Lisboa, 26 de agosto de 2008.
Hoje dormi mais ou menos, sonhei com algumas pessoas que não vejo há tempos, inclusive o meu pai (e agora olho a data que acabei de escrever e lembro que amanhã seria seu aniversário). Coisas de Netuno... Por conta disso, fiquei de preguiça na cama até tarde. Tudo foi andando meio devagar, um pouco de cólica também... até cheguei a pensar em nem botar o pé para fora da residência... Não! Decidi sair de autocarro, para ver a cidade sem ter que andar muito. Foi ótimo! Peguei o 36 aqui na porta, ele faz o mesmo trajeto do metro, só que na superfície. Vi todo o Campo Grande, a Faculdade de Ciências, a lateral da Torre do Tombo, a Reitoria, a Biblioteca Nacional... oops... eu tinha que saltar, mas me deixei levar até o Cais do Sodré, passando antes pelo Campo Pequeno (vi aquela coisa meio mourisca que é onde rolam as touradas por aqui), Saldanha, rotunda do Pombal, Avenida da Liberdade, Restauradores, Rossio e Baixa. Bem melhor ir de autocarro, de metro não se vê nada. Tudo bem que fui ouvindo um papo muito chato de um casal que não conseguia falar baixo e não se tocava da sua inconveniência (sem falar que, além de tudo, para mim foi difícil segurar o riso, porque eu ainda acho graça do jeito que eles falam), mas isso também poderia acontecer no metro. Bem, lá estava eu no Cais do Sodré, na beira do Tejo, com aquele vento peculiar, apesar do sol forte e do azul do céu. E aí? O que estou fazendo aqui? Bem, segui em frente, atravessei a 24 de julho e entrei no Mercado da Ribeira, um dos lugares que queria conhecer. Olhei tudo. Um ótimo espaço de mercado (tipo Cobal), no primeiro piso, mas que também (assim como a Cobal) está investindo em eventos culturais (tem um salão enorme para exposições, shows, bailes etc.), lojinhas, cafés e restaurantes. Foi lá que encontrei uma boa livraria (que também é alfarrábio). Fiquei um bom tempo avaliando tudo, mas resisti bravamente, até porque ainda não recebi a bolsa. Levei alguns postais. Saí dali e segui para o lado do Chiado, entrei na Rua do Alecrim, onde me lembrava que era o endereço de um dos vegetarianos da minha lista, mas estava fechado. Resolvi ir comer no Oriente, que é ali perto. No caminho, passei na rua Anchieta e vi que era ali o Instituto Macrobiótico, mas também estava fechado. Fui mesmo ao Oriente. Novamente a comida estava muito boa, e hoje havia um brasileiro atendendo. Batemos um papo, ele se chama Valter, está aqui em Lisboa há 5 anos e, antes de trabalhar ali, trabalhava numa churrascaria! Que mudança radical! Saí do restaurante, pensando em ainda ir à biblioteca (já eram quase 3 horas e a biblioteca fecha às 5 no período de férias). Resolvi antes dar um pulinho no Armazém do Chiado (um shopping muito charmoso bem no meio desse centro antigo), para ir ao banheiro. Não é que lá encontrei uma filial dA Brasileira? Só que bem mais vazia e sem a estátua do Pessoa, apenas umas fotos dele na parede. No entanto, quando sentei para tomar o meu café e comer o pastel de nata (tinha que provar evidentemente), olhei pela janela e vi a mais bela vista de Lisboa até agora. Lá do alto (o Chiado é um bairro alto, a sua estação do metro tem escadas rolantes que não acabam nunca), vi o Tejo ao fundo e, abaixo, todo o casario com suas cores e formas variadas. Valeu cada cêntimo dos quase 2 euros que deixei ali. Saí dali revigorada, apesar de estar num shopping center. Não fazia a menor idéia de que horas eram (esqueci o relógio na residência), mas fui descendo a rua, para pegar o metro e ainda tentar ir à biblioteca. No meio do caminho, entretanto, achei uma ótima livraria, a Ferin. Fiquei um bom tempo vendo tudo (parece uma Leonardo da Vinci miniatura, principalmente pelos livros estrangeiros, a maioria franceses). Há lá umas medalhas muito giras, de todos os reis de Portugal, e também uma boa estante de filô e uma melhor ainda de história. Achei também umas obras interessantes de pesquisas genealógicas. Se der tempo, esta é uma coisa que eu gostaria de fazer por aqui, puxar o fio da meada dos Amorim e dos Machado... Bem, resolvi ir embora, pois a cólica estava me incomodando. Peguei o autocarro e lá descobri que já eram 6 da tarde. Bem, só me restava ir curtindo o caminho até a residência...
2 comentários:
Acompanhando todos os capitulos dessa verdadeira saga. Bom ver que voce esta aproveitando minha terra. Muitas felicidades para voce Cris.
J.F
reis de portugal? valia uma ação direta!!!beijo!
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