma poesia dele. Outros tertulianos falaram de receitas, lugares e curiosidades. Incrível como o tema rendeu!
Ana Rita, Francisco, Elvira e Fernando
Para finalizar, vamos lembrar dos caracóis do bom e velho Caetano botando a boca no trombone, com destaque para uma passagem em que, no meio da raiva, ele fala poetando: "não sei o que sou, ainda não decidi".


Um comentário:
O bichinho é tirado com palitinho? O bom do encontro é a conversa e a troca de experiências. Sem falar da música que é muito emocionante e linda.
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