domingo, 24 de agosto de 2008

15 - Virando alfacinha?

Lisboa, 24 de agosto de 2008.
Hoje descobri que os lisboetas se autodenominam "alfacinhas" e que os naturais do Porto são os "tripeiros"... Vitrine é "mostra", e uma expressão que eles usam muito, e que me lembra demais o Machado, é "estar ao pé de" (= estar perto). E já que o papo é diferença, hoje conversei com Katia e Paulo sobre Moçambique, e eles me contaram coisas interessantes. Por exemplo, o sarongue típico e belíssimo que ela costuma usar chama-se "capulana", mas não sai com ele, só usa em casa. Quanto à unificação da língua portuguesa (a qual, aparentemente, os portugueses têm ojeriza), eles disseram que isso ainda foi pouco discutido entre eles. Fiquei sabendo também que eles são alfabetizados em português de Portugal, mas que muitos textos traduzidos são brasileiros, então há uma grande mistura das duas variedades de português. Além disso, há a questão dos vários dialetos locais, que eles consideram como língua materna, é a língua que eles falam em casa, mesmo gente formada, urbana e nova como eles (ambos têm menos de 30), ou seja, são bilíngües, uma realidade bem diferente da nossa. No Brasil, apesar das diferenças regionais e dos sotaques, nossa língua materna é o português (excetuando-se evidentemente as diversas línguas indígenas, mas que representam uma minoria de falantes).
Hoje fui andar no Parque Quinta das Conchas, pertíssimo daqui (mais ou menos 3 quadras). Um lugar muito giro, com gente na medida, nem muita nem pouca. Parece uma mistura de Quinta da Boa Vista, Jardim Botânico e... Não, parece mais com os parques de Curitiba: um lugar limpo, amplo, seguro, com bosque, cheio de brinquedos para crianças (há um conjunto de escorregas em formatos e tamanhos variados que tem cara de ser divertidíssimo). Há gente andando, correndo, pedalando, jogando bola, brincando, passeando com o cachorro, lendo ou simplesmente vadiando. Ótimo lugar para as minhas caminhadas matinais. Há lá também um restaurante e, evidentemente, uma pastelaria.
Além de estar vendo com os meus próprios olhos e vivendo cada momento com plena atenção, tenho sido apresentada a Portugal por Miguel Torga. Seu livro Portugal é composto por uma série de contos, cada um dedicado a uma região do país. Apesar de ele detonar Coimbra (lugar que eu adorei), seu amor platônico pelo Porto, a melancolia em relação a Lisboa e a apresentação totalmente maravilhada da sua terra natal, Trás-os-Montes, são imperdíveis.

2 comentários:

Julianx disse...

alfacinha?! essa gente portuguesa!!! verdes e pedindo um molhinho! Veja se toma um sol! Beijo com saudades!Jú.

Anônimo disse...

hehe :-) tô tomando sol, mas com filtro solar, porque a parada aqui é sinistra, sol até tarde...
beijão